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Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaDifícil

Questão 78ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia

Os sujeitos sociais que procuram evidenciar a importância de uma relação lógica entre injustiça social e degradação ambiental são aqueles que não confiam no mercado como instrumento de superação da desigualdade ambiental e da promoção dos princípios do que se entenderia por justiça ambiental. Esses atores consideram que há clara desigualdade social na exposição aos riscos ambientais, decorrentes de uma lógica que extrapola a simples racionalidade abstrata das tecnologias.

ACSELRAD, H. Justiça ambiental e construção social do risco.
Desenvolvimento e Meio Ambiente, n. 5, jan.-jun. 2002.

A desconfiança dos sujeitos sociais apresentada no texto se fundamenta na

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Sociologia Ambiental (justiça ambiental, risco e desigualdade social)
  • ⚡ Nível: Difícil — texto abstrato cuja resposta exige interpretar uma negação implícita ("extrapola a racionalidade das tecnologias"), não uma afirmação direta
  • 🎯 Tema/Habilidade: Justiça ambiental e crítica sociológica ao mercado como distribuidor de riscos — reconhecer a dimensão econômica por trás de uma desigualdade aparentemente "natural"
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é a razão pela qual esses grupos sociais NÃO acreditam que o mercado resolva a desigualdade na exposição a riscos ambientais?"
  • Palavras-chave decisivas: não confiam no mercado, clara desigualdade social, lógica que extrapola a simples racionalidade abstrata das tecnologias
  • Armadilha típica: ler "tecnologias" e "riscos ambientais" e marcar a alternativa que "soa" técnica (complexidade do ecossistema), sem perceber que o texto descarta justamente essa explicação
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a desconfiança nasce de uma lógica econômica deliberada do mercado, e não de fatores naturais, culturais ou puramente técnicos

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Justiça ambiental: paradigma segundo o qual nenhum grupo social deve arcar com parcela desproporcional dos danos ambientais gerados por atividades econômicas; os riscos deveriam ser distribuídos de forma equânime, não conforme renda ou poder político.
  • Desigualdade ambiental: populações pobres e periféricas concentram, historicamente, a exposição a lixões, indústrias poluentes e áreas de risco — por terem menor capacidade de recusar essa localização.
  • Mercado como "árbitro neutro": narrativa liberal segundo a qual o mercado (preço da terra, oferta e demanda) alocaria riscos de forma racional e imparcial; é essa suposta neutralidade que os atores do texto rejeitam.
  • Racionalidade abstrata das tecnologias: ideia de que a localização de riscos seguiria apenas critérios técnicos "neutros" (engenharia, logística); o texto afirma que a lógica real da desigualdade vai além disso.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "não confiam no mercado como instrumento de superação da desigualdade ambiental" → o mercado é apontado como parte do problema, não da solução: ele não distribui riscos de forma neutra.
  • Evidência 2: "uma lógica que extrapola a simples racionalidade abstrata das tecnologias" → a causa da desigualdade não é técnica nem científica; é social e, sobretudo, econômica — ligada a interesses concretos de quem decide onde alocar o risco.
  • Síntese: se a lógica "extrapola" o técnico e o alvo da desconfiança é o mercado, só resta uma explicação coerente: essa lógica é movida pela busca de lucro — territórios com menor poder de barganha recebem mais risco porque isso é mais rentável para quem decide onde instalar a atividade poluente.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identifique quem desconfia e de quê

O texto apresenta "sujeitos sociais" — movimentos por justiça ambiental, pesquisadores críticos, comunidades atingidas — que desconfiam do mercado como solução para a desigualdade ambiental. A pergunta pede o FUNDAMENTO dessa desconfiança: a causa-raiz que leva esses atores a rejeitar o mercado como instrumento de justiça.

Subpasso 4.2 — Isole a frase que justifica a desconfiança

"[desigualdade] decorrente de uma lógica que extrapola a simples racionalidade abstrata das tecnologias." A frase descarta, pelas próprias palavras do texto, qualquer explicação técnica ou natural — o que já elimina a alternativa que fala em "complexidade do ecossistema". Resta apenas uma explicação social e econômica: a alocação de riscos ambientais não segue cálculo técnico neutro, segue cálculo de custo-benefício financeiro.

Subpasso 4.3 — Verificação

O mercado tende a instalar atividades poluentes onde o custo é menor — terra mais barata, resistência política mais fraca, fiscalização mais frouxa —, o que costuma coincidir com territórios pobres e vulneráveis. Essa escolha não é acidental nem puramente técnica: é intencional, orientada pela maximização do lucro. Logo, a desconfiança dos sujeitos sociais se fundamenta na intencionalidade da rentabilidade do mercado — alternativa D. Nenhuma outra alternativa explica por que o alvo específico da desconfiança é o mercado.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) diversidade da cultura.

❌ Incorreta: o texto não atribui a desigualdade de exposição a riscos a diferenças culturais entre grupos; o argumento apresentado é estrutural e econômico, não cultural.

B) capacidade de resiliência.

❌ Incorreta: resiliência é a capacidade de um grupo ou sistema se recuperar após um impacto — um conceito de gestão de risco posterior ao dano. O texto trata da origem da desigualdade na exposição ao risco, não da capacidade de resposta das vítimas.

C) complexidade do ecossistema.

❌ Incorreta — é a armadilha central da questão. Soa "ambiental" e "técnica" por conter as palavras associadas ao tema, mas o próprio texto elimina essa hipótese ao afirmar que a lógica da desigualdade "extrapola a simples racionalidade abstrata das tecnologias", ou seja, diz explicitamente que a explicação NÃO é técnico-ecológica.

D) intencionalidade da rentabilidade.

✅ Correta: o mercado distribui riscos ambientais conforme a busca deliberada de lucro, alocando atividades poluentes onde isso é mais barato e onde há menor capacidade de resistência social — exatamente a "lógica" à qual o texto se refere, distinta da racionalidade técnica das tecnologias.

E) potencialidade da agropecuária.

❌ Incorreta: o texto discute riscos ambientais e mercado de forma geral, sem qualquer menção à produção agropecuária; é um distrator sem relação com o argumento do autor.

🏆 Gabarito: D — a desconfiança no mercado se fundamenta no fato de que ele distribui riscos ambientais segundo uma lógica de rentabilidade (busca de lucro), e não segundo critérios técnicos neutros ou de equidade social.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que aponta para uma lógica econômica intencional — exatamente o que o texto indica ao afirmar que a desigualdade "extrapola a racionalidade abstrata das tecnologias" e ao situar o mercado como alvo direto da desconfiança.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa autores como Acselrad para tratar de justiça ambiental, racismo ambiental e crítica ao "mercado neutro", sempre exigindo que o aluno identifique a causa estrutural — econômica ou política — por trás de uma desigualdade que parece "natural" ou "técnica".
  • Generalização: em questões de sociologia ambiental, quando o texto rejeita explicitamente uma explicação técnica ou natural, a resposta certa quase sempre está do lado social, político ou econômico — nunca do lado que o próprio texto acabou de descartar.
  • Dica de eliminação rápida: corte primeiro as alternativas "naturais" ou "técnicas" (ecossistema, agropecuária) sempre que o texto afirmar que a lógica vai além da racionalidade técnica; depois corte as alternativas genéricas sem base textual (cultura, resiliência), que não respondem por que o MERCADO especificamente é alvo de desconfiança.
  • Conexões: racismo ambiental; movimentos sociais e meio ambiente; crítica sociológica ao mercado como mecanismo alocativo de riscos.

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