Mapa de questões · 1º dia
Questão 5 — ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia
Letter to the Editor
Michael Gerson’s Oct. 19 Tuesday Opinion column, “The state laboratory of idiocracy strikes again” did not highlight the disservice done to the Black community or any other minority group affected by White history. I wonder about how this will manipulate the perceptions of minorities in the eyes of students. The misguided stereotypes and assumptions perpetuated by these curriculum restrictions will likely prevent Black Americans from expressing themselves safely.
It’s plausible to assume that continued miseducation over generations could create a sense of false comfort for Black Americans. Without proper access to history, minorities might begin to forget the oppression they have faced and the injustices they are currently dealing with. Lacking this vital historical education only serves to continue the longstanding issue of misinformation in modern generations.
The problems are only the start of the issues that could begin to plague the American education system.
Riley Kilcarr, Springfield.
Disponível em: www.washingtonpost.com. Acesso em: 29 out. 2021.
O autor dessa carta se reporta ao editor de um jornal para
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Espanhol → interpretação de texto poético, ironia e crítica social
- ⚡ Nível: Médio — o vocabulário do poema é simples, mas a resposta exige captar a ironia por trás de uma enumeração aparentemente elogiosa
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer efeitos de sentido decorrentes do uso da linguagem poética (ironia como recurso de crítica cultural)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O poema junta vocabulário do futebol com temas 'sérios' (política, ciência, civismo, paz). O que esse cruzamento revela sobre a intenção do eu lírico?"
- Palavras-chave decisivas: fútbol... para hablar de política, de ciencia, de civismo y de paz; Bastan sólo estos términos precisos; Otras palabras hay, pero no constan más que en algún rincón del diccionario
- Armadilha típica: ler o poema de forma literal, como se ele estivesse de fato elogiando a riqueza do vocabulário futebolístico ou reclamando da falta de palavras — quando, na verdade, o tom é irônico e o alvo é o empobrecimento do debate público
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a aproximação entre "léxico do futebol" e "grandes temas da vida pública" é uma estratégia de ironia/crítica, não um elogio ao futebol nem uma constatação lexicográfica neutra
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Ironia como recurso poético: consiste em dizer algo que, à primeira leitura, parece afirmar uma coisa, mas que o contexto revela ser o oposto do que o enunciador realmente pensa. É um dos recursos mais cobrados em textos literários curtos no ENEM (poemas, crônicas, tiras).
- Enumeração como estratégia argumentativa: o poema abre com uma lista de dez substantivos do campo semântico do futebol (fútbol, pelota, gol, copa, recopa, partido...). Listas desse tipo, em poesia, quase sempre servem para exagerar/ridicularizar algo — nesse caso, a suposta suficiência desse vocabulário para tratar de qualquer assunto.
- Crítica cultural/social pela linguagem: o poema não fala diretamente "os espanhóis são superficiais"; ele mostra isso por meio da estrutura do texto — o vocabulário "importante" (política, ciência, civismo, paz) é tratado como intercambiável com o vocabulário do futebol, e o restante da língua (o vocabulário culto/preciso) fica relegado a "algún rincón del diccionario", ou seja, esquecido, marginal.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Bastan sólo estos términos precisos [...] para hablar de política, de ciencia, de civismo y de paz con los hispánicos" → o eu lírico afirma, com aparente naturalidade, que o vocabulário do futebol basta para discutir os assuntos mais sérios da vida coletiva. Essa afirmação é exagerada de propósito: ninguém discute ciência ou política seriamente usando apenas "gol", "córner" e "falta". O exagero é o sinal de que se trata de ironia, não de constatação.
- Evidência 2: "Otras palabras hay, pero no constan más que en algún rincón del diccionario" → existe, sim, um vocabulário adequado para tratar esses temas com profundidade, mas ele está esquecido, relegado a um canto do dicionário — isto é, fora de uso no discurso público cotidiano dos hispânicos.
- Síntese: as duas evidências se complementam: a primeira mostra o sintoma (o léxico do futebol tomando o lugar do léxico sério) e a segunda mostra a consequência (o vocabulário apropriado caindo em desuso). Juntas, elas constroem uma crítica irônica ao hábito de nivelar/achatar temas de peso — política, ciência, civismo, paz — ao patamar raso do vocabulário esportivo.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o efeito da enumeração inicial
O poema começa com uma sequência de dez palavras do universo futebolístico, dispostas quase como um glossário: "Fútbol, pelota, gol, copa, recopa, partido, promoción, campeonato, equipo, portería, córner, falta, quiniela, liga, entrenador y árbitro". Esse acúmulo não é decorativo: ele simula a ideia de que esse vocabulário forma um "kit completo" de palavras — como se bastasse dominar esses termos para estar apto a discutir qualquer assunto da vida pública. É o excesso da lista que já sinaliza exagero irônico.
Subpasso 4.2 — Cruzar o campo do futebol com os campos "sérios"
Na sequência, o eu lírico afirma que esses termos, "junto con otros pocos de igual rango" (mais alguns poucos do mesmo nível), bastam "para hablar de política, de ciencia, de civismo y de paz con los hispánicos". Aqui está o núcleo da aproximação cultural pedida no comando: o poema coloca lado a lado dois universos completamente distintos — o léxico esportivo (concreto, lúdico, popular) e os grandes temas do espaço público (abstratos, complexos, de interesse coletivo). Ao afirmar que um "basta" para o outro, o texto denuncia, pelo absurdo, o rebaixamento do debate público hispânico ao nível de conversa de bar sobre futebol.
Subpasso 4.3 — Verificação com o fechamento do poema
Os dois últimos versos confirmam a leitura irônica: "Otras palabras hay, pero no constan / más que en algún rincón del diccionario". Se o vocabulário rico e preciso para tratar de política, ciência e paz existe mas está esquecido "num canto do dicionário", o poema está, na verdade, lamentando/criticando essa substituição — e não celebrando a suficiência do léxico futebolístico. Essa constatação final fecha o raciocínio: o texto aproxima futebol e temas sérios para expor, com ironia, o hábito hispânico de nivelá-los. Essa leitura converge diretamente para a alternativa B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) explicita-se a necessidade de se admirar um pouco mais o futebol.
❌ Incorreta: inverte o sentido do poema. O texto não pede mais admiração pelo futebol — ele critica o fato de o vocabulário futebolístico ocupar espaço que deveria ser de outros temas. Ler o poema como um elogio ao futebol é cair na armadilha da leitura literal, ignorando o tom irônico.
B) critica-se o hábito dos espanhóis de nivelar temas como futebol e política.
✅ Correta: é exatamente o que a aproximação de vocabulários realiza no poema — ao afirmar (com exagero irônico) que os termos do futebol "bastam" para discutir política, ciência, civismo e paz, o eu lírico denuncia a redução do debate público sério ao patamar raso do léxico esportivo.
C) registra-se a quantidade insuficiente de palavras para se referir ao futebol.
❌ Incorreta: o poema afirma o contrário — que o vocabulário do futebol é mais do que suficiente (é justamente esse excesso de suficiência, aplicado a temas que não deveriam caber nele, que gera a ironia). Não há, em nenhum momento, reclamação sobre falta de palavras para falar de futebol.
D) explora-se o grande interesse dos hispânicos pelo futebol na atualidade.
❌ Incorreta: o poema não tem como foco descrever ou celebrar a paixão popular pelo futebol; o interesse futebolístico é usado apenas como ponto de partida para a crítica. O alvo do texto é o efeito desse interesse sobre a qualidade do discurso público, não o interesse em si.
E) mostra-se o fato de haver palavras sobre o futebol não incluídas no dicionário.
❌ Incorreta: distorce o referente do verso final. As "otras palabras" que ficam relegadas a "algún rincón del diccionario" são as palavras sérias e precisas (de política, ciência, civismo, paz), não vocabulário futebolístico esquecido — o poema não trata de lacunas lexicográficas do futebol.
🏆 Gabarito: B — o poema aproxima o vocabulário do futebol dos grandes temas públicos de forma irônica e exagerada, denunciando o hábito hispânico de nivelar/achatar política, ciência, civismo e paz ao léxico raso do esporte.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: Somente a alternativa B capta o tom irônico do poema — a aproximação entre futebol e temas sérios não é elogio nem lamento lexicográfico, mas denúncia de um nivelamento cultural.
- Padrão de cobrança: o ENEM (em Espanhol e também em Português) frequentemente traz poemas ou textos curtos cuja leitura literal leva a uma armadilha; a alternativa correta quase sempre exige captar o efeito de sentido (ironia, crítica, sátira) por trás da superfície do texto.
- Generalização: sempre que um texto poético apresentar uma afirmação exagerada ou "óbvia demais" (como "bastam essas poucas palavras para falar de tudo"), desconfie — esse exagero costuma ser sinal de ironia, e a resposta correta normalmente identifica a crítica escondida atrás do elogio aparente.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato as alternativas que tomam o poema ao pé da letra (aqui, C e E, que tratam de "falta de palavras" no sentido literal) e as que leem o texto como celebração do futebol (aqui, A e D); o que sobra tende a ser a leitura irônica/crítica, que é o padrão mais cobrado.
- Conexões: ironia como recurso argumentativo; crítica social pela linguagem poética; leitura de textos curtos em língua estrangeira (Espanhol/Inglês) com foco em efeito de sentido, não em tradução literal.
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