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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 34ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia

Questão 34 - ENEM PPL 2022

Ao abordar a temática da violência contra a mulher, o cartaz conjuga as linguagens verbal e não verbal para

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura de texto multissemiótico (cartaz); função apelativa da linguagem
  • ⚡ Nível: Fácil — o comando verbal final do cartaz ("denuncie") já aponta quase literalmente a resposta, exigindo apenas que o candidato relacione essa instrução ao restante do texto
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer os efeitos de sentido produzidos pela articulação entre linguagem verbal e não verbal em textos multimodais, identificando a função apelativa/conativa da linguagem
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é o propósito comunicativo produzido pela junção de imagem e texto verbal neste cartaz sobre violência contra a mulher?"
  • Palavras-chave decisivas: conjuga, linguagens verbal e não verbal, para
  • Armadilha típica: confundir um elemento informativo do cartaz — os dados estatísticos, a citação de Sartre, a menção à DDM — com o propósito comunicativo global do texto, que só se revela quando se olha para a estrutura completa, do título ao fechamento
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de sintetizar o sentido produzido pela soma de todos os elementos (título, imagem, dados, citação, chamada final) em uma única finalidade comunicativa

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Texto multimodal/multissemiótico: combina sistemas de linguagem diferentes (palavra, imagem, cor, tipografia, diagramação) que produzem juntos um sentido que nenhum deles alcançaria isoladamente
  • Cartaz de utilidade pública: gênero cuja função central é sensibilizar rapidamente o público e induzir uma atitude ou comportamento concreto — diferente do cartaz publicitário comercial, que vende um produto
  • Função apelativa (conativa) da linguagem: centrada no receptor da mensagem; manifesta-se por verbos no imperativo, pronomes de segunda pessoa e vocativos, com o objetivo de convencer ou mobilizar o interlocutor a agir
  • Complementaridade entre imagem e palavra: em textos multimodais, a imagem costuma reforçar emocionalmente aquilo que o texto verbal expõe de forma mais racional/informativa, e vice-versa

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "O SILÊNCIO APRISIONA" (título, verbal) → nomeia o problema central: é o silêncio da vítima, e não apenas a violência em si, que a mantém presa ao ciclo de agressão
  • Evidência 2: mulher agachada, rosto coberto pelas próprias mãos, corpo enredado por fios escuros (imagem, não verbal) → tradução visual do "aprisionamento pelo silêncio" anunciado no título; a postura fetal e as amarras dramatizam o sofrimento
  • Evidência 3: "60% das mulheres vítimas de agressão sofrem em silêncio e não pedem ajuda" / "Apenas 40% das agressões são denunciadas" (dados, verbal) → contextualizam a gravidade do problema e justificam a urgência do apelo que vem a seguir
  • Evidência 4: "NÃO SOFRA CALADA." + "Vá até uma das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e denuncie." (verbal, imperativo), somada à foto de uma mulher fazendo o gesto de silêncio junto a esse mesmo texto (não verbal) → o comando verbal, em segunda pessoa e no imperativo, dirige-se diretamente à leitora/vítima, orientando uma ação concreta e factível
  • Síntese: o cartaz constrói um percurso "problema (silêncio) → contexto/dados → apelo direto à ação", e é exatamente na conjugação do título, da imagem simbólica e do comando final que se revela o propósito comunicativo do texto: mobilizar a vítima a romper o silêncio e denunciar

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Mapear a progressão argumentativa do cartaz

Do topo à base, o cartaz segue a lógica típica de uma campanha de utilidade pública: primeiro nomeia o problema ("O silêncio aprisiona"), depois apresenta dados que comprovam sua gravidade e abrangência (violência em todas as classes sociais, escalada da agressão, silenciamento da vítima, subnotificação), em seguida legitima moralmente o tema com uma citação de autoridade (Jean-Paul Sartre) e, por fim, converge tudo em uma instrução direta de ação. Essa arquitetura não é aleatória: todo o texto é organizado para culminar no comando final, e é esse comando que revela a finalidade do conjunto.

Subpasso 4.2 — Cruzar a linguagem verbal com a não verbal

A fotografia central — mulher agachada, amarrada por fios escuros, rosto oculto pelas próprias mãos — não tem função meramente decorativa: ela dramatiza visualmente o conceito verbal do título "aprisiona". Já a segunda imagem, no rodapé (mulher com o dedo sobre os lábios, gesto universal de silêncio), dialoga em contraponto com o texto ao lado, "NÃO SOFRA CALADA": a imagem mostra o gesto do silêncio exatamente para que a palavra escrita o negue e o combata. Assim, as duas linguagens não atuam para "ilustrar estatísticas" nem para "expressar uma reação coletiva" — elas se combinam para reforçar, em dois códigos simultâneos, o mesmo apelo: quebrar o silêncio e denunciar.

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando a hipótese "mobilizar a vítima para denunciar" contra a totalidade do texto: há verbos no imperativo dirigidos à segunda pessoa ("vá", "denuncie"), um canal institucional concreto é indicado (Delegacia de Defesa da Mulher) e tanto o título quanto a imagem central confirmam que o alvo do apelo é justamente quem está "presa" no silêncio — a própria vítima. Nenhuma outra leitura dá conta da totalidade do cartaz (imagem + título + dados + citação + chamada final) com a mesma precisão, o que confirma a alternativa B como a única compatível com o texto inteiro.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) apresentar políticas públicas de combate à discriminação de gênero.

❌ Incorreta: o cartaz cita uma instituição (a DDM) como canal de denúncia, mas não apresenta, descreve ou discute políticas públicas — não há menção a leis, programas de governo ou medidas institucionais de combate à discriminação; o texto é uma campanha de sensibilização com apelo à ação individual, não um informe sobre política pública.

B) mobilizar a vítima para denunciar as agressões sofridas.

✅ Correta: a convergência entre o título ("o silêncio aprisiona"), a imagem (mulher presa e silenciada) e o comando verbal explícito no imperativo ("NÃO SOFRA CALADA... Vá... e denuncie") demonstra que a integração das duas linguagens tem como finalidade dominante convocar a vítima a agir e romper o silêncio.

C) expressar a reação da sociedade em relação ao crime.

❌ Incorreta: o cartaz não fala em nome da "sociedade" nem relata uma reação coletiva — ele se dirige à vítima individual, em segunda pessoa do singular, e não à opinião pública; não há qualquer indício de um posicionamento social sendo "expresso" pelo texto.

D) analisar as consequências resultantes do sofrimento.

❌ Incorreta: os dados estatísticos (50%, 60%, 40%) descrevem a extensão e as características do problema — quem sofre, como a violência começa, por que a vítima não denuncia —, mas não constituem uma análise das consequências do sofrimento; os números funcionam como contexto argumentativo para o apelo final, não como um estudo de efeitos.

E) discutir o comportamento psicológico do agressor.

❌ Incorreta: o cartaz é centrado inteiramente na vítima — título, imagem e apelo final falam a ela e sobre ela; o agressor sequer é caracterizado ou mencionado em detalhe, e não há qualquer discussão sobre suas motivações ou seu perfil psicológico.

🏆 Gabarito: B — a conjugação da imagem (mulher aprisionada e silenciada) com o texto verbal em tom imperativo dirigido à vítima ("não sofra calada... denuncie") revela que o propósito comunicativo do cartaz é mobilizar quem sofre violência a romper o silêncio e buscar ajuda institucional.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: B é a única alternativa que dá conta simultaneamente do título, da imagem e do comando final do texto; as demais descrevem apenas fragmentos isolados (dados, citação, instituição), sem captar a finalidade última do cartaz.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência cartazes, anúncios e campanhas de utilidade pública pedindo que o candidato identifique o "propósito comunicativo" ou o "efeito de sentido" resultante da junção entre imagem e palavra em um mesmo texto.
  • Generalização: em cartazes de campanha social, procure sempre o verbo no imperativo e o destinatário direto do texto (a quem ele "chama" para agir) — isso quase sempre indica a função apelativa/conativa da linguagem e aponta para a alternativa que fala em mobilizar, convocar ou incentivar uma ação.
  • Dica de eliminação rápida: elimine alternativas que descrevem apenas um elemento isolado do texto (só a estatística, só a citação, só a instituição) — em textos multimodais, a resposta certa quase sempre exige a leitura do conjunto, do título ao fechamento.
  • Conexões: função apelativa/conativa da linguagem; gêneros textuais de campanha e utilidade pública; Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) e Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015).

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