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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 75ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia

Questão 075 – ENEM PPL 2022 -

A intencionalidade geopolítica agregada ao símbolo da Organização das Nações Unidas ocorre porque a imagem

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Cartografia Política e Projeções Cartográficas
  • ⚡ Nível: Médio — exige interpretar corretamente a figura (projeção azimutal polar) e discriminar entre alternativas que descrevem efeitos visuais parecidos, mas conceitualmente distintos.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Cartografia crítica — reconhecer que a escolha de uma projeção cartográfica e o recorte de um mapa/símbolo comunicam relações de poder geopolítico, e não são decisões neutras.
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é o efeito cartográfico específico que torna o símbolo da ONU um objeto carregado de sentido político, e não uma imagem esteticamente neutra?"
  • Palavras-chave decisivas: intencionalidade geopolítica, símbolo da ONU, a imagem
  • Armadilha típica: trocar o mecanismo real da projeção (deslocar o Norte para o centro visual) por efeitos mais "dramáticos", porém inexistentes na figura, como inverter posições ou apagar continentes inteiros.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de ligar um elemento técnico da cartografia (tipo de projeção, ponto central) a uma leitura crítica de poder — a essência da cartografia como discurso.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Projeção azimutal polar equidistante: projeta a esfera terrestre sobre um plano tangente a um único ponto — no emblema da ONU, esse ponto é o Polo Norte. Paralelos viram círculos concêntricos e meridianos viram retas que irradiam do centro, e a distorção de forma cresce à medida que os territórios se afastam desse ponto — por isso Groenlândia e Eurásia ficam no núcleo, e África/América do Sul aparecem "espremidas" na borda.
  • Cartografia crítica (mapa como discurso de poder): todo mapa envolve escolhas — projeção, centro, corte, orientação — que nunca são neutras; elas comunicam, ainda que implicitamente, hierarquias entre regiões e povos.
  • Comparação com a crítica clássica a Mercator: a crítica mais conhecida ao eurocentrismo cartográfico (Mercator) recai sobre o aumento de área das altas latitudes. No símbolo da ONU o mecanismo é outro: não é o tamanho que privilegia o Norte, é a posição central — hierarquização visual tão eficaz quanto a distorção de área.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: no centro exato do círculo da imagem está o ponto de onde partem as linhas de longitude, com Groenlândia, Canadá, Europa e Ásia ocupando a região central do disco → confirma que a projeção é polar, centrada no Hemisfério Norte, e não uma escolha aleatória.
  • Evidência 2: América do Sul e África aparecem apenas parcialmente, comprimidas na faixa mais externa do círculo, junto à moldura de ramos de oliveira → mostra que o Sul global está presente na imagem, mas em posição marginal, não central.
  • Evidência 3: a expressão "intencionalidade geopolítica" no comando → indica que a resposta certa precisa nomear um efeito de poder, não um detalhe técnico isolado ou uma descrição vaga.
  • Síntese: cruzando as evidências, o único efeito coerente é a projeção colocar o Norte no centro simbólico do emblema, empurrando o Sul — presente, mas periférico — para a margem visual.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o tipo de projeção na figura

A imagem mostra um disco com meridianos em retas convergindo para um único ponto e paralelos em círculos concêntricos ao redor desse mesmo ponto — a assinatura visual de uma projeção azimutal (planar). Como o ponto de convergência coincide com a Groenlândia e o norte da Eurásia, só pode ser o Polo Norte: é uma projeção azimutal equidistante centrada no Polo Norte, usada oficialmente pela ONU em seu emblema.

Subpasso 4.2 — Traduzir a escolha técnica em efeito geopolítico

Centralizar o Polo Norte no disco tem consequência direta: os territórios do Hemisfério Norte (América do Norte, Europa, quase toda a Ásia) ocupam a área central da imagem — a região que primeiro atrai o olhar. América do Sul, África e Oceania são empurradas para a faixa mais externa, em posição visualmente secundária. Como o emblema representa a comunidade das nações da ONU, essa hierarquia espacial não é acidente técnico: reproduz, na própria imagem, a assimetria histórica de poder entre o "Norte global" e o "Sul global".

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando contra cada alternativa: não há inversão de posições geográficas (afasta A); não há redução de escala no traçado — o que ocorre é deformação de forma pela distância ao centro, fenômeno distinto (afasta C); os continentes meridionais aparecem desenhados, apenas comprimidos na borda, o que descarta terem sido "ignorados" (afasta D); não existe, na figura, nenhuma "continuidade" especial entre porções continentais (afasta E). A única alternativa compatível com a evidência visual e com a intencionalidade geopolítica é a centralização dos países do Norte — confirmando B.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) inverte a localização dos países no globo.

❌ Incorreta: a projeção azimutal polar não altera a posição relativa real dos territórios — cada país permanece na latitude e longitude correspondentes. "Inverter" descreveria um recurso diferente (como o mapa-múndi com o Sul para cima), que não é o que a ONU utiliza em seu símbolo.

B) centraliza a posição dos países do norte.

✅ Correta: é o efeito direto da projeção azimutal equidistante centrada no Polo Norte — os territórios do Hemisfério Norte ocupam o centro geométrico do disco, posição de maior destaque visual, enquanto o Sul fica na periferia. Essa centralização espacial expressa cartograficamente a centralidade histórica do Norte global nas relações de poder, que é a "intencionalidade geopolítica" do comando.

C) reduz a escala no traçado dos países periféricos.

❌ Incorreta: numa projeção azimutal equidistante, a distância ao ponto central é preservada fielmente; o que aumenta com a distância é a distorção de forma, não uma redução proporcional de tamanho. Ainda que houvesse variação de escala, seria um detalhe técnico-cartográfico, não o efeito geopolítico central que o comando exige.

D) ignora a existência de continentes meridionais.

❌ Incorreta: a imagem mostra claramente porções da América do Sul e da África — os continentes do Sul aparecem na figura, ainda que comprimidos junto à borda. "Ignorar a existência" significaria omiti-los por completo; a projeção os marginaliza visualmente, não os apaga.

E) apresenta uma continuidade entre as porções.

❌ Incorreta: não há, na imagem, nenhum destaque visual para uma suposta continuidade entre porções continentais — os continentes seguem separados pelos oceanos representados na projeção. É uma afirmação vaga, sem correspondência com nenhum elemento identificável na figura nem com a ideia de intencionalidade geopolítica.

🏆 Gabarito: B — a projeção azimutal polar do emblema da ONU posiciona os países do Hemisfério Norte no centro geométrico e simbólico da imagem, traduzindo cartograficamente a centralidade política que esses países historicamente ocupam nas relações internacionais.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: das cinco leituras possíveis, só a centralização do Norte (B) é sustentada pela evidência visual (Polo Norte ao centro, Sul na borda) e pelo conceito exigido (intencionalidade geopolítica); as demais descrevem efeitos que não ocorrem na imagem (inversão, apagamento, redução de escala) ou são vagas demais (continuidade).
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra que mapas e projeções não são representações neutras — o exemplo mais frequente é a distorção de área na projeção de Mercator, mas a prova também explora símbolos e emblemas para mostrar que até o centro e o recorte de uma imagem comunicam poder.
  • Generalização: em questões sobre "intencionalidade" de uma projeção, símbolo ou mapa, pergunte-se: o que foi posicionado no centro/em destaque, e o que foi deslocado para a margem? A resposta quase sempre está nessa hierarquia espacial, não em distorções técnicas isoladas.
  • Dica de eliminação rápida: desconfie de alternativas que descrevem ausência ou inversão total ("ignora", "inverte") quando a imagem mostra os elementos parcialmente presentes — a crítica cartográfica raramente trata de apagamento completo, e sim de hierarquização visual entre centro e periferia.
  • Conexões: projeção de Mercator e a crítica ao eurocentrismo cartográfico; projeção de Peters (Gall-Peters) como alternativa que preserva áreas proporcionais; o mapa-múndi invertido (Sul para cima) como exercício de descolonização do olhar geográfico.

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