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Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaMédio

Questão 53ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia

TEXTO I

Em suma, todos os elementos apresentados levam a encarar um banco central independente como um arranjo capaz de isolar a política monetária da política. O banco central é posto como uma entidade apolítica, com o alvo único de manutenção da estabilidade de preços, dado que possui maior aversão à inflação que a média da sociedade. A delegação da responsabilidade da formulação da política monetária a um banco central independente significa que o governo abre mão de um conjunto de instrumentos sob o qual a estabilidade de preços poderia ser sacrificada em detrimento de outros alvos.

GODIN. P. R. Prós e contras da autonomia do Banco Central. Disponível em: 
www.uninter.com. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).

TEXTO II

Surgiu um grande debate nos últimos dias por conta da votação sobre a autonomia do Banco Central. Essa autonomia já vem sendo pensada há algum tempo, mas agora foi votada. A ideia central, segundo defensores, é “blindar” o Bacen de ser capturado pelos interesses governamentais. Além disso, para os defensores, essa autonomia é fundamental para melhorar o investimento externo e a percepção do que é feito dentro do Brasil, pois pode ajudar a controlar a inflação. Entretanto, esse argumento pode ser questionável já que, independentemente de o Bacen ter uma atuação mais ou menos conservadora, não significa necessariamente que não prejudicará os trabalhadores, as políticas de emprego e renda e de crédito mais acessível. Isso ocorre pois o que é bom para o mercado financeiro não necessariamente será bom para o restante da população.

BORGES, Y. F. F. Independência do Banco Central: teoria e prática.
Disponível em: https://sapientia.pucsp.br. Acesso em: 6 out. 2021 (adaptado).

Os textos, mesmo apresentando distintos pontos de vista, se fundamentam na seguinte característica de um Banco Central autônomo/independente:

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Sociologia econômica; Estado, mercado e políticas públicas; autonomia do Banco Central
  • ⚡ Nível: Médio — exige comparar dois textos com posicionamentos opostos e isolar o eixo temático comum entre eles, sem se deixar levar pelo julgamento de valor de cada autor
  • 🎯 Tema/Habilidade: Autonomia do Banco Central e política monetária; leitura comparativa (identificar a tese compartilhada por textos divergentes)
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que os Textos I e II têm em comum ao tratar de um Banco Central autônomo, mesmo divergindo entre si?"
  • Palavras-chave decisivas: "distintos pontos de vista", "se fundamentam", "característica... de um Banco Central autônomo"
  • Armadilha típica: ler o Texto I como "a favor" e o Texto II como "contra" e procurar a alternativa que resuma essa oposição política — levando o candidato a marcar algo que soe institucional, como "legitimidade das ações" ou "origem dos mandatos". O comando não pede o ponto de discórdia, pede o ponto de convergência.
  • O que a resposta precisa demonstrar: localizar o elemento que os dois textos reconhecem como verdadeiro sobre o BC autônomo — independentemente de cada autor avaliar esse elemento como bom ou problemático.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Autonomia/independência do Banco Central: regime em que o banco central decide a política monetária sem subordinação direta ao governo eleito, sob o argumento de blindar decisões técnicas de pressões político-eleitorais. No Brasil, a autonomia foi formalizada pela Lei Complementar nº 179/2021, com mandatos fixos e não coincidentes com o do presidente da República.
  • Política monetária: conjunto de instrumentos (taxa básica de juros, compulsório bancário, controle da oferta de moeda) usados para conter a inflação e estabilizar preços — distinta da política fiscal (arrecadação e gastos), que permanece sob controle direto do governo eleito.
  • Estabilidade de preços/controle da inflação como meta declarada: é o objetivo que justifica, nos dois textos, a existência de um BC autônomo — a ideia de que uma autoridade monetária "apolítica" persegue com mais rigor o combate à inflação, mesmo que isso implique custos sociais (juros altos, crédito mais caro, menos emprego).
  • Viés inflacionário e credibilidade: argumento técnico central do Texto I — governos eleitos tendem a usar a política monetária para estimular a economia no curto prazo (mais crédito, mais emprego) às vésperas de eleições, sacrificando a estabilidade de preços; daí a proposta de delegar essa decisão a uma autoridade isolada da política.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (Texto I): "o alvo único de manutenção da estabilidade de preços" e "abre mão de um conjunto de instrumentos sob o qual a estabilidade de preços poderia ser sacrificada em detrimento de outros alvos" → descreve, em tom favorável, que o objetivo exclusivo das decisões do BC autônomo é conter a inflação, deixando de lado outras metas como emprego ou crescimento.
  • Evidência 2 (Texto II): "pode ajudar a controlar a inflação" e "o que é bom para o mercado financeiro não necessariamente será bom para o restante da população" → reconhece o mesmo objetivo (controlar a inflação), mas questiona se persegui-lo isoladamente prejudica trabalhadores, emprego, renda e acesso a crédito.
  • Síntese: os dois textos partem do mesmo fato — as decisões do BC autônomo são orientadas por um objetivo específico, a estabilidade de preços/controle da inflação. O Texto I elogia esse foco, por evitar que a política capture a moeda; o Texto II teme as consequências sociais desse mesmo foco. A discordância está no julgamento sobre o objetivo, não na existência dele — e é exatamente esse objetivo que a alternativa B nomeia.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Mapear a tese de cada texto

O Texto I é técnico-normativo: defende a autonomia porque o BC, sendo "apolítico", tem maior aversão à inflação do que a sociedade em geral e, por isso, sustenta com mais rigor a meta de estabilidade de preços — mesmo que isso signifique abrir mão de outros objetivos econômicos. O Texto II é crítico-social: não nega esse argumento (chega a admitir que a autonomia "pode ajudar a controlar a inflação"), mas amplia a análise para os efeitos práticos sobre emprego, renda e crédito, apontando que o interesse do mercado financeiro pode não coincidir com o interesse da maioria da população trabalhadora.

Subpasso 4.2 — Identificar o ponto de convergência apesar da divergência

Apesar de avaliarem a autonomia de forma oposta — Texto I positivamente, Texto II com ressalvas —, ambos descrevem a mesma característica factual do BC autônomo: suas decisões são orientadas por um objetivo específico, controlar a inflação e manter a estabilidade de preços, e não por outros objetivos sociais como pleno emprego ou distribuição de renda. É esse objetivo que o Texto I celebra como garantia técnica contra o populismo monetário, e que o Texto II questiona como possível fonte de desigualdade. O "fundamento comum" pedido pelo enunciado é, portanto, o objetivo que orienta as decisões do banco autônomo.

Subpasso 4.3 — Verificação

Teste cada alternativa perguntando: "os dois textos tratam disso, mesmo discordando entre si?"

  • Fonte dos recursos → nenhum texto menciona de onde vem o orçamento do BC. Descartada.
  • Objetivo das decisões → os dois textos giram em torno do que o BC busca alcançar (inflação/estabilidade de preços). Confirmada.
  • Origem dos mandatos → nenhum texto discute como os diretores são indicados ou por quanto tempo permanecem no cargo. Descartada.
  • Legitimidade das ações → nenhum texto discute respaldo legal ou político do BC para agir; o debate é sobre o efeito da ação, não sua legitimidade formal. Descartada.
  • Composição dos cargos → nenhum texto fala em quem ocupa a diretoria do BC. Descartada.

Apenas a alternativa B resiste ao teste nos dois textos simultaneamente → gabarito B.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Fonte dos recursos.

❌ Incorreta: nenhum dos dois textos discute orçamento, financiamento ou origem dos recursos do Banco Central; esse tema está simplesmente ausente em ambos.

B) Objetivo das decisões.

✅ Correta: os dois textos, mesmo divergindo no julgamento de valor, reconhecem que o BC autônomo direciona suas decisões a um alvo específico — a estabilidade de preços/controle da inflação (Texto I: "alvo único de manutenção da estabilidade de preços"; Texto II: "pode ajudar a controlar a inflação"). Esse objetivo compartilhado é o eixo que sustenta os dois pontos de vista, um favorável e outro crítico.

C) Origem dos mandatos.

❌ Incorreta: embora a autonomia real do BC brasileiro envolva mandatos fixos e não coincidentes com o do presidente da República, nenhum dos dois textos aborda esse aspecto formal-institucional; ambos tratam do propósito da política monetária, não de como os dirigentes chegam ao cargo ou por quanto tempo nele ficam.

D) Legitimidade das ações.

❌ Incorreta: os textos não discutem se as decisões do BC têm respaldo legal ou legitimidade política; o Texto II questiona os efeitos sociais dessas decisões, o que é diferente de questionar sua legitimidade formal de atuação.

E) Composição dos cargos.

❌ Incorreta: não há, em nenhum dos dois textos, qualquer menção a quem ocupa os cargos de diretoria ou presidência do Banco Central.

🏆 Gabarito: B — os dois textos, apesar de avaliarem de modo oposto a autonomia do Banco Central, concordam que suas decisões são guiadas por um objetivo específico (o controle da inflação/estabilidade de preços), que é exatamente o "objetivo das decisões" apontado na alternativa B.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa B descreve algo presente, de fato, nas duas passagens: a orientação das decisões do BC para o controle da inflação. As demais alternativas trazem temas — recursos, mandatos, legitimidade, cargos — que simplesmente não são discutidos em nenhum dos dois textos.
  • Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente cruza dois textos de fontes e posicionamentos diferentes (um mais técnico-institucional, outro mais crítico-social) sobre o mesmo fenômeno econômico ou político, pedindo o que há de comum entre eles — não a opinião de cada autor.
  • Generalização: quando dois textos "com pontos de vista distintos" compartilham uma "característica" ou "fundamento", a resposta quase nunca está no julgamento de valor (bom/ruim); está no fato ou processo objetivo que ambos descrevem antes de julgá-lo.
  • Dica de eliminação rápida: grife, em cada texto, o verbo/ação central ligado ao Banco Central (aqui, "controlar/manter estabilidade da inflação"). Se essa ação aparece nos dois textos, a alternativa que a nomeia é a resposta; alternativas que citam elementos ausentes em ambos os textos (recursos, mandatos, cargos, legitimidade formal) podem ser eliminadas de cara.
  • Conexões: política monetária e metas de inflação; papel do Estado na economia; conflitos entre política econômica e políticas sociais (emprego, distribuição de renda, acesso a crédito).

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