Mapa de questões · 2º dia
Questão 113 — ENEM 2017 PPL
O heredograma mostra a incidência de uma anomalia genética em um grupo familiar.

O indivíduo representado pelo número 10, preocupado em transmitir o alelo para a anomalia genética a seus filhos, calcula que a probabilidade de ele ser portador desse alelo é de
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Genética (heredogramas, herança autossômica recessiva, probabilidade genética)
- ⚡ Nível: Difícil — exige primeiro deduzir o padrão de herança a partir do heredograma e depois aplicar probabilidade condicional (excluindo o genótipo afetado, já descartado pelo fenótipo do indivíduo 10)
- 🎯 Tema/Habilidade: Interpretação de heredogramas e cálculo de probabilidade de heterozigose (H8 — compreender fenômenos hereditários e mecanismos de transmissão de características biológicas)
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Sabendo que o indivíduo 10 não manifesta a anomalia, qual é a probabilidade de ele carregar o alelo recessivo em heterozigose?"
- Palavras-chave decisivas: portador, probabilidade, anomalia genética
- Armadilha típica: aplicar a proporção mendeliana bruta (1 AA : 2 Aa : 1 aa) sem excluir o genótipo homozigoto recessivo, já que o próprio enunciado informa que o indivíduo 10 é fenotipicamente normal — isso leva ao erro de marcar 50% em vez de recalcular a probabilidade condicional.
- O que a resposta precisa demonstrar: identificação correta do padrão de herança (autossômica recessiva), dedução dos genótipos obrigatórios dos pais de 10 (ambos heterozigotos) e o uso de probabilidade condicional para excluir a classe "afetado" do espaço amostral.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Heredograma (genealogia): representação gráfica de uma família ao longo de gerações, usando círculos (mulheres) e quadrados (homens); símbolos preenchidos indicam indivíduos afetados pela característica em estudo.
- Herança autossômica recessiva: o alelo da anomalia (a) só se manifesta no fenótipo quando em dose dupla (aa); indivíduos Aa são fenotipicamente normais, mas "portadores" (carreadores) do alelo.
- Indivíduo obrigatoriamente heterozigoto: quando um progenitor é homozigoto recessivo (aa) e o filho é fenotipicamente normal, esse filho necessariamente recebeu o alelo "a" do progenitor afetado e o alelo "A" do outro progenitor — logo, é Aa com probabilidade de 100%, não uma estimativa.
- Probabilidade condicional em genética: quando uma informação fenotípica (ex.: "não é afetado") já é conhecida, o espaço amostral do cruzamento deve ser recalculado excluindo as classes incompatíveis com essa informação, e não simplesmente usando a proporção bruta do cruzamento.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (heredograma): o indivíduo 2 (mulher afetada) casada com 1 (homem não afetado) gera os filhos 5, 6 e 7, todos não afetados → como uma mulher afetada só pode transmitir o alelo da anomalia, todo filho não afetado dela obrigatoriamente recebeu o alelo normal do pai, ou seja, é heterozigoto obrigatório.
- Evidência 2 (heredograma): o indivíduo 3 (homem afetado) casado com 4 (mulher não afetada) gera os filhos 8 e 9, também não afetados → pela mesma lógica, 8 é heterozigoto obrigatório, pois recebeu o alelo da anomalia do pai afetado (3) e o alelo normal da mãe (4).
- Evidência 3 (heredograma): o casal 7 × 8 — ambos não afetados — tem entre seus filhos o indivíduo 11, uma mulher afetada → dois pais normais gerando uma filha afetada é a assinatura clássica da herança recessiva (o alelo "escondido" nos dois heterozigotos se encontra em dose dupla na filha).
- Síntese: a anomalia é autossômica recessiva; 7 e 8 são heterozigotos comprovados (Aa × Aa); o indivíduo 10, filho desse casal e fenotipicamente normal, tem seu genótipo a ser calculado por probabilidade condicional dentro da prole não afetada desse cruzamento.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Determinar o padrão de herança (recessiva e autossômica)
Primeiro é preciso provar que a anomalia é recessiva: o casal 7 × 8, ambos sem a anomalia, tem uma filha afetada (11). Se a herança fosse dominante, seria impossível dois pais sem o fenótipo gerarem um filho com ele (sem mutação nova). Logo, a anomalia é recessiva.
Em seguida, é preciso descartar herança ligada ao X: se fosse recessiva ligada ao X, a mulher afetada 2 seria obrigatoriamente X^a X^a (só tem alelos "a" para doar). Nesse caso, todo filho homem dela receberia o cromossomo X^a e seria necessariamente afetado (hemizigoto). Mas o filho 7 não é afetado — contradição. Logo, a herança é autossômica recessiva, com alelo normal A dominante sobre o alelo da anomalia a.
Subpasso 4.2 — Determinar os genótipos obrigatórios de 7 e 8
- Indivíduo 7: filho da mulher afetada 2 (genótipo aa) com o homem 1 (não afetado). Como a mãe só tem alelos "a" para transmitir, 7 recebeu "a" dela; como 7 não é afetado, ele recebeu "A" do pai. Genótipo de 7 = Aa (100% de certeza, não é probabilidade).
- Indivíduo 8: filho do homem afetado 3 (genótipo aa) com a mulher 4 (não afetada). Pelo mesmo raciocínio, 8 recebeu "a" do pai afetado e "A" da mãe. Genótipo de 8 = Aa (100% de certeza).
Subpasso 4.3 — Cruzamento Aa × Aa e probabilidade condicional para o indivíduo 10
O casal 7 (Aa) × 8 (Aa) segue a proporção clássica de um monoibridismo:
- 1/4 AA (homozigoto normal)
- 2/4 Aa (heterozigoto portador)
- 1/4 aa (homozigoto afetado — é exatamente o que ocorreu com a filha 11)
O indivíduo 10 é fenotipicamente não afetado, o que já exclui, com certeza, a classe aa (1/4) do seu espaço de possibilidades. Restam apenas as classes compatíveis com o fenótipo normal: AA (1/4) e Aa (2/4), que juntas somam 3/4 da prole. A probabilidade de 10 ser heterozigoto (portador), dado que ele é normal, é a razão entre a fração "Aa" e a fração total "não afetado":
P(Aa | não afetado) = (2/4) ÷ (3/4) = 2/3 ≈ 0,667 ≈ 67%
Subpasso 4.4 — Verificação
2/3 corresponde a 66,7%, arredondado para 67%, batendo exatamente com a alternativa D. O erro mais comum é parar em 2/4 = 50% (alternativa C) por esquecer de excluir a classe aa do espaço amostral.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 0%.
❌ Incorreta: essa resposta surgiria de um erro conceitual grave — supor que, por ser fenotipicamente normal, o indivíduo 10 não pode carregar o alelo recessivo. Isso ignora completamente o conceito de heterozigoto (portador assintomático), essência da herança recessiva.
B) 25%.
❌ Incorreta: esse valor (1/4) aparece se o estudante considerar apenas uma das duas combinações que geram heterozigoto (por exemplo, só "A do pai + a da mãe", esquecendo a combinação recíproca "a do pai + A da mãe"), tratando incorretamente Aa como um único evento em vez de dois eventos equivalentes na proporção 1:2:1.
C) 50%.
❌ Incorreta: é a proporção bruta de heterozigotos no cruzamento Aa × Aa (2/4 = 1/2), calculada sem levar em conta a informação de que 10 já é sabidamente não afetado. Esse é o erro mais tentador da questão: usar a proporção mendeliana direta sem recalcular o espaço amostral condicionado ao fenótipo conhecido.
D) 67%.
✅ Correta: aplicando corretamente a probabilidade condicional — excluindo a classe aa (1/4) porque 10 é normal, e recalculando a fração de heterozigotos dentro do universo restrito dos não afetados (2/4 dividido por 3/4) — chega-se a 2/3 ≈ 67%, valor que reflete com precisão a chance real de 10 ser portador.
E) 75%.
❌ Incorreta: 75% (3/4) é a probabilidade de um filho do casal Aa × Aa não ser afetado (AA + Aa), não a probabilidade de ser heterozigoto. Confunde-se "chance de ser normal" com "chance de ser portador entre os normais".
🏆 Gabarito: D — a herança é autossômica recessiva, os pais de 10 (indivíduos 7 e 8) são heterozigotos obrigatórios, e como 10 é fenotipicamente normal, sua probabilidade de ser portador é a razão condicional 2/3 ≈ 67% dentro da prole não afetada.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas 67% respeita simultaneamente a genética mendeliana do cruzamento Aa × Aa e a informação extra do enunciado (10 é normal), que reduz o espaço amostral de 4 para 3 desfechos possíveis.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora testar heredogramas em que o candidato precisa primeiro deduzir o padrão de herança (dominante/recessivo, autossômico/ligado ao X) a partir dos casais e da prole, e só depois calcular uma probabilidade — geralmente envolvendo genótipo "portador" (heterozigoto) de um indivíduo cujo fenótipo já é conhecido.
- Generalização: sempre que um indivíduo tem fenótipo normal e seus pais são heterozigotos conhecidos (Aa × Aa), a probabilidade de ele ser portador NÃO é 1/2 (proporção bruta), e sim 2/3 — porque a informação "ele é normal" já elimina a classe aa do espaço de possibilidades.
- Dica de eliminação rápida: ao ver "probabilidade de ser portador, sabendo que não é afetado" em uma questão de heredograma Aa × Aa, desconfie imediatamente de alternativas com frações "puras" da proporção 1:2:1 (25%, 50%, 75%) — a resposta certa costuma ser a fração condicional 2/3 (≈67%), pois o enunciado já forneceu uma informação fenotípica que restringe o espaço amostral.
- Conexões: esse mesmo raciocínio de probabilidade condicional aparece em questões sobre aconselhamento genético (ex.: cálculo de risco de casais heterozigotos terem filhos afetados) e em problemas de fibrose cística, albinismo e outras doenças autossômicas recessivas clássicas do ENEM.
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