Mapa de questões · 1º dia
Questão 76 — ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia
Apesar de derrotado na Batalha do Jenipapo, o exército de sertanejos libertou três províncias nordestinas. Esse confronto foi dos mais violentos, embora tenha ocorrido em um único dia — 13 de março de 1823. A batalha foi o resultado de embates entre o poder português e a população sertaneja piauiense, cearense e maranhense de todas as classes sociais, que formaram uma multidão de voluntários armados de instrumentos como facões, enxadas, foices, machados.
DIAS, C. M. M. Entre foices e facões. Revista de História, n. 70, jul. 2011 (adaptado).
No processo de construção do Estado nacional, esse conflito oferece um contraponto à narrativa focada em D. Pedro ao evidenciar o(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Independência do Brasil (províncias do Norte/Nordeste); Historiografia crítica
- ⚡ Nível: Médio — o texto dá pistas claras, mas exige relacionar um conceito historiográfico abstrato a um episódio pouco explorado nos livros didáticos
- 🎯 Tema/Habilidade: Processo assimétrico da Independência e protagonismo popular; leitura crítica de fonte histórica
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que a Batalha do Jenipapo revela sobre a Independência que a versão centrada em D. Pedro I não mostra?"
- Palavras-chave decisivas: contraponto, narrativa focada em D. Pedro, multidão de voluntários
- Armadilha típica: ler "apesar de derrotado" e associar o desfecho à fraqueza das tropas portuguesas (alternativa C), ou enxergar "república" onde havia monarquia (alternativa B)
- O que a resposta precisa demonstrar: que o protagonista da libertação das províncias foi o povo sertanejo, mobilizado por conta própria — não D. Pedro
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Narrativa tradicional: centrada no 7 de setembro de 1822 e no Grito do Ipiranga, como se a Independência fosse ato único, decidido por D. Pedro I a partir do Centro-Sul.
- Independência como processo regional: Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Bahia só romperam com Portugal entre 1822-1824, via embates armados locais, pois guarnições leais à metrópole resistiam.
- História vista de baixo: abordagem historiográfica que reconhece sertanejos, escravizados e população pobre como agentes ativos da transformação — não meros coadjuvantes da elite.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "o exército de sertanejos libertou três províncias nordestinas" → mesmo derrotados em Jenipapo, foram os sertanejos — não tropas enviadas do Rio de Janeiro — que garantiram a libertação de Piauí, Ceará e Maranhão.
- Evidência 2: "multidão de voluntários armados de instrumentos como facões, enxadas, foices, machados" → mobilização espontânea, sem farda nem comando militar profissional; ferramentas de trabalho viraram armas por iniciativa do próprio povo.
- Síntese: as evidências apontam um único sujeito histórico — o sertanejo armado por conta própria, autônomo em relação ao poder central —, exatamente o que a narrativa centrada em D. Pedro I apaga.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Situar o episódio
A Independência não foi um evento único, mas um processo desigual entre 1822 e 1824. Enquanto D. Pedro proclamava a ruptura em São Paulo, províncias do Norte e do Nordeste mantinham guarnições leais a Portugal, afastadas somente após confrontos regionais — caso do Piauí, palco da Batalha do Jenipapo em 13/3/1823.
Subpasso 4.2 — Identificar o agente da libertação
Quem lutou e garantiu a libertação das três províncias foi a "multidão de voluntários" sertanejos, armados com facões, enxadas, foices e machados — ferramentas de trabalho, não armamento militar. Trata-se de mobilização popular autônoma, sem comando de D. Pedro I ou da corte do Rio de Janeiro.
Subpasso 4.3 — Verificação
Diante do comando "contraponto à narrativa focada em D. Pedro", só uma alternativa nomeia esse sujeito alternativo: o povo sertanejo agindo por conta própria, sem comando central. É o que o Passo 5 confirma ao eliminar as demais.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) vigor do legado patrimonialista.
❌ Incorreta: patrimonialismo é a indistinção entre público e privado no exercício do poder — herança colonial discutida por autores como Raymundo Faoro. O texto trata de mobilização armada coletiva, não de uso privado de cargos ou recursos públicos.
B) imposição da solução republicana.
❌ Incorreta: em 1822-1823 o Brasil se organizava como Império, não como República — proclamada apenas em 1889. Os sertanejos lutavam para expulsar as forças leais a Portugal, não para instaurar um regime republicano. É um anacronismo.
C) deficiência das tropas metropolitanas.
❌ Incorreta: o próprio texto diz que os sertanejos foram derrotados em Jenipapo — logo, foi a tropa portuguesa que venceu esse confronto, o oposto de "deficiência". A alternativa desloca o foco do povo para o adversário, fugindo do contraponto pedido pelo comando.
D) protagonismo da resistência autônoma.
✅ Correta: os sertanejos se organizaram e se armaram por iniciativa própria — sem farda, sem comando militar profissional, com instrumentos de trabalho — e, mesmo derrotados naquele confronto pontual, foram decisivos para libertar três províncias. Esse protagonismo popular e autônomo é o que a narrativa centrada apenas em D. Pedro I deixa invisível.
E) continuidade das contradições políticas.
❌ Incorreta: alternativa genérica demais, que não identifica sujeito histórico nem estabelece o contraste pedido. O texto trata de um episódio concreto de mobilização popular armada, não da permanência de disputas políticas ao longo do tempo.
🏆 Gabarito: D — a Batalha do Jenipapo evidencia que a libertação do Piauí, do Ceará e do Maranhão resultou da mobilização autônoma da população sertaneja, e não de uma ação centralizada de D. Pedro I, caracterizando o protagonismo da resistência autônoma.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa D nomeia o sujeito histórico revelado pelo texto — o sertanejo armado e autônomo — como contraponto à narrativa oficial centrada em D. Pedro I.
- Padrão de cobrança: o ENEM explora episódios regionais "esquecidos" da Independência (Confederação do Equador, Cabanagem, Balaiada, adesão tardia da Bahia e do Pará) para testar se o aluno entende que o processo foi assimétrico e violento, não resumido a 7 de setembro de 1822.
- Generalização: quando um texto contrapõe um "grande nome" da história oficial a uma mobilização coletiva de gente comum, a resposta tende a valorizar o protagonismo popular como sujeito histórico — busque sempre quem, no texto, efetivamente agiu.
- Dica de eliminação rápida: descarte alternativas com "república" antes de 1889 (anacronismo) e as que atribuam o desfecho à fraqueza do adversário quando o texto já afirma derrota do lado popular.
- Conexões: Confederação do Equador (1824); Cabanagem (1835-1840); Balaiada (1838-1841); historiografia da "história vista de baixo".
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