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Questão 49ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia

Questão 049 – ENEM PPL 2022 -

A charge, publicada em 1907, concorda com a ação do Estado ao considerar, preconceituosamente, determinada ocupação do espaço urbano como um

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Primeira República (1889-1930); Reforma Urbana e Sanitária do Rio de Janeiro; Higienismo
  • ⚡ Nível: Médio — exige decodificar texto e imagem de uma charge de 1907 e relacioná-los à "Regeneração" do Rio de Janeiro
  • 🎯 Tema/Habilidade: Higienismo na Primeira República; leitura crítica de charges como fonte histórica
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Que preconceito o Estado — reproduzido pela charge — atribui à favela para justificar a remoção forçada de seus moradores?"
  • Palavras-chave decisivas: concorda com a ação do Estado, preconceituosamente, ocupação do espaço urbano
  • Armadilha típica: projetar sobre a charge de 1907 estereótipos atuais sobre favelas (violência, tráfico) em vez de buscar o vocabulário da fonte, que é sanitário — "Hygiene", "limpeza".
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de extrair, do texto e da imagem, o argumento específico (saúde + moral) usado para legitimar a remoção.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Higienismo: doutrina médico-social de fins do XIX/início do XX que tratava pobreza, cortiços e favelas como focos de doenças e "imoralidade", legitimando despejos em nome da saúde pública.
  • Reforma Passos ("Regeneração" do Rio): obras do prefeito Pereira Passos (1902-1906) que demoliram cortiços centrais, empurrando a população pobre para os morros e originando as primeiras favelas cariocas.
  • Oswaldo Cruz: à frente da Diretoria Geral de Saúde Pública, comandou a vacinação obrigatória que detonou a Revolta da Vacina (1904).
  • Charge como fonte histórica: une texto (título, legenda) e imagem satírica; a leitura exige cruzar todos os elementos, não só o desenho.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "UMA LIMPEZA INDISPENSÁVEL" / "A Hygiene vai limpar morro da Favella... Para isso intimou os moradores a se mudarem em dez dias." → vocabulário oficial inteiramente sanitário — "limpeza", "Hygiene" —, sem referência a segurança, política ou religião.
  • Evidência 2: o morro é desenhado como rosto humano sujo e disforme, com "FAVELLA" na altura da boca, sendo varrido por uma faixa "DELEGACIA DE HYGIENE" manuseada como vassoura → a pobreza urbana é equiparada à sujeira corporal, unindo o argumento sanitário (contágio) ao julgamento moral (rosto repugnante, indigno da cidade civilizada).
  • Síntese: texto e imagem convergem para o mesmo argumento — a favela como algo impuro que contamina a cidade física e moralmente, exatamente o par "saúde + moral pública" da alternativa A.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Situar a charge no contexto histórico

No início do século XX, o Rio de Janeiro, capital federal, sofria surtos de febre amarela, varíola e peste bubônica, o que prejudicava sua imagem internacional e a exportação de café. Para transformar a cidade em vitrine da "Belle Époque tropical", Pereira Passos promoveu a Reforma Urbana (1902-1906), demolindo cortiços centrais, enquanto Oswaldo Cruz conduzia a campanha sanitarista que culminou na Revolta da Vacina (1904). Expulsa do centro, a população pobre ocupou os morros, formando as primeiras favelas — entre elas o Morro da Providência, apelidado "Morro da Favela", alvo da charge de 1907.

Subpasso 4.2 — Cruzar os elementos textuais e visuais

O título "UMA LIMPEZA INDISPENSÁVEL" e a legenda que anuncia a intimação para mudança em dez dias mostram o Estado tratando a remoção de famílias como questão de assepsia urgente, não como problema de moradia. A imagem reforça o discurso: o morro vira rosto imundo esfregado por uma "Delegacia de Hygiene" personificada — a favela deixa de ser carência habitacional e passa a ser corpo sujo e moralmente degradado, que "contamina" a cidade que se queria moderna.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando esse duplo argumento (sanitário + moral) com as alternativas, só a opção A reproduz os dois eixos identificados: saúde ("Hygiene", "limpeza") e moral pública (favela como indigna, incompatível com os padrões de decência da cidade). Nenhuma outra alternativa encontra respaldo no vocabulário ou na composição visual da fonte.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) risco à saúde e à moral pública.

✅ Correta: a legenda usa os termos "Hygiene" e "limpeza", e a imagem transforma a favela num rosto sujo a ser esfregado — junção exata do discurso sanitário com o julgamento moral sobre a pobreza urbana, marca do higienismo da Primeira República.

B) foco de instabilidade e agitação política.

❌ Incorreta: não há menção a partidos, manifestações ou crise institucional; o vocabulário mobilizado ("Hygiene", "limpeza") pertence ao campo sanitário, não ao político.

C) perigo à segurança e à unidade nacional.

❌ Incorreta: segurança e unidade nacional remeteriam a fronteiras, Exército ou soberania — ausentes na cena; quem age contra o morro é a "Delegacia de Hygiene", não uma força militar.

D) abrigo de escravos e condenados foragidos.

❌ Incorreta: em 1907, quase duas décadas após a Abolição (1888), a fonte não menciona fuga, crime ou escravidão — o eixo do discurso é só sanitário-moral.

E) reduto de intolerância e perseguição religiosa.

❌ Incorreta: não há cultos ou disputas religiosas na cena; a única "cruz" remete ao sobrenome de Oswaldo Cruz e ao campo médico, não à religião.

🏆 Gabarito: A — a charge reproduz o discurso higienista que respaldava o Estado na Primeira República, apresentando a favela como ameaça simultânea à saúde e à moral pública, argumento que justificava a remoção compulsória de seus moradores.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa A dialoga com os termos explícitos da fonte ("Hygiene", "limpeza") e com a metáfora visual da sujeira, sem inferência forçada.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorre com frequência a charges de época sobre a Primeira República (Reforma Passos, Revolta da Vacina, coronelismo, Canudos) para testar a leitura conjunta de texto e imagem.
  • Generalização: diante de charge antiga, priorize o vocabulário literal do título e da legenda antes de associações genéricas — a alternativa correta costuma "ecoar" as próprias palavras da fonte.
  • Dica de eliminação rápida: busque isotopias — palavras do mesmo campo semântico repetidas na charge. Aqui, "Hygiene" e "limpeza" já eliminam política, segurança nacional e religião.
  • Conexões: Revolta da Vacina (1904); Reforma Urbana de Pereira Passos; Belle Époque tropical.

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