Mapa de questões · 1º dia
Questão 24 — ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia
Claude Monet, influenciado por Turner, passou a pintar temas que apresentassem fluidez. Para isso, ele fragmentou a imagem com pinceladas de cor pura, passando a retratar a impressão captada diante do modelo. Monet inspirava-se, por exemplo, no pôr do sol, na luminosidade do feno ou num jardim florido. Suas obras contêm a característica de dissociação das cores e gradação dos tons complementares. As tintas não eram misturadas na palheta, dessa forma, a luz emanada das manchas e das pinceladas coloridas impressionava a retina, formando novas cores.
Disponível em: http://professormarioartes.blogspot.com. Acesso em: 12 ago. 2012 (adaptado).
Diante dessa nova concepção artística, a cor é
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Artes → História da Arte (Impressionismo) e fundamentos de teoria da cor e percepção visual
- ⚡ Nível: Médio — o texto fornece pistas fortes, mas exige diferenciar a concepção físico-química tradicional da cor (pigmento) da concepção perceptiva/óptica explorada pelo Impressionismo
- 🎯 Tema/Habilidade: A cor como fenômeno perceptivo na estética impressionista — leitura e interpretação de texto sobre movimento artístico, articulando linguagem verbal, história da arte e noções de óptica/percepção visual
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "De acordo com o texto sobre a técnica de Monet, qual é a natureza da cor nessa nova concepção artística?"
- Palavras-chave decisivas: pinceladas de cor pura, as tintas não eram misturadas na palheta, a luz... impressionava a retina, formando novas cores
- Armadilha típica: confundir a mistura óptica que ocorre no olho do espectador com a mistura física de pigmentos — seja na paleta, seja segundo o sistema subtrativo de impressão gráfica (CMY) — ou aceitar alternativas que "soam técnicas" mas trazem informações que o texto não afirma.
- O que a resposta precisa demonstrar: que, na concepção impressionista, a cor deixa de ser vista como propriedade material do pigmento e passa a ser entendida como sensação — evento que acontece no aparelho visual do observador quando a luz o atinge.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Impressionismo: movimento pictórico surgido em Paris na década de 1870, que abandona o desenho preciso e os temas históricos/mitológicos da pintura acadêmica para registrar a impressão fugaz de luz e atmosfera sobre um motivo — paisagens, cenas cotidianas —, frequentemente pintado ao ar livre (en plein air).
- Cor-pigmento × cor-luz: existem duas "físicas" da cor. A cor-pigmento (subtrativa) depende da mistura de tintas, que absorvem parte do espectro luminoso e refletem o restante — é a lógica da paleta tradicional. A cor-luz (aditiva) depende da mistura de feixes luminosos e acontece na retina — é essa lógica que Monet explora ao justapor pinceladas puras.
- Mistura óptica (mélange optique): técnica de colocar lado a lado pequenas manchas de cores puras e contrastantes, de modo que, a certa distância, o olho humano as funda automaticamente, criando a sensação de uma cor nova e mais vibrante do que qualquer mistura física produziria — princípio sistematizado depois pelos neoimpressionistas (Seurat, Signac) no pontilhismo.
- Turner como influência: J. M. W. Turner, pintor romântico inglês do início do século XIX, já dissolvia formas em névoa, luz e atmosfera em suas marinhas e paisagens; Monet teve contato com essas obras durante estadia em Londres e absorveu o interesse pela luz como protagonista da pintura.
- A cor como sensação fisiológica: do ponto de vista da percepção visual, a cor não é uma qualidade fixa e intrínseca dos objetos, mas o resultado de como a luz refletida por eles estimula os cones da retina e é interpretada pelo cérebro — portanto, um fenômeno imaterial, que existe apenas na experiência do observador.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "ele fragmentou a imagem com pinceladas de cor pura, passando a retratar a impressão captada diante do modelo" → Monet não pinta a cor "real" ou fixa do objeto, mas a impressão luminosa momentânea — já um indício de que, para ele, a cor é evento visual, não substância do objeto.
- Evidência 2: "As tintas não eram misturadas na palheta" → o texto exclui explicitamente a mistura física dos pigmentos como origem da cor final; se a mistura não acontece na palheta, só pode acontecer em outro lugar.
- Evidência 3: "a luz emanada das manchas e das pinceladas coloridas impressionava a retina, formando novas cores" → revela exatamente onde essa mistura acontece: no olho do observador, pela ação da luz sobre a retina.
- Síntese: As três evidências formam uma cadeia lógica: (1) o pintor abandona a cor fixa do objeto → (2) não mistura as tintas fisicamente → (3) a mistura e a "nova cor" nascem quando a luz refletida pelas manchas atinge a retina. Logo, a cor deixa de ser matéria (pigmento) e passa a ser sensação (percepção visual).
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Isolar o núcleo conceitual do texto
O texto descreve, em sequência, a técnica (pinceladas de cor pura, sem mistura na palheta) e o efeito dela (a luz das manchas "impressiona a retina, formando novas cores"). Isso caracteriza um deslocamento conceitual: a cor não é mais tratada como algo que existe pronto no tubo de tinta, mas como algo que só se completa no ato de ver. Buscamos, portanto, a alternativa que descreva a cor como fenômeno ocorrido nos olhos do espectador, não como substância.
Subpasso 4.2 — Testar cada concepção de cor contra o texto
Nas alternativas aparecem quatro modelos concorrentes de cor: (i) substância química que reflete tons específicos (A); (ii) equilíbrio entre pigmentos subtrativos de impressão gráfica — magenta, ciano, amarelo (B); (iii) sensação imaterial provocada pela luz nos olhos (C); (iv) mistura óptica de duas cores fixas "de origem" (D); (v) fenômeno físico impossível de decompor (E). Somente o modelo (iii) reproduz fielmente a cadeia lógica do texto: luz → retina → sensação → "nova cor". Os modelos (i), (ii), (iv) e (v) reintroduzem, cada um a seu modo, um componente material, fixo ou logicamente inconsistente que o texto não sustenta.
Subpasso 4.3 — Verificação
Comparando a síntese do Passo 3 — "a cor nasce como sensação na retina, a partir da luz, e não como mistura física de pigmentos" — com a alternativa C — "imaterial e só se pode senti-la, passando a ser uma sensação provocada pela ação dos raios de luz sobre os nossos olhos" — a correspondência é direta e completa: imaterial ↔ não é substância/pigmento; sensação ↔ formação de "novas cores" na retina; ação dos raios de luz sobre os olhos ↔ "a luz... impressionava a retina". Confirmado: a resposta é a alternativa C.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) composta por uma substância química que, sob a incidência de raios luminosos, absorve-os, refletindo para os nossos olhos os raios de tons vermelhos.
❌ Incorreta: descreve a concepção físico-química tradicional da cor (pigmento que absorve parte da luz e reflete outra) — exatamente a lógica que o Impressionismo abandona ao recusar misturar tintas na palheta. Além disso, restringe indevidamente a cor aos "tons vermelhos", quando o texto fala em "novas cores", no plural, sem especificar matiz.
B) formada pelo equilíbrio óptico causado pela impressão simultânea de cores como magenta, ciano e amarelo, consideradas cores primárias.
❌ Incorreta: recorre ao modelo subtrativo CMY (ciano, magenta, amarelo), próprio da impressão gráfica e fotográfica, não da pintura impressionista, cujas cores de referência na roda cromática pictórica são outras. O texto-base não menciona esse sistema; é informação estranha ao enunciado.
C) imaterial e só se pode senti-la, passando a ser uma sensação provocada pela ação dos raios de luz sobre os nossos olhos.
✅ Correta: sintetiza com exatidão a cadeia descrita no texto — a cor deixa de ser pigmento fixo na tela e passa a ser sensação que só existe no encontro entre a luz refletida pelas pinceladas e a retina do observador. É essa imaterialidade perceptiva que define a revolução óptica do Impressionismo.
D) resultante da mistura óptica de duas outras que estão presentes em sua composição de origem, causando um equilíbrio entre elas.
❌ Incorreta: embora cite "mistura óptica" — termo tecnicamente ligado ao Impressionismo — erra ao afirmar que a nova cor resulta de apenas duas cores fixas "presentes em sua composição de origem", como se houvesse uma fórmula combinatória predeterminada. Isso reintroduz uma lógica quase material/objetiva de composição, contrariando o caráter imaterial e sensorial que o texto atribui à cor.
E) física, presente nos raios solares e na luz branca, sendo impossível perceber sua existência pela decomposição da luz solar.
❌ Incorreta: contém contradição lógica interna — é justamente a decomposição da luz solar (fenômeno demonstrado pelo prisma de Newton, visível no arco-íris) que permite perceber e comprovar a existência das cores componentes da luz branca; afirmar o contrário é fisicamente falso. Além disso, classifica a cor como "física" (matéria), quando o texto a define como fenômeno perceptivo.
🏆 Gabarito: C — a alternativa C é a única que traduz com fidelidade a concepção impressionista descrita no texto: a cor não é substância, mas sensação provocada pela luz sobre os olhos do observador.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: C é a única alternativa em que cor = sensação imaterial gerada pela luz na retina, exatamente a definição construída pelo texto ao descrever a técnica de Monet (pinceladas puras, sem mistura na palheta, mistura que só ocorre "na" visão do espectador).
- Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente apresenta um texto descritivo sobre um movimento ou técnica artística — aqui, o Impressionismo — e pede que o candidato extraia, por interpretação textual, o conceito estético central, muitas vezes cruzando Artes com noções de Física/óptica, o que caracteriza a interdisciplinaridade típica da prova.
- Generalização: em questões desse tipo, associe sempre a técnica descrita (o "como se faz") ao conceito estético ou filosófico que ela expressa (o "porquê"); a alternativa correta costuma verbalizar esse "porquê" com fidelidade ao texto, sem acrescentar dados técnicos que o enunciado não mencionou.
- Dica de eliminação rápida: desconfie de alternativas que trazem vocabulário técnico "extra", não citado no texto-base (como "magenta, ciano, amarelo" em B, ou "tons vermelhos" em A) — raramente são a resposta certa em questões interpretativas. Elimine também qualquer alternativa com contradição lógica interna, como a afirmação de E sobre a decomposição da luz.
- Conexões: J. M. W. Turner e a dissolução da forma na luz (Romantismo tardio); Neoimpressionismo e pontilhismo (Seurat, Signac) como sistematização científica da mistura óptica; teoria do contraste simultâneo das cores de Michel-Eugène Chevreul; física da luz — decomposição da luz branca no prisma e síntese aditiva (RGB) versus síntese subtrativa (CMY).
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.