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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaFácil

Questão 65ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia

Diversas regiões do atual estado de Minas Gerais, onde não foram encontrados metais preciosos em quantidade significativa, acabaram sendo ocupadas de forma mais lenta ao longo dos séculos XVIII e XIX. Esse é o caso da Zona da Mata, que correspondia à porção sudeste da capitania, coberta por uma densa vegetação de Mata Atlântica então existente.

SOARES, J. M. Cartografia e ocupação do território: a Zona da Mata mineira no século XVIII
e início do século XIX. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).

O texto indica que a velocidade de ocupação do atual estado de Minas Gerais nos séculos XVIII e XIX foi determinada por qual aspecto natural?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Brasil Colônia; mineração e Ciclo do Ouro; formação territorial de Minas Gerais
  • ⚡ Nível: Fácil — a resposta se apoia numa relação de causa e efeito explícita no próprio texto, sem exigir dados externos além do contexto da mineração colonial
  • 🎯 Tema/Habilidade: Formação territorial do Brasil colonial e o papel da mineração no ritmo do povoamento — leitura de texto histórico-geográfico
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo o texto, qual fator natural explica a ocupação rápida de algumas áreas de Minas Gerais e a ocupação lenta de outras, como a Zona da Mata, nos séculos XVIII e XIX?"
  • Palavras-chave decisivas: metais preciosos, ocupadas de forma mais lenta, aspecto natural
  • Armadilha típica: trocar a causa real (ausência de ouro e diamantes) pelo detalhe citado logo depois — a "densa vegetação de Mata Atlântica" — marcando diversidade biológica por associação apressada.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de isolar, no texto, a variável apresentada como determinante do ritmo de ocupação.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Ciclo do Ouro (fins do séc. XVII – meados do XVIII): a descoberta de ouro e depois diamantes em Minas Gerais provocou a maior corrida migratória do Brasil colonial, atraindo colonos de toda a colônia e de Portugal.
  • Interiorização da colonização: até o século XVII, o povoamento concentrava-se no litoral açucareiro; a mineração deslocou riqueza e população para o interior, originando vilas como Ouro Preto e Mariana.
  • Ocupação seletiva do território: a colonização mineira seguiu o mapa das jazidas; áreas sem potencial minerário, mesmo férteis, permaneceram com povoamento rarefeito por mais tempo.
  • Zona da Mata mineira: porção sudeste da capitania, de densa Mata Atlântica, sem grandes depósitos minerais no auge da mineração; ocupou-se depois, por abastecimento das vilas mineradoras e, no século XIX, cafeicultura.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "onde não foram encontrados metais preciosos em quantidade significativa, acabaram sendo ocupadas de forma mais lenta" → relação causal direta entre ausência de metais preciosos e lentidão da ocupação.
  • Evidência 2: "Esse é o caso da Zona da Mata [...] coberta por uma densa vegetação de Mata Atlântica" → a floresta é apenas característica descritiva da paisagem (dá origem ao próprio nome da região), não a causa apontada para a lentidão.
  • Síntese: regiões com metais preciosos se povoaram rápido; regiões sem eles, como a Zona da Mata, se povoaram devagar, mesmo dentro da mesma capitania. O aspecto natural que comanda essa diferença é a disponibilidade de recursos minerais.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Núcleo argumentativo do texto

O texto compara duas situações em Minas Gerais colonial: regiões com metais preciosos em quantidade significativa, povoadas rapidamente no boom minerador setecentista, e regiões como a Zona da Mata, sem esses metais, "ocupadas de forma mais lenta" ao longo dos séculos XVIII e XIX. É uma relação direta de causa (ausência de ouro/diamante) e consequência (ocupação lenta).

Subpasso 4.2 — Isolando o "ruído" descritivo

A "densa vegetação de Mata Atlântica" pode induzir o leitor apressado a marcar diversidade biológica ou clima, por associação com "floresta" e "natureza". Mas essa é apenas caracterização geográfica da região; a explicação causal já havia sido dada antes, na presença ou ausência de metais preciosos.

Subpasso 4.3 — Verificação

Reler o comando: "a velocidade de ocupação [...] foi determinada por qual aspecto natural?". Substituindo pela evidência textual: "determinada pela presença/ausência de metais preciosos" = recursos minerais, que converge com a alternativa B.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Padrão climático.

❌ Incorreta: o texto não menciona clima, chuvas ou temperatura como fator de atração ou repulsão; o clima é homogêneo nas áreas citadas e nunca aparece como critério.

B) Recursos minerais.

✅ Correta: é o fator indicado pelo texto — a presença de ouro e diamantes acelerou a ocupação, e sua ausência, como na Zona da Mata, atrasou-a. Lógica estruturante da colonização mineira setecentista.

C) Redes hidrográficas.

❌ Incorreta: os rios foram relevantes para a faiscação e o transporte, mas o texto não atribui a eles a velocidade de ocupação; o critério citado é a existência de metais preciosos.

D) Diversidade biológica.

❌ Incorreta: a Mata Atlântica aparece só como elemento da paisagem, no máximo obstáculo logístico à penetração — não como fator que "determinou" a velocidade da ocupação.

E) Composição pedológica.

❌ Incorreta: o tipo de solo não é mencionado como critério de ocupação; seria relevante para a expansão agrícola posterior (café, século XIX), mas não é o aspecto citado no texto.

🏆 Gabarito: B — o texto indica explicitamente que a ausência de metais preciosos retardou a ocupação de regiões como a Zona da Mata; o aspecto natural determinante da velocidade de ocupação foi a presença de recursos minerais.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: o texto liga explicitamente ausência de metais preciosos a ocupação lenta; logo, o aspecto natural determinante são os recursos minerais (letra B).
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência a lógica territorial do Brasil colonial — como recursos naturais (pau-brasil, açúcar, ouro, diamante) organizaram o povoamento, criando "vazios demográficos" ao lado de áreas de forte concentração.
  • Generalização: em questões de formação territorial, associe o ritmo da ocupação ao recurso econômico de cada período — açúcar no litoral nordestino, mineração em Minas Gerais, borracha na Amazônia, café no Vale do Paraíba.
  • Dica de eliminação rápida: quando o texto indicar uma causa explícita ("metais preciosos"), elimine alternativas que reaproveitem outras palavras "naturais" citadas só de forma descritiva (aqui, vegetação/Mata Atlântica) — pegadinhas por associação, não pela lógica do texto.
  • Conexões: Ciclo do Ouro e interiorização da colonização; Inconfidência Mineira, decorrente da crise do ouro; expansão cafeeira na Zona da Mata mineira no século XIX.

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