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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensPortuguêsFácil

Questão 31ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia

TEXTO I

De casa para a escola

Saber respeitar limites, esperar, suportar, ter seus desejos frustrados, fazer trocas e planejar é ter educação financeira. E o exemplo vem de casa. Mas as atitudes dos pais somente serão referências para a educação financeira se eles mesmos usarem o dinheiro de forma consciente, fizerem pesquisa de preço, comprarem à vista, pedirem descontos, tiverem controle de suas finanças, souberem o quanto têm e o quanto podem gastar, investir e poupar. Portanto, boa parte das razões que levam um adulto a se tornar consumista e a se endividar está na educação que recebe quando criança ou na adolescência.

MACEDO, C. Revista Carta Fundamental, n. 37, abr. 2012 (adaptado).

TEXTO II

Educação financeira para crianças

Ensinar para os filhos o valor das coisas é responsabilidade dos pais, mas, se lidar com dinheiro é complicado para adultos, passar esse conhecimento para crianças é uma tarefa bem mais delicada. De acordo com a especialista em educação financeira infantil Cássia D’Aquino, o momento certo de começar a ensinar a criança a lidar com as finanças é anunciado pela própria, na primeira vez em que pede aos pais para lhe comprarem alguma coisa. Isso costuma acontecer por volta dos dois anos e meio, e, nessa hora, o pequeno mostra que já percebeu o que é dinheiro e que o dinheiro “compra” as coisas que ele pode vir a querer. À medida que os pequenos vão crescendo, os filhos vão convivendo com a forma com que seus pais trabalham com o dinheiro. Para Cássia, a melhor base para uma educação financeira eficiente é aquela transmitida por meio de atitudes simples na rotina do relacionamento entre pais e filhos. Assim que a criança manifestar uma noção básica em relação a dinheiro, os pais já podem, de maneira gradual, adotar uma postura educativa.

Disponível em: http://brasil.gov.br. Acesso em: 27 fev. 2013.

Sob diferentes perspectivas, os textos I e II abordam o tema educação financeira. No entanto, em ambos os textos, os autores sustentam a opinião de que

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto; leitura comparativa de coletânea (dois textos sobre o mesmo tema)
  • ⚡ Nível: Fácil — a tese comum aparece de forma explícita em frases-chave de ambos os textos, sem exigir inferências complexas ou conhecimento prévio externo.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Identificação da tese central compartilhada por dois textos motivadores de mesma temática (educação financeira) — competência de leitura e comparação de textos (Matriz de Referência de Linguagens, ENEM)
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual ideia os dois textos defendem em comum sobre educação financeira?"
  • Palavras-chave decisivas: ambos os textos, sustentam a opinião, educação financeira
  • Armadilha típica: confundir um detalhe presente em apenas UM dos textos — como "estabelecer limites" (só no Texto I) ou "escola" (só no título) — com a tese que é comum aos DOIS.
  • O que a resposta precisa demonstrar: a alternativa correta precisa sintetizar uma ideia sustentada simultaneamente no Texto I e no Texto II, e não apenas em um deles isoladamente.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Tese central (ideia-núcleo): em textos argumentativos ou expositivos, a tese é a posição defendida pelo autor. Em questões de "coletânea", a resposta certa é sempre a interseção das teses — o que os dois defendem ao mesmo tempo —, nunca a soma de todos os detalhes de cada um.
  • Modelagem por exemplo: crianças e adolescentes constroem hábitos observando e reproduzindo o comportamento dos adultos de referência — no caso, os pais. É esse mecanismo que sustenta a argumentação dos dois textos.
  • Título x conteúdo: o título de um texto pode não representar seu desenvolvimento integral, funcionando como isca em provas de leitura. "De casa para a escola" sugere dois ambientes, mas o corpo do Texto I discute só o papel da casa.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (Texto I): "E o exemplo vem de casa. Mas as atitudes dos pais somente serão referências para a educação financeira..." → os pais são a referência comportamental que os filhos seguem.
  • Evidência 2 (Texto I): "boa parte das razões que levam um adulto a se tornar consumista e a se endividar está na educação que recebe quando criança ou na adolescência." → os modelos vividos na infância e na juventude repercutem na vida adulta.
  • Evidência 3 (Texto II): "os filhos vão convivendo com a forma com que seus pais trabalham com o dinheiro" e "a melhor base... é aquela transmitida por meio de atitudes simples na rotina do relacionamento entre pais e filhos." → o comportamento cotidiano dos pais é o verdadeiro agente educador.
  • Síntese: as três evidências convergem para a mesma ideia — os pais funcionam como espelho comportamental, e é essa vivência na infância e na adolescência que molda a relação do futuro adulto com o dinheiro.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar a tese de cada texto

Texto I: a educação financeira nasce do exemplo dos pais em casa — se os adultos não usam o dinheiro de forma consciente, a criança tende a repetir, no futuro, o padrão consumista e o endividamento observados.

Texto II: apoiado na fala de uma especialista, defende que a educação financeira começa cedo (por volta dos dois anos e meio) e se consolida pela convivência diária com a forma como os pais lidam com o dinheiro — a base mais eficaz é comportamental e rotineira, não teórica.

Subpasso 4.2 — Cruzar as teses e extrair o denominador comum

Apesar das abordagens diferentes — Texto I mais opinativo, Texto II mais explicativo e técnico —, ambos convergem: os filhos aprendem educação financeira observando e reproduzindo o comportamento dos pais, tanto na infância (Texto II) quanto na adolescência (Texto I). Ou seja: os modelos familiares vividos nessas fases funcionam como espelho para os filhos.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando essa síntese com as cinco alternativas, apenas uma reproduz com exatidão a ideia de "modelo familiar como espelho", cobrindo as duas fases etárias citadas — infância (Texto II) e juventude (Texto I). As demais trazem elementos que aparecem em apenas um dos textos, de forma distorcida, invertida ou ausente em ambos.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) os modelos familiares impostos na infância e na juventude são espelhos para os filhos.

✅ Correta: sintetiza a tese comum aos dois textos. O Texto I afirma que "o exemplo vem de casa" e que a educação recebida "quando criança ou na adolescência" determina o comportamento financeiro adulto; o Texto II mostra que a criança "vai convivendo com a forma com que seus pais trabalham com o dinheiro" desde cedo. Em ambos, os pais funcionam como espelho comportamental que molda os filhos.

B) o sucesso da educação financeira está ligado à forma como a escola trabalha o tema.

❌ Incorreta: é a armadilha do título. "De casa para a escola" sugere dois ambientes, mas o Texto I não desenvolve o papel da instituição escolar — fala exclusivamente do lar. O Texto II sequer menciona a escola.

C) uma das tarefas mais difíceis do processo de educação é estabelecer limites.

❌ Incorreta: "respeitar limites" é citado no Texto I apenas como um dos comportamentos que compõem "ter educação financeira" (ao lado de esperar, suportar frustração, fazer trocas e planejar) — não é apontado como a tarefa mais difícil, e o Texto II não trata do tema em nenhum momento. É detalhe pontual de um único texto, não tese comum.

D) a educação imposta pela sociedade substitui aquela recebida em casa.

❌ Incorreta: inverte o sentido dos textos. Os dois autores reforçam o oposto — que a educação financeira nasce e se consolida em casa, pelo exemplo dos pais. Em nenhum momento a "sociedade" aparece como substituta do papel familiar.

E) os filhos devem poupar na infância para investirem quando adultos.

❌ Incorreta: extrapola o que está escrito. O Texto I cita "poupar" apenas como um dos itens da conduta financeira consciente dos pais adultos, e não como recomendação direta às crianças. O Texto II não menciona poupança nem investimento em nenhum trecho.

🏆 Gabarito: A — os dois textos, por caminhos diferentes (um mais opinativo, outro mais explicativo e apoiado em especialista), sustentam que o comportamento financeiro dos pais funciona como modelo que os filhos absorvem e reproduzem, do que decorre que os padrões vividos em casa, na infância e na juventude, são decisivos para a vida adulta.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa A é a única que descreve uma ideia presente e sustentada simultaneamente nos dois textos — as demais distorcem um detalhe isolado de um único texto, invertem o sentido da argumentação ou extrapolam o que foi dito.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente questões de "coletânea" (dois ou mais textos motivadores sobre o mesmo tema), pedindo o ponto de convergência entre eles — uma das estruturas mais frequentes da prova de Linguagens.
  • Generalização: em enunciados do tipo "em ambos os textos, os autores sustentam/defendem que...", a resposta certa é sempre a interseção das teses, nunca um detalhe exclusivo de apenas um texto.
  • Dica de eliminação rápida: elimine primeiro as alternativas com informação exclusiva de um texto (C e E); depois as que invertem o sentido geral da coletânea (D); por fim, desconfie de palavras tiradas de títulos que não se confirmam no corpo do texto (B, com "escola").
  • Conexões: textos motivadores em coletânea; educação financeira e cidadania; leitura comparativa entre gêneros argumentativo e expositivo.

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