Mapa de questões · 1º dia
Questão 70 — ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia
Enquanto as tecnologias avançadas são desenvolvidas nos centros de poder, as reservas naturais estão localizadas nos países periféricos, ou em áreas não regulamentadas juridicamente. Esta é, pois, a base da disputa.
Há três grandes eldorados naturais no mundo contemporâneo: a Antártida, que é um espaço dividido entre as grandes potências; os fundos marinhos, riquíssimos em minerais e vegetais, que são espaços não regulamentados juridicamente; e a Amazônia, região que está sob a soberania de estados nacionais, entre eles o Brasil.
BECKER, B. K. Geopolítica da Amazônia. Estudos Avançados, n. 53, 2005
Um problema geopolítico contemporâneo que está em pauta na situação descrita no texto é o(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geopolítica contemporânea; disputa por recursos naturais estratégicos (Amazônia, Antártida, fundos oceânicos)
- ⚡ Nível: Médio — exige diferenciar conceitos próximos (gestão/controle territorial × definição de fronteiras × dimensão militar) a partir de um texto acadêmico denso
- 🎯 Tema/Habilidade: Nova geopolítica dos recursos naturais e dos espaços estratégicos — analisar conflitos territoriais ligados à globalização e à assimetria tecnológica centro-periferia
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é o problema geopolítico atual comum aos três casos — Antártida, fundos marinhos e Amazônia — descritos no texto de Bertha Becker?"
- Palavras-chave decisivas: tecnologias avançadas nos centros de poder, reservas naturais em países periféricos ou áreas não regulamentadas, base da disputa
- Armadilha típica: confundir "área não regulamentada" (fundos marinhos) com a ideia de que o problema é a FALTA de fronteiras (alternativa B). Mas a Amazônia tem fronteiras nacionais claríssimas e a Antártida tem tratado que estabiliza sua divisão — mesmo assim, ambas entram na mesma disputa: o problema não é a linha de fronteira, e sim o que se faz dentro dela.
- O que a resposta precisa demonstrar: o denominador comum entre três regimes jurídicos distintos (soberania nacional, tratado de partilha, vazio regulatório) — a disputa por quem gerencia e controla o uso do território e de seus recursos.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Geopolítica clássica × contemporânea: a clássica (séc. XIX-XX) girava em torno de conquista territorial e fronteiras. A contemporânea, na globalização, desloca o conflito para o controle do uso e da exploração de recursos estratégicos — mesmo com fronteiras já definidas ou inexistentes.
- Assimetria centro-periferia: países centrais concentram tecnologia de ponta (bioprospecção, mineração em alto-mar, pesquisa polar), mas não têm em seu território as maiores reservas de biodiversidade, água e minerais — daí a pressão para influenciar a gestão de recursos alheios.
- Espaços de exceção geopolítica: Antártida (Tratado da Antártida/1959, que suspende reivindicações territoriais), fundos marinhos internacionais (princípio de "patrimônio comum da humanidade") e Amazônia (soberania plena dos países amazônicos, mas alvo de discursos de "internacionalização").
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "as tecnologias avançadas são desenvolvidas nos centros de poder, [enquanto] as reservas naturais estão... nos países periféricos, ou em áreas não regulamentadas" → revela a assimetria estrutural: quem tem tecnologia para explorar não tem o recurso; quem tem o recurso nem sempre tem autonomia plena para geri-lo. Essa é a "base da disputa".
- Evidência 2: "a Antártida... dividida entre as grandes potências; os fundos marinhos... não regulamentados; e a Amazônia... sob a soberania de estados nacionais" → três status jurídicos diferentes (partilha, vazio legal, soberania plena) tratados como variações do MESMO problema — prova de que o fator comum não é "fronteira" (que muda em cada caso), e sim a disputa por gestão e controle do uso.
- Síntese: o texto não trata de traçar fronteiras, conflito militar, migração ou blocos econômicos — trata de quem decide o destino (exploração, preservação, regulação) desses três "eldorados".
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Padrão comum aos três "eldorados"
Antártida, fundos marinhos e Amazônia têm regimes jurídicos diferentes, mas compartilham o essencial: são espaços riquíssimos em recursos estratégicos cobiçados por atores que não os controlam plenamente ou disputam formas de acessá-los. O texto explicita a causa: de um lado, quem tem tecnologia para explorar; de outro, quem detém — ou deveria deter — o território.
Subpasso 4.2 — Tradução em conceito-síntese
O "problema geopolítico contemporâneo" é definir quem manda sobre esses territórios e como serão usados — um problema de gestão e controle territorial. Países centrais pressionam por acesso e regulação internacional (discurso da Amazônia como "patrimônio da humanidade", disputas por minérios em alto-mar), enquanto detentores de soberania (Brasil) ou signatários de tratados de partilha (Antártida) buscam preservar o controle sobre a gestão desses espaços.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando essa síntese com as cinco alternativas, só a opção A — "gestão e controle de territórios" — expressa esse núcleo sem acrescentar elementos ausentes do texto. As demais tratam de fronteiras, dimensão militar, demografia ou economia, temas que Becker não aborda nesse trecho.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) gestão e controle de territórios.
✅ Correta: sintetiza o cerne da disputa — três espaços com regimes jurídicos distintos (partilha, vazio legal, soberania nacional) unidos pelo mesmo problema: quem decide como esses territórios estratégicos serão usados e geridos diante da assimetria tecnológica entre centro e periferia.
B) definição e normatização de fronteiras.
❌ Incorreta: as fronteiras dos três casos já estão, em graus distintos, estabelecidas — Antártida por tratado, fundos marinhos por status de área internacional, Amazônia por fronteiras nacionais soberanas. O problema não é traçar novas linhas divisórias, e sim decidir o que fazer com espaços cujo status jurídico já é definido.
C) formação e consolidação de acordos militares.
❌ Incorreta: o texto não menciona alianças, tratados de defesa ou cooperação militar. O eixo da disputa é econômico-ambiental — acesso a recursos e tecnologia —, não estratégico-militar.
D) assentamento e expansão de núcleos populacionais.
❌ Incorreta: nenhum "eldorado" citado é disputado por ocupação demográfica. Antártida e fundos marinhos são inabitáveis para povoamento, e a Amazônia é citada pela soberania e pelos recursos, não pela expansão populacional.
E) planejamento e implantação de blocos econômicos.
❌ Incorreta: blocos econômicos (Mercosul, União Europeia) envolvem integração comercial voluntária entre Estados soberanos — tema distinto da disputa por controle territorial discutida no texto.
🏆 Gabarito: A — o texto descreve três espaços estratégicos com status jurídicos diferentes, unidos pela mesma tensão: a disputa por quem gerencia e controla o uso de territórios ricos em recursos, dado o descompasso entre quem concentra tecnologia (centro) e quem concentra os recursos (periferia ou áreas não regulamentadas).
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa A abrange os três casos citados (Antártida partilhada, fundos marinhos sem regulação, Amazônia soberana), pois o fio condutor entre eles é a gestão e o controle do uso do território — não a fronteira, a força militar, o povoamento ou os blocos econômicos.
- Padrão de cobrança: o ENEM explora com frequência a "nova geopolítica" da globalização — disputas por água, biodiversidade, minérios e espaços de exceção (Ártico, Antártida, alto-mar, Amazônia) —, contrapondo países centrais (tecnologia) e periféricos ou não regulados (recursos).
- Generalização: sempre que um texto associar "recursos estratégicos" + "disputa internacional" + "regimes territoriais diferentes", a resposta gira em torno de gestão/controle/soberania sobre o uso do território — não de redesenhar fronteiras.
- Dica de eliminação rápida: elimine primeiro alternativas com elementos ausentes do texto — "militar" (C), "população" (D) e "blocos econômicos" (E) não têm lastro no enunciado. Entre A e B: fronteira é "onde termina o território de um e começa o de outro"; gestão é "o que se faz dentro dele" — o texto trata do segundo.
- Conexões: geopolítica da Amazônia e "internacionalização"; Direito do Mar; Tratado da Antártida; "bens comuns globais".
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