Mapa de questões · 1º dia
Questão 71 — ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia
No sistema capitalista, as muitas manifestações de crise criam condições que forçam a algum tipo de racionalização. Em geral, essas crises periódicas têm o efeito de expandir a capacidade produtiva e de renovar as condições de acumulação. Podemos conceber cada crise como uma mudança do processo de acumulação para um nível novo e superior.
HARVEY, D. A produção capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2005 (adaptado).
A condição para a inclusão dos trabalhadores no novo processo produtivo descrito no texto é a
Alternativas
Resolução em Vídeo
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Reestruturação produtiva, globalização e mundo do trabalho
- ⚡ Nível: Médio — exige articular a teoria de David Harvey sobre crises do capital com o conceito de flexibilização do trabalho, e não apenas interpretar o texto literalmente
- 🎯 Tema/Habilidade: Reestruturação produtiva do capitalismo e novas exigências sobre o trabalhador (Competência de Área 5 — analisar transformações do espaço geográfico decorrentes do processo de produção)
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Segundo o texto de Harvey, o que o trabalhador precisa ter para continuar empregado depois que a crise reorganiza a produção em um patamar superior?"
- Palavras-chave decisivas: racionalização, novo e superior, inclusão dos trabalhadores
- Armadilha típica: associar "crise capitalista" a temas políticos ou sindicais (associação sindical, participação eleitoral), ignorando que o texto fala de reorganização da produção, não de reorganização política dos trabalhadores.
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que crises geram saltos tecnológicos e organizacionais na produção, e a permanência do trabalhador nesse novo patamar depende de sua capacidade de acompanhar essas mudanças técnicas.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Crises cíclicas do capitalismo: para autores marxistas como Harvey, as crises são "destruição criadora": eliminam estruturas produtivas obsoletas e abrem caminho para métodos mais eficientes, elevando o patamar de acumulação de capital.
- Reestruturação produtiva: processo, intensificado desde a crise do fordismo nos anos 1970, de reorganização das empresas via automação, terceirização, flexibilização de contratos e novas tecnologias (ex.: toyotismo), para recuperar taxas de lucro após uma crise.
- Qualificação profissional como exigência estrutural: cada "novo nível" de acumulação exige novas competências técnicas (domínio de máquinas, multifuncionalidade, tecnologia da informação). Quem não se qualifica é excluído, alimentando o desemprego estrutural típico das crises.
- Inclusão produtiva x inclusão política: o texto trata da lógica interna da produção (como o capital se reorganiza), não de representação política dos trabalhadores (sindicatos, eleições) — essa distinção é o cerne da questão.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "essas crises periódicas têm o efeito de expandir a capacidade produtiva" → a crise não paralisa a produção, mas a impulsiona para um patamar tecnológico e organizacional superior ao anterior.
- Evidência 2: "Podemos conceber cada crise como uma mudança do processo de acumulação para um nível novo e superior" → confirma ruptura qualitativa: o processo produtivo pós-crise é mais avançado e mais exigente tecnicamente.
- Síntese: se a produção fica mais avançada após cada crise, o trabalhador só permanece inserido se acompanhar essa evolução técnica — ou seja, se qualificar-se profissionalmente para os novos métodos, máquinas e formas de organização do trabalho.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que o texto realmente descreve
Harvey, geógrafo marxista, discute em A produção capitalista do espaço como as crises funcionam como mecanismo de "autocorreção" do capitalismo. Longe de significar apenas colapso, a crise obriga o sistema a se racionalizar: empresas menos eficientes quebram, capitais se concentram, novas tecnologias e formas de gestão do trabalho são adotadas para restaurar a lucratividade. O resultado é um processo produtivo em "nível novo e superior" — mais produtivo, automatizado e competitivo.
Subpasso 4.2 — Conectar a reorganização produtiva à condição do trabalhador
Se a produção se reorganiza em patamar tecnicamente superior, as funções de trabalho mudam: surgem novas máquinas, processos e exigências de multifuncionalidade (como na passagem do fordismo rígido ao toyotismo flexível, ou hoje com a automação e digitalização). O trabalhador que domina só as técnicas do "nível anterior" corre risco de obsolescência. Logo, a qualificação profissional — o aprendizado contínuo de novas competências técnicas — é a condição que permite acompanhar a reorganização do capital e seguir absorvido pelo mercado de trabalho.
Subpasso 4.3 — Verificação
Comparando com as alternativas, apenas "qualificação profissional" (D) atua diretamente sobre a capacidade técnica do indivíduo de operar dentro do novo processo produtivo descrito no texto. As demais (sindicalismo, voto, migração, regulamentação) tratam de dimensões políticas, jurídicas ou geográficas externas à lógica técnica da produção que Harvey descreve, confirmando a letra D.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) associação sindical.
❌ Incorreta: o sindicalismo é instrumento de organização política e defesa de direitos trabalhistas, mas não determina se o trabalhador tem, tecnicamente, as competências exigidas pelo novo processo produtivo. O texto fala de exigência interna à produção, não de representação coletiva de interesses.
B) participação eleitoral.
❌ Incorreta: votar é direito e dever cívico ligado à esfera político-institucional do Estado. Não há, no texto, relação entre o exercício do voto e a capacidade de o trabalhador se inserir num processo produtivo tecnicamente renovado.
C) migração internacional.
❌ Incorreta: a migração pode até ocorrer como consequência de crises econômicas, mas não é a condição descrita no texto para a inclusão no "novo processo produtivo". O texto trata de exigências técnicas da produção, não de deslocamento geográfico da força de trabalho.
D) qualificação profissional.
✅ Correta: como a crise eleva a acumulação a "um nível novo e superior", o processo produtivo passa a demandar técnicas, ferramentas e conhecimentos mais avançados. Só permanece inserido nesse processo quem se atualiza tecnicamente — ou seja, quem possui qualificação profissional compatível com as novas exigências da produção.
E) regulamentação funcional.
❌ Incorreta: regulamentação funcional refere-se a normas jurídicas que definem cargos, funções e direitos trabalhistas — questão legal-institucional, não a capacidade técnica exigida para operar no processo produtivo renovado que Harvey descreve.
🏆 Gabarito: D — a inclusão do trabalhador no processo produtivo reorganizado por uma crise capitalista depende de sua capacidade técnica de acompanhar as novas exigências da produção, isto é, de sua qualificação profissional.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a qualificação profissional atua sobre a variável que o texto discute — a capacidade técnica de operar no "nível novo e superior" de acumulação criado pela crise; as demais alternativas pertencem a esferas política, jurídica ou geográfica alheias ao argumento de Harvey.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente textos de geógrafos e sociólogos (Harvey, Milton Santos, Ricardo Antunes) sobre reestruturação produtiva, toyotismo, flexibilização do trabalho e desemprego estrutural, sempre associando crises econômicas a novas exigências de qualificação da força de trabalho.
- Generalização: em questões sobre crises do capitalismo e mundo do trabalho, a resposta correta quase sempre remete à adaptação técnica do trabalhador (qualificação, flexibilidade, multifuncionalidade) para não ser excluído pelo avanço da produção.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas de política institucional (voto, sindicato, regulamentação legal) quando o texto-base fala exclusivamente da lógica técnica/econômica da produção.
- Conexões: toyotismo x fordismo, desemprego estrutural e tecnológico, Terceira Revolução Industrial.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.