Mapa de questões · 1º dia
Questão 4 — ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia
Empanada
Overa en bayo claro,
vaquilla echada,
eres del vino tinto la camarada.
[…]
Vienes llena de pino,
cebolla y carne,
con pasas, huevo duro,
y aliño de hambre.
Con el primer mordisco
por una oreja,
se abre tu boca ardiente
como sorpresa.
Te la lleno de pebre
quedas picante
si te beso muy fuerte,
no me reclames.
Busco, loco, en tu vientre,
delicia oscura,
la traición exquisita
de tu aceituna.
[…]
Y repite el ataque
por andanadas:
Nadie queda con hambre
si hay empanadas.
ANTRIX, J. Disponível em: http://versado-en-la-cocina.blogspot.com.
Acesso em: 8 dez. 2018 (fragmento).
A gastronomia é uma das formas de expressão cultural de um povo. Nesse poema, ao personificar as empanadas, o escritor chileno Antrix
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Espanhol → Interpretação de texto poético, figuras de linguagem (personificação)
- ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer a personificação e o tom sensual/afetivo do poema para identificar sua função comunicativa, não apenas seu conteúdo lexical.
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento da função comunicativa de um texto literário (competência de área de Linguagens: compreender gêneros textuais em língua estrangeira e sua relação com aspectos culturais)
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Ao transformar a empanada em uma espécie de amante/mulher (personificação), qual é o efeito de sentido que o poeta chileno constrói sobre esse prato?"
- Palavras-chave decisivas: personificar, empanadas, expressão cultural
- Armadilha típica: fixar-se em palavras isoladas do poema (vino, pebre, aceituna, huevo duro) e escolher a alternativa que menciona um desses elementos pontuais (vinho, condimentos, ingredientes), perdendo de vista o sentido global do texto, que é celebrar/exaltar o prato como um todo.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de ler o poema como uma unidade de sentido — perceber que a personificação erótico-afetiva da empanada (comparada a uma mulher amada) é um recurso estilístico usado para engrandecer, valorizar, celebrar esse ícone da gastronomia hispânica, e não para listar ingredientes, etapas de preparo ou dar destaque isolado a um item.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Personificação (prosopopeia): figura de linguagem que atribui características e comportamentos humanos a seres inanimados ou não humanos. Aqui, a empanada recebe tratamento de "tú" (você), é chamada de "camarada", tem "boca", "vientre" (ventre) e provoca desejo e paixão no eu lírico.
- Linguagem conotativa/erótica como recurso de exaltação: o poeta usa vocabulário de sedução e paixão ("beso", "boca ardiente", "delicia oscura", "traición exquisita") não literalmente, mas para expressar admiração e prazer extremos diante do alimento — é um recurso comum na poesia gastronômica hispano-americana, que celebra a comida como se fosse um objeto de desejo.
- Gastronomia como identidade cultural: o enunciado já orienta a leitura ao afirmar que "a gastronomia é uma das formas de expressão cultural de um povo" — ou seja, a empanada funciona no poema como símbolo da cultura chilena/hispânica, e o texto constrói um elogio a esse símbolo.
- Função do fecho do poema: o verso final "Nadie queda con hambre / si hay empanadas" fecha o texto com uma afirmação categórica e positiva, reforçando o caráter de louvor, não de denúncia histórica de fome nem de instrução de receita.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "eres del vino tinto la camarada" → a empanada é tratada como companheira querida, alguém que se aprecia e valoriza — tom afetivo desde a primeira estrofe, não uma explicação técnica sobre o vinho.
- Evidência 2: "con el primer mordisco... se abre tu boca ardiente como sorpresa" / "si te beso muy fuerte, no me reclames" → linguagem de conquista amorosa e sensualidade aplicada ao ato de comer, transformando a degustação em uma cena de paixão — recurso estilístico de exaltação, não descrição de receita.
- Evidência 3: "Nadie queda con hambre / si hay empanadas" → conclusão triunfal do poema, uma espécie de "elogio final" que resume a mensagem: a empanada é motivo de satisfação plena e celebração.
- Síntese: as três evidências mostram uma progressão de crescente admiração e prazer, culminando numa afirmação de exaltação. O poema não tem estrutura de receita, não centraliza o vinho nem os condimentos como tema principal, e não discute fome histórica — ele usa a personificação amorosa para engrandecer a empanada como ícone da culinária hispânica.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o recurso central do poema
O texto de Antrix personifica a empanada ao longo de toda a composição: ela é tratada na segunda pessoa ("tú/te"), comparada a uma "vaquilla" (novilha) e a uma "camarada" do vinho tinto, e depois descrita com partes de corpo humano ("oreja", "boca", "vientre"). Esse tratamento não é neutro — carrega forte carga afetiva e sensual, típica da linguagem de sedução/paixão amorosa.
Subpasso 4.2 — Analisar o efeito de sentido dessa personificação
Ao descrever o ato de comer a empanada com verbos e imagens de beijo, mordida, ardência e "traição exquisita", o poeta constrói uma cena de prazer intenso, quase erótica, entre o eu lírico e o alimento. Esse exagero poético (hipérbole somada à personificação) tem a função retórica de exaltar o prato: transformar uma comida cotidiana em objeto de desejo e celebração é uma forma de dizer "este prato é extraordinário, indispensável, motivo de alegria". Não é uma descrição técnica de preparo (não há sequência de "primeiro faça isso, depois aquilo"), não é um tratado sobre o vinho (citado uma única vez, de passagem) e não é um resgate histórico de períodos de fome.
Subpasso 4.3 — Verificação
O verso final — "Nadie queda con hambre si hay empanadas" — confirma a leitura: é uma síntese conclusiva e elogiosa, coerente apenas com a ideia de que o poema enaltece (valoriza, celebra, engrandece) a empanada como símbolo da culinária hispânica. Essa conclusão bate exatamente com a alternativa A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) enaltece esse prato da culinária hispânica.
✅ Correta: a personificação erótico-afetiva, do início ao fim do poema, funciona como recurso de exaltação — o eu lírico trata a empanada com paixão, desejo e admiração, culminando na celebração final de que "ninguém fica com fome havendo empanadas". O efeito global do texto é engrandecer o prato como ícone cultural.
B) descreve algumas etapas de preparação dessa receita.
❌ Incorreta: embora ingredientes sejam citados ("pino, cebolla y carne, con pasas, huevo duro"), o poema não apresenta uma sequência de ações de preparo (não há verbos de instrução como "misture", "asse", "recheie"); os ingredientes aparecem como parte da caracterização sensorial e afetiva da empanada, não como um passo a passo culinário.
C) destaca a importância do vinho na alimentação hispânica.
❌ Incorreta: o vinho é mencionado apenas uma vez, na primeira estrofe ("eres del vino tinto la camarada"), como um detalhe de comparação — não é o tema do poema nem recebe desenvolvimento posterior. Superestimar essa única referência ignora o restante do texto, majoritariamente dedicado à empanada em si.
D) resgata o papel histórico desse alimento em tempos de fome.
❌ Incorreta: não há qualquer referência a contexto histórico, época de escassez ou fome real — a menção a "hambre" no verso final é usada em sentido figurado e positivo (satisfação plena, "ninguém fica com fome"), não como resgate de um passado difícil.
E) evidencia a relevância de alguns condimentos na cozinha hispânica.
❌ Incorreta: o "pebre" (molho picante chileno) é citado de forma pontual ("te la lleno de pebre, quedas picante"), mas apenas como parte da cena de intensificação do prazer/ardência, sem que o poema se detenha em explicar ou valorizar tecnicamente os condimentos hispânicos.
🏆 Gabarito: A — o poema personifica a empanada em tom apaixonado e sensual do início ao fim, e essa estratégia estilística tem a função de enaltecer/celebrar o prato como símbolo da gastronomia hispânica, culminando na afirmação final de que ela sacia plenamente quem a experimenta.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente a alternativa A capta o efeito de sentido global do texto — as demais alternativas (B, C, D, E) se prendem a detalhes pontuais (ingredientes, vinho, condimentos, a palavra "hambre") sem perceber que a personificação funciona, do começo ao fim, como elogio ao prato.
- Padrão de cobrança: o ENEM de Espanhol frequentemente traz poemas, crônicas ou textos curtos sobre culinária, tradições e costumes hispânicos, pedindo que o candidato identifique a função comunicativa do texto (informar, criticar, elogiar, ironizar) e não apenas seu conteúdo literal.
- Generalização: em questões de interpretação poética, sempre pergunte "qual é o efeito criado pelo recurso estilístico (metáfora, personificação, hipérbole) sobre o objeto/tema do texto?" — a resposta certa costuma nomear esse efeito global (elogiar, criticar, ironizar, emocionar), enquanto as erradas mencionam apenas trechos ou palavras isoladas do poema.
- Dica de eliminação rápida: elimine imediatamente alternativas que citam um único elemento textual específico (vinho, condimentos, um verso isolado) quando o poema como um todo constrói um sentido mais amplo — em textos literários curtos, a resposta certa quase sempre resume a mensagem geral, não um detalhe pontual.
- Conexões: compare com questões de Português/Literatura sobre personificação em poemas (ex.: "Ode ao pão" ou odes gastronômicas em geral) e com questões de Espanhol sobre textos culturais que tratam a culinária como identidade nacional — ambos exploram a mesma competência de ler além do sentido literal.
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