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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 83ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia

O dólar fechou esta sexta-feira (15/10/21) cotado a R$ 5,45, em queda de 1,11%. Após uma semana turbulenta, quando atingiu R$ 5,57 na quarta-feira (13) e forçou o Banco Central a vender US$ 1 bilhão por instrumentos de mercado, a moeda norte-americana teve sua maior queda em duas semanas, mas dá sinais de que vai seguir valorizado ante o real nos próximos meses. Pesam nesse cenário de alta fatores políticos; o Risco País; alta dos juros pressionando menos investimentos e as expectativas pessimistas do mercado para o futuro.

Alta do dólar: entenda o que mantém a cotação acima dos R$ 5. Disponível em: 
www.istoedinheiro.com.br. Acesso em: 3 out. 2021 (adaptado).

Para o Brasil, uma consequência gerada pelo cenário econômico exposto é o(a):

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia Econômica (câmbio, inflação, poder de compra)
  • ⚡ Nível: Médio — exige conectar câmbio, inflação e poder de compra em uma cadeia lógica, sem cálculos complexos.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Efeitos da taxa de câmbio sobre a economia brasileira e seus impactos sociais.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual efeito, para o Brasil, decorre do dólar valorizado frente ao real descrito na notícia?"
  • Palavras-chave decisivas: dólar valorizado, Risco País, expectativas pessimistas
  • Armadilha típica: achar que "dólar caro" é sempre bom para o Brasil (pensando só em exportação) ou inverter a direção dos fluxos de capital e de turistas.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que dólar alto + juros altos + risco-país elevado geram inflação, corroendo a renda real da população.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Taxa de câmbio: preço do dólar em reais; dólar "subindo" significa o real se desvalorizando.
  • Inflação importada: insumos cotados em dólar (petróleo, fertilizantes, trigo, eletrônicos) ficam mais caros no mercado interno quando o dólar sobe.
  • Poder de compra: relação entre salário nominal e nível de preços; se a inflação supera o reajuste salarial, o poder de compra cai.
  • Risco País: indicador que, quando alto, afasta investidores estrangeiros e pressiona ainda mais o dólar para cima.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "dá sinais de que vai seguir valorizado ante o real nos próximos meses" → tendência estrutural de dólar caro, não reversão passageira.
  • Evidência 2: "Risco País; alta dos juros pressionando menos investimentos e as expectativas pessimistas do mercado" → ambiente de instabilidade, o oposto de um cenário atrativo a capital estrangeiro.
  • Síntese: dólar alto + juros altos + risco-país elevado formam um quadro clássico de pressão inflacionária, cujo efeito mais direto sobre a população é a perda de poder de compra.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Câmbio e preços internos

O dólar fechou a R$ 5,45, após bater R$ 5,57 na semana: o real está desvalorizado, e cada dólar custa mais reais. Como o Brasil importa itens estratégicos — diesel, gasolina e gás (via paridade internacional da Petrobras), fertilizantes, trigo, eletrônicos —, o custo desses produtos em reais sobe junto com o dólar.

Subpasso 4.2 — Da cadeia produtiva ao consumidor

Combustível e fertilizante mais caros encarecem o frete (efeito cascata sobre quase todos os bens) e os alimentos. Soma-se o efeito direto sobre importados (eletrônicos, remédios). O resultado é inflação generalizada — o que o Brasil viveu no período, com IPCA de 2021 acima de 10% ao ano.

Subpasso 4.3 — Verificação

Se os preços sobem e os salários não acompanham o ritmo — regra em choques inflacionários repentinos —, o dinheiro das famílias compra menos do que antes. Isso é, por definição, diminuição do poder de compra, confirmando a alternativa C.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Melhora na arrecadação de impostos do comércio.

❌ Incorreta: inflação e juros altos desestimulam o consumo (o Banco Central sobe juros justamente para conter a demanda). Menor volume de vendas tende a reduzir, não melhorar, a arrecadação real ligada ao comércio.

B) Crescimento da entrada de capital estrangeiro.

❌ Incorreta: o texto fala em "expectativas pessimistas" e "Risco País" em alta — sinais que afastam investidores. É a saída (ou não entrada) de capital que ajuda a explicar por que o dólar sobe.

C) Diminuição no poder de compra da população.

✅ Correta: o dólar valorizado encarece importações e insumos estratégicos, gerando inflação repassada aos preços finais; como os salários não acompanham esse ritmo, a população perde poder de compra.

D) Aumento nas importações de manufaturados.

❌ Incorreta: a lógica é inversa — dólar caro encarece importados em reais, o que reduz (não aumenta) o volume de importações, inclusive de manufaturados.

E) Redução no fluxo de entrada de turistas.

❌ Incorreta: também inverte a lógica. Com o real desvalorizado, o Brasil fica mais barato para o estrangeiro, o que tende a atrair mais turistas de fora, não a afastá-los. O efeito oposto vale para brasileiros que viajam ao exterior.

🏆 Gabarito: C — a cadeia câmbio alto → inflação importada → preços em alta → poder de compra reduzido é a única sequência de causa e efeito sustentada pelo texto.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa C decorre logicamente do cenário de dólar valorizado, juros altos e risco-país elevado; todas as demais invertem a relação de causa e efeito.
  • Padrão de cobrança: o ENEM usa notícias sobre câmbio, inflação ou juros para testar se o estudante entende os efeitos sociais — não só técnicos — desses indicadores sobre a população.
  • Generalização: real desvalorizado → inflação (combustíveis e alimentos), queda no poder de compra, menos importações, mais turismo receptivo; o oposto ocorre com o real valorizado.
  • Dica de eliminação rápida: palavras como "pessimismo" e "risco" eliminam alternativas de "crescimento de investimento" ou "melhora" econômica; sempre confira a direção do fluxo (entrada x saída) em alternativas sobre capital e turismo.
  • Conexões: balança comercial e balanço de pagamentos; política monetária (Selic) e metas de inflação; dependência de importações estratégicas.

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