Mapa de questões · 1º dia
Questão 52 — ENEM 2022 PPLCaderno azul · 1º Dia
A morte de um homem negro em Minnesota, nos Estados Unidos, causou uma onda de indignação depois da divulgação de um vídeo que mostra um policial branco ajoelhado no pescoço dele. Nas imagens, o homem, identificado como George Floyd, de 40 anos, reclama e diz repetidamente: “Não consigo respirar”.
Caso George Floyd: morte de homem negro filmado com policial branco com joelhos em seu pescoço causa indignação nos EUA.
Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 11 nov. 2021 (adaptado).
Esse acontecimento motivou uma série de movimentos organizados de pressão por ações governamentais de combate à
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia (movimentos sociais e racismo estrutural) → diálogo com História (movimento negro e direitos civis nos EUA)
- ⚡ Nível: Fácil — o enunciado explicita o marcador racial do conflito (vítima negra, agente do Estado branco), exigindo reconhecimento direto do fato histórico, sem cálculos ou inferências complexas.
- 🎯 Tema/Habilidade: Racismo estrutural e mobilização social contemporânea (caso George Floyd / Black Lives Matter) — competência de área voltada à análise de conflitos sociais, cidadania e direitos humanos.
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O caso Floyd deflagrou protestos organizados para pressionar o governo a combater qual problema social?"
- Palavras-chave decisivas: homem negro, policial branco, ajoelhado no pescoço, "Não consigo respirar"
- Armadilha típica: deslocar o eixo do conflito para categorias vizinhas, porém erradas — confundir racismo com pobreza, xenofobia ou intolerância política, temas que também rondam o debate público americano.
- O que a resposta precisa demonstrar: identificar que o traço definidor do crime, explicitamente narrado, é a diferença de raça entre vítima e agente do Estado — e que a mobilização nasceu para combater esse traço.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Racismo estrutural: discriminação incorporada às instituições — polícia, justiça, mercado de trabalho —, e não apenas a atitudes de indivíduos isolados; produz resultados sistematicamente desiguais para grupos racializados, como a letalidade policial desproporcional contra pessoas negras nos EUA.
- Black Lives Matter (BLM): movimento criado em 2013 nos EUA após a absolvição do assassino do adolescente negro Trayvon Martin. Ganha escala mundial em 2020, com a morte de Floyd, tornando-se um dos maiores ciclos de protesto da história recente.
- Violência policial racializada: padrão documentado nos EUA em que policiais usam força letal contra negros em proporção muito superior à sua participação na população — pauta central das reformas exigidas (revisão de protocolos de contenção, responsabilização de agentes).
- Movimento social de pressão: ação coletiva organizada (passeatas, campanhas em redes sociais, litígio judicial) voltada a alterar política pública — aqui, pressionar governos por leis e protocolos antirracistas.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "morte de um homem negro... policial branco ajoelhado no pescoço dele" → o texto constrói deliberadamente o contraste racial (negro/branco) como dado central do crime, e não outro atributo da vítima ou do agressor.
- Evidência 2: "Não consigo respirar" (repetida) → frase que virou símbolo mundial de denúncia da violência policial contra a população negra — reforça que o repúdio popular girou em torno de como a vida negra é tratada pelo Estado.
- Evidência 3: "onda de indignação" + "movimentos organizados de pressão por ações governamentais" → indica que a reação não foi apenas emocional, mas virou exigência política concreta de mudança institucional.
- Síntese: as evidências convergem: crime com marcador racial explícito, slogan que denuncia o tratamento desigual da vida negra, resposta social que exige mudança de política pública. O nome preciso desse eixo será formalizado a seguir.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Reconstituindo o caso: quem foi George Floyd
Em 25 de maio de 2020, em Minneapolis (Minnesota, EUA), George Floyd foi abordado pela polícia sob suspeita de uso de nota falsa. O policial Derek Chauvin manteve o joelho sobre o pescoço de Floyd por cerca de nove minutos, mesmo com ele repetindo "eu não consigo respirar"; Floyd morreu na cena, já imobilizado. O episódio, filmado por uma testemunha, viralizou globalmente em poucas horas, expondo a desproporção do uso da força contra um homem negro que não oferecia resistência.
Subpasso 4.2 — Da indignação à mobilização: por que o mundo foi às ruas
O caso não foi lido como evento isolado, mas como mais um episódio de um padrão: mortes de negros pela polícia americana já haviam gerado revolta em casos como Eric Garner (2014, que também repetia "não consigo respirar"), Michael Brown (2014) e Breonna Taylor (2020). Essa repetição levou a sociedade civil a interpretar o caso Floyd como prova de racismo institucional, não como desvio isolado de um agente. Isso reacendeu o Black Lives Matter, com passeatas em centenas de cidades dos EUA e atos em dezenas de países — inclusive no Brasil —, exigindo reforma policial e políticas públicas antirracistas.
Subpasso 4.3 — Verificação: isolando o alvo comum das reivindicações
Um teste simples confirma o raciocínio: se trocássemos "homem negro" e "policial branco" por outro par — "imigrante indocumentado" e "agente de imigração", por exemplo —, a notícia ainda faria o mesmo sentido? Não: ela perderia exatamente o elemento que a torna esse caso específico, o marcador racial. Logo, o alvo comum das pautas do movimento (fim da violência policial desproporcional, reforma das corporações, revisão de leis) é o combate à discriminação racial — o que descreve a alternativa D.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) pobreza extrema.
❌ Incorreta: a desigualdade econômica nos EUA atinge desproporcionalmente famílias negras (o "racial wealth gap"), mas o enunciado não trata de carência material ou condições de vida — trata de um ato de violência institucional motivado pela raça da vítima. Confundir racismo com pobreza desloca o eixo do caso para uma consequência distante, não para o fato narrado.
B) prática xenofóbica.
❌ Incorreta: xenofobia é a aversão ou discriminação contra estrangeiros e imigrantes por sua origem nacional. George Floyd era cidadão norte-americano — não havia disputa sobre nacionalidade, fronteira ou status migratório. O conflito é interno à sociedade americana, entre grupos étnico-raciais do mesmo país.
C) intolerância política.
❌ Incorreta: intolerância política envolve perseguição por filiação partidária, ideologia ou posicionamento eleitoral. O texto não menciona partido, eleição ou disputa ideológica entre Floyd e o policial — o que os separa é a cor da pele, não a posição política.
D) discriminação racial.
✅ Correta: o texto contrapõe explicitamente "homem negro" a "policial branco" como núcleo do crime, e a frase-símbolo "não consigo respirar" tornou-se emblema mundial de denúncia da violência policial racializada. O Black Lives Matter e os demais movimentos mencionados nasceram e se reorganizaram justamente para pressionar governos por políticas de combate ao racismo institucional — à discriminação racial.
E) segregação religiosa.
❌ Incorreta: segregação religiosa supõe separação ou discriminação com base em crença ou culto. Não há, em nenhum ponto do enunciado, menção a religião ou perseguição confessional — o caso é integralmente racial, não religioso.
🏆 Gabarito: D — O caso George Floyd narra um crime com marcador racial explícito, que se tornou símbolo global do racismo estrutural nos EUA e catalisou movimentos como o Black Lives Matter, cuja pauta central foi pressionar governos por políticas de combate à discriminação racial.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que nomeia com precisão o eixo do conflito descrito — a diferença racial entre vítima e agressor estatal —, exatamente o que motivou a mobilização social narrada no texto.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente, na competência de área ligada a cidadania e direitos humanos, temas de relações étnico-raciais, ações afirmativas e movimentos sociais contemporâneos — tanto em questões objetivas quanto na redação (o tema de 2013, sobre o Estatuto da Igualdade Racial, é exemplo direto dessa linha).
- Generalização: em questões que narram um "caso" jornalístico, localize o marcador social explicitado pelo próprio texto — raça, gênero, religião, nacionalidade ou classe. Em geral é esse marcador que define a resposta certa; as alternativas erradas tentam substituí-lo por categoria ausente do enunciado.
- Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer alternativa que introduza categoria não mencionada no texto — religião sem menção a fé, nacionalidade quando a vítima é cidadã do próprio país, partido quando não há eleição ou ideologia em jogo.
- Conexões: racismo estrutural e ações afirmativas no Brasil (cotas raciais), violência policial racializada, movimentos de direitos civis nos EUA (1950-1960) como antecedente histórico do Black Lives Matter.
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