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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 32ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia

A criança e a lógica

Uma menina vê a foto da mãe grávida e ouve a seguinte explicação: “Você estava na minha barriga, filha”. Imediatamente, a criança chega à incrível conclusão: “Mamãe, então você é o lobo mau?”. A partir dos 2 anos, a criança começa a dominar as palavras, mas sua lógica, que difere da do adulto, surpreende os pais pelas associações. Para uma psicóloga infantil, esse raciocínio se explica pelo fato de que a lógica, nos primeiros anos de vida, é primitiva e rígida, não admite que para a mesma questão existam várias possibilidades. Quando a mãe diz que vai chegar em casa à noite, a criança não compreende por que, afinal, a promessa ainda não foi cumprida se já está escuro. Ou se ela já ouviu que as pessoas morrem quando estão velhinhas e de repente acontece de alguém próximo perder a vida ainda jovem, ela pode custar a se conformar. “O importante é falar a verdade e ter paciência. Com o tempo, as crianças percebem que um fato pode ter mais de uma explicação, e vários fatos influenciam uma mesma situação. A lógica vai, assim, aprimorando-se e ficando mais próxima da do adulto entre os 5 e 6 anos”, afirma a especialista.

Disponível em: http://revistacrescer.globo.com. Acesso em: 15 nov. 2014 (adaptado).

O texto cita a opinião de uma psicóloga como estratégia argumentativa para

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura e interpretação de texto de divulgação científica; recursos e estratégias argumentativas (argumento de autoridade)
  • ⚡ Nível: Fácil — o padrão "citação de especialista = credibilidade" é recorrente no ENEM e reconhecível por quem já treinou textos de divulgação científica
  • 🎯 Tema/Habilidade: Função do argumento de autoridade em texto de divulgação científica; competência de reconhecer estratégias de convencimento em diferentes gêneros textuais
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por que o autor decidiu citar a opinião de um psicólogo dentro do texto? Qual efeito essa citação produz?"
  • Palavras-chave decisivas: opinião de psicólogo, estratégia argumentativa, para (o "para" introduz a finalidade do recurso, não o seu conteúdo)
  • Armadilha típica: confundir o que o especialista diz (que a lógica infantil é "primitiva e rígida") com o motivo pelo qual o autor o cita. O candidato lê o conteúdo da fala do psicólogo e marca a alternativa que resume esse conteúdo (como a D), em vez de pensar na função textual da citação.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que citar uma fonte especializada, em textos de divulgação científica, serve para sustentar/legitimar a informação perante o leitor — é um recurso de construção da credibilidade do texto, não uma forma de "explicar" ou "justificar" o fenômeno em si.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Texto de divulgação científica: gênero que "traduz" conhecimento especializado (psicologia, medicina, ciências) para o leitor comum, buscando equilíbrio entre acessibilidade e rigor. Para não soar como mera opinião pessoal do jornalista, esse gênero recorre com frequência a vozes de especialistas.
  • Argumento de autoridade: estratégia argumentativa clássica que consiste em respaldar uma afirmação citando uma fonte reconhecida (pesquisador, especialista, instituição, estudo). Sua função é conferir peso e legitimidade ao que está sendo dito, e não detalhar ou justificar tecnicamente o fenômeno.
  • Função x conteúdo da citação: são duas coisas diferentes. O conteúdo é o que o psicólogo afirma (que a lógica infantil é rígida e evolui até os 5-6 anos). A função é o papel que essa fala exerce na construção do texto — nesse caso, emprestar autoridade científica a uma observação que, sem a citação, soaria apenas como impressão do autor.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: o texto abre com uma cena cotidiana e engraçada — a menina que vê a foto da mãe grávida e conclui "Mamãe, então você é o lobo mau?" → é um gancho narrativo, informal, que prende o leitor leigo, mas que sozinho não tem valor científico.
  • Evidência 2: "Segundo especialista em psicologia infantil, esse raciocínio ocorre porque a lógica, nos primeiros anos de vida, é primitiva e rígida..." → logo após o exemplo informal, o autor recorre a uma fonte credenciada para explicar o fenômeno com respaldo técnico, transformando uma anedota em afirmação com lastro científico.
  • Síntese: a organização do texto segue um movimento típico da divulgação científica — primeiro, prende a atenção com um caso concreto e curioso; depois, valida esse caso citando um especialista. A citação, portanto, não está ali para "explicar em detalhe" o raciocínio infantil (isso o texto já vinha fazendo com os próprios exemplos), mas para dar respaldo de autoridade à informação.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Reconhecer o gênero e sua função social

"A criança e a lógica" é um texto de divulgação científica (fonte adaptada de revista voltada a pais e famílias). Esse gênero precisa ser compreensível ao leitor comum e, ao mesmo tempo, parecer confiável, pois trata de um tema técnico — desenvolvimento cognitivo infantil — para um público não especializado.

Subpasso 4.2 — Mapear a estrutura argumentativa do texto

O texto segue uma progressão marcada: (1) exemplo concreto e curioso — a associação da menina com o "lobo mau"; (2) generalização do fenômeno para crianças de 2 a 5 anos; (3) fala do especialista em psicologia infantil sustentando essa generalização com base científica; (4) retomada de outros exemplos (a promessa da mãe de chegar à noite, a morte de alguém jovem) e fechamento com a explicação do especialista sobre a evolução da lógica infantil entre 5 e 6 anos. A citação do psicólogo funciona como âncora de credibilidade entre os exemplos do cotidiano — não é o centro explicativo do texto, mas o elemento que autoriza o que já vinha sendo dito.

Subpasso 4.3 — Verificação

Se a citação existisse apenas para "explicar" ou "justificar" o raciocínio infantil, o texto poderia descrever o fenômeno sem atribuir a fala a ninguém — e perderia força persuasiva. Ao nomear a fonte ("segundo especialista em psicologia infantil"), o autor sinaliza ao leitor que a explicação é respaldada pela ciência, não apenas opinião pessoal. Esse é exatamente o efeito da alternativa C, o que confirma a resposta.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) explicar as associações inesperadas das crianças de 2 a 5 anos.

❌ Incorreta: quem explica as associações inesperadas são os próprios exemplos do texto (a menina e o "lobo mau", a promessa noturna, a morte prematura). A fala do psicólogo não tem a função de explicar cada associação, e sim de validar cientificamente a generalização sobre a lógica infantil.

B) apresentar dados científicos sobre a falta de lógica na infância.

❌ Incorreta: o texto não defende que a criança "não tem lógica" — pelo contrário, mostra que ela tem uma lógica própria, "primitiva e rígida", mas coerente dentro de seu próprio funcionamento. Além disso, a citação não traz "dados científicos" (números, pesquisas, estatísticas), mas uma opinião qualificada de especialista, o que é uma estratégia diferente.

C) gerar efeitos de credibilidade às informações apresentadas.

✅ Correta: é exatamente a função do argumento de autoridade em textos de divulgação científica — atribuir a um especialista reconhecido a origem da explicação para que o leitor confie mais no que está sendo dito, transformando uma observação cotidiana em afirmação respaldada por conhecimento técnico.

D) justificar a natureza rudimentar do raciocínio infantil.

❌ Incorreta: essa alternativa confunde conteúdo com função. É verdade que a fala do especialista descreve o raciocínio infantil como "primitivo e rígido", mas essa descrição é o que ele diz, não o motivo pelo qual o autor decidiu citá-lo. A pergunta é sobre a estratégia argumentativa (o "para quê" da citação), não sobre o teor da fala citada.

E) ajudar os adultos na interlocução com as crianças.

❌ Incorreta: essa seria, no máximo, uma utilidade prática do conteúdo do texto como um todo (orientar pais no dia a dia), mas não é a função específica de citar o psicólogo. A citação atua na construção da credibilidade do texto, não como um manual de conversação para adultos.

🏆 Gabarito: C — a citação da opinião do psicólogo funciona como argumento de autoridade: ela empresta respaldo científico às afirmações do texto, gerando credibilidade junto ao leitor, que é exatamente o que descreve a alternativa C.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a única alternativa que descreve a função textual da citação — e não o seu conteúdo — é a C, pois nomear um especialista é, por definição, uma estratégia para legitimar a informação perante o leitor.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência a diferença entre "o que o texto diz" e "por que o texto usa esse recurso". Em textos de divulgação científica, jornalísticos e publicitários, é comum perguntar qual é a função de uma citação, de um dado estatístico ou de um depoimento, e a resposta quase sempre gravita em torno de credibilidade, legitimidade ou reforço argumentativo.
  • Generalização: sempre que um texto de divulgação científica citar um especialista, desconfie de alternativas que atribuem a esse recurso a tarefa de "explicar detalhadamente" ou "provar tecnicamente" o fenômeno — a explicação já está no corpo do texto; a citação serve para autorizar essa explicação.
  • Dica de eliminação rápida: atente ao "para" do comando (finalidade). Elimine alternativas que descrevem conteúdo da fala citada (aqui, D) e as que trazem uma função prática desconectada da construção textual (aqui, A e E). Sobra a opção ligada a persuasão e credibilidade.
  • Conexões: tema dialoga com "função da citação de fontes em textos jornalísticos" e "argumento de autoridade" como recurso persuasivo recorrente nas competências de leitura do ENEM.

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