Mapa de questões · 1º dia
Questão 73 — ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia

Inspirada no livro Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, a letra da canção critica um modelo de sociedade distópica caracterizada pela:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia (crítica à sociedade tecnológica e ao controle social) + Português/Literatura (interpretação de letra de canção e intertextualidade)
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar uma referência literária com uma canção e reconhecer dois eixos temáticos combinados, sem se prender a uma palavra isolada
- 🎯 Tema/Habilidade: Tecnologia, controle social e crítica à sociedade contemporânea; leitura crítica de linguagem verbal e intertextualidade
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Que característica de sociedade distópica a canção — inspirada em Huxley — está criticando?"
- Palavras-chave decisivas: distópica, Admirável mundo novo, caracterizada pela
- Armadilha típica: marcar E só por causa de "compre"/"gaste" — são apenas 2 dos 16 verbos da 2ª estrofe; ignora o resto do painel de controle.
- O que a resposta precisa demonstrar: síntese de dois campos semânticos estruturantes do texto — corpo/mente tecnológicos e ordem imperativa que anula a vontade —, não a repetição isolada de uma palavra.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Distopia: sociedade futura opressora, organizada por tecnologia, vigilância ou controle estatal/corporativo, usada como crítica ao presente.
- "Admirável Mundo Novo" (Huxley, 1932): humanos fabricados em série e condicionados a aceitar sua função sem questionar — liberdade substituída por conforto programado.
- Heteronomia x autonomia: heteronomia é a conduta regida por ordens externas; autonomia é o autogoverno. A canção descreve heteronomia radical.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (tecnologia): "Pane no sistema" / "meus olhos de robô" / "Parafuso e fluido em lugar de articulação" / "Nada é orgânico, é tudo programado" / "Reinstalar o sistema" → o eu lírico se descreve como máquina, um "chip" controlado por um sistema externo reconfigurável.
- Evidência 2 (autonomia): "Pense, fale, compre, beba / Leia, vote, não se esqueça / Use, seja, ouça, diga / Tenha, more, gaste, viva" + "Não, senhor, sim, senhor" → dezesseis imperativos cobrem pensamento, fala, consumo, leitura e voto; a resposta do sujeito vira obediência binária.
- Síntese: corpo maquinizado (tecnologia) + existência inteiramente comandada (sem autonomia) — só a junção dos dois eixos fecha a leitura completa do texto.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — A referência literária no título
"Admirável Chip Novo" parafraseia "Admirável Mundo Novo": Pitty troca "Mundo" por "Chip", anunciando que a crítica recai sobre a artificialização tecnológica do ser humano, como em Huxley.
Subpasso 4.2 — Primeiro eixo: dependência tecnológica
Na 1ª estrofe, o eu lírico descobre, após uma "pane", que não é orgânico. "Olhos de robô", "parafuso e fluido em lugar de articulação" e "nada é orgânico, é tudo programado" formam um só campo semântico: o corpo foi substituído por hardware/software controlado externamente, a ponto de poder ser "reinstalado". É dependência tecnológica em sentido literal.
Subpasso 4.3 — Segundo eixo: ausência de autonomia
A 2ª estrofe lista comandos — pensar, falar, comprar, beber, ler, votar, usar, ser, ouvir, dizer, ter, morar, gastar, viver — todos no imperativo, sem sujeito que decida por conta própria. "Não, senhor, sim, senhor" reduz a resposta humana a obediência binária, como um treinamento. Nenhum verbo expressa escolha própria.
Subpasso 4.4 — Verificação
Cruzando os dois eixos com as alternativas, só a A reúne exatamente os dois elementos sem acrescentar nem subtrair conteúdo do texto. As demais citam elementos ausentes (Estado, eleição, meio ambiente) ou recortam apenas uma fatia do segundo eixo (consumo).
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Dependência tecnológica e ausência de autonomia individual.
✅ Correta: reúne os dois campos semânticos da letra — corpo/identidade programáveis ("tudo programado", "reinstalar o sistema") e a série de imperativos que elimina a vontade própria ("pense, fale, compre..." / "sim, senhor").
B) Hipossuficiência econômica e influência do aparato estatal.
❌ Incorreta: não há menção a pobreza, desigualdade de renda ou instituições estatais; "vote" é só um item isolado entre dezesseis comandos, insuficiente para caracterizar crítica ao Estado.
C) Corrupção política e manipulação de campanhas eleitorais.
❌ Incorreta: não há referência a políticos, propaganda ou fraude eleitoral; "vote" aparece ao lado de "leia" como mais um ato cotidiano controlado, sem relação com eleições.
D) Degradação ecológica e deteriorização do meio ambiente.
❌ Incorreta: o tema ambiental está ausente; a única "natureza" citada é a do próprio corpo humano ("nada é orgânico"), não a do meio ambiente externo — generalização indevida.
E) Motivação consumista e aquisição de bens supérfluos.
❌ Incorreta: "compre" e "gaste" são só 2 dos 16 verbos da segunda estrofe; a alternativa reduz a crítica a um único aspecto e ignora tanto o corpo-máquina quanto os demais comandos (fala, pensamento, leitura, voto).
🏆 Gabarito: A — a canção critica, ao mesmo tempo, a substituição do orgânico pelo tecnológico e a anulação da vontade individual por uma sucessão de ordens, exatamente o que descreve a alternativa A.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: nenhuma outra alternativa contempla os dois blocos da letra ao mesmo tempo; A é a única leitura que não deixa nenhuma estrofe de fora da explicação.
- Padrão de cobrança: o ENEM cruza obras literárias canônicas (aqui, Huxley) com produção cultural brasileira (música, cinema, HQ) para testar o diálogo intertextual e a crítica social compartilhada.
- Generalização: em interpretação de letra/poema com viés sociológico, busque o eixo que se repete e estrutura o texto inteiro — a alternativa correta sintetiza dois campos semânticos centrais; os distratores pinçam uma palavra isolada e a generalizam.
- Dica de eliminação rápida: elimine alternativas com elemento ausente do texto (Estado, eleição, meio ambiente cortam B, C e D em segundos); desconfie de elemento presente mas parcial (consumo em E) — costuma ser a armadilha "quase certa".
- Conexões: outras distopias tecnológicas (1984, de George Orwell; Fahrenheit 451, de Ray Bradbury) e a crítica da Escola de Frankfurt (Adorno e Horkheimer) à indústria cultural.
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