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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 12ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia

TEXTO I

Questão 012 - ENEM 2019 -

TEXTO II

Quadrinista surda faz sucesso na CCXP com narrativas silenciosas

A área de artistas independentes da Comic Con Experience (CCXP) deste ano é a maior da história do evento geek, são mais de 450 quadrinistas e ilustradores no Artists’ Alley.

E a diversidade vai além do estilo do estilo das HQs. Em uma das mesas na fila F senta a quadrinista com deficiência auditiva Ju Loyola, com suas histórias que classifica como “narrativas silenciosas”. São histórias que podem ser compreendidas por crianças e adultos, e pessoas de qualquer nacionalidade, pelos simples motivo de não terem uma única palavra.

A artista não escreve roteiros convencionais para suas obras. Sua experiência de ter que entender a comunicação pelo que vê faz com que ela se identifique muito mais com o que observa do que o que as pessoas dizem.

E basta folhear suas obras que fica claro que elas não são histórias em quadrinhos que perderam as palavras, mas sim que ganharam uma nova perspectiva.

Disponível em: https://catracalivre.com.br. Acesso em: 8 dez. 2018 (adaptada)

O Texto I exemplifica a obra de uma artista surda, que promove uma experiência de leitura inovadora, divulgada no Texto II. Independentemente de seus objetivos, ambos os textos:

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura e interpretação de texto multimodal (imagem + reportagem)
  • ⚡ Nível: Médio — exige cruzar a leitura de uma HQ muda (linguagem não verbal) com um texto jornalístico para encontrar o ponto de convergência abstrato entre os dois
  • 🎯 Tema/Habilidade: Linguagem não verbal e acessibilidade — reconhecer a função social de diferentes linguagens e suportes textuais
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que Texto I (a HQ muda) e Texto II (a reportagem sobre a autora) têm em comum, mesmo tendo formatos e finalidades diferentes?"
  • Palavras-chave decisivas: independentemente de seus objetivos, ambos os textos, narrativas silenciosas
  • Armadilha típica: escolher uma alternativa que descreve bem só um dos textos (como C, que fala de "sucesso de um evento", algo que só o Texto II menciona) em vez de buscar o que é comum aos dois
  • O que a resposta precisa demonstrar: uma característica que se aplique simultaneamente à HQ (produto) e à reportagem (discurso sobre o produto), não apenas a um deles

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Linguagem verbal x não verbal: linguagem verbal usa palavras (escritas ou faladas); linguagem não verbal comunica por imagens, cores, expressões e composição visual, sem depender de nenhum idioma específico.
  • Multimodalidade: textos que combinam ou dialogam com diferentes sistemas de linguagem (aqui, uma tira de quadrinhos sem palavras dialogando com uma notícia escrita) para construir sentido de forma complementar.
  • Acessibilidade comunicacional: conjunto de estratégias que eliminam barreiras de comunicação (auditivas, linguísticas, de letramento) para que qualquer pessoa consiga compreender uma mensagem, independentemente de sua condição ou idioma.
  • Intertextualidade temática: dois textos de gêneros distintos (HQ e reportagem) podem compartilhar o mesmo eixo de sentido mesmo sem se citarem diretamente, quando um exemplifica o que o outro descreve.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (imagem — Texto I): a tira "A promessa da felicidade" traz seis quadros com uma personagem de chapéu de palha, uma silhueta, o close de um olho e uma flor que floresce, terminando em duas cenas de emoção (riso, surpresa) — tudo contado apenas por desenhos, sem nenhum balão de fala ou legenda explicativa, exceto o título.
  • Evidência 2 (Texto II): "narrativas silenciosas... que podem ser compreendidas por crianças e adultos, e pessoas de qualquer nacionalidade, pelo simples motivo de não terem uma única palavra" → a reportagem explica exatamente por que a ausência de palavras é uma vantagem: ela derruba barreiras de idioma e de letramento.
  • Evidência 3 (Texto II): a artista é "surda" e relata que "sua experiência de ter que entender a comunicação pelo que vê" molda seu processo criativo → a própria condição de Ju Loyola — que compreende o mundo visualmente — está na origem de uma linguagem que também inclui quem não ouve.
  • Síntese: a HQ (Texto I) é a prova concreta de uma narrativa sem palavras, universalmente legível; a reportagem (Texto II) é o discurso que nomeia e explica essa característica. Juntos, os dois textos mostram — na prática e na teoria — como a ausência de palavras torna a comunicação acessível a públicos que normalmente enfrentariam barreiras (surdos, estrangeiros, crianças ainda não alfabetizadas).

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a natureza de cada texto

Texto I é a própria obra: uma tirinha de seis quadros, sem uma única palavra de diálogo, apenas com título em português e inglês e a assinatura da autora. Texto II é uma reportagem que apresenta essa obra ao leitor, explicando quem é a artista, como ela cria e por que suas histórias são chamadas de "narrativas silenciosas".

Subpasso 4.2 — Encontrar o eixo comum entre um texto que "faz" e um texto que "explica"

Como o comando pede o que une os dois textos "independentemente de seus objetivos" (um objetivo estético/narrativo, outro jornalístico/informativo), a resposta não pode se apoiar em detalhes exclusivos de um deles (como "sucesso de evento", que só está em Texto II, ou "roteiros", termo que a reportagem usa para dizer que a autora não escreve roteiros convencionais). É preciso subir um nível de abstração: o que a HQ realiza e o que a reportagem descreve apontam para o mesmo fenômeno — uma linguagem visual que qualquer pessoa entende, sem depender de domínio de um idioma ou da capacidade auditiva.

Subpasso 4.3 — Verificação

Ao reler o trecho "podem ser compreendidas por crianças e adultos, e pessoas de qualquer nacionalidade, pelo simples motivo de não terem uma única palavra", confirma-se que a marca central dos dois textos é derrubar barreiras de comunicação — ou seja, ampliar o acesso à narrativa para públicos diversos (inclusive surdos, como a própria autora). Isso corresponde exatamente ao conceito de acessibilidade, confirmando a alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) incentivam a produção de roteiros compostos por imagens.

❌ Incorreta: o Texto II afirma justamente que Ju Loyola "não escreve roteiros convencionais", e nenhum dos dois textos convoca outros artistas a produzirem roteiros em imagens. Texto I apenas exemplifica sua própria obra, e Texto II apenas relata esse fato — não há função de "incentivo" a terceiros em nenhum dos dois.

B) colaboram para a valorização de enredos românticos.

❌ Incorreta: nada na tira "A promessa da felicidade" (uma cena de flor, olhar e emoção) indica um enredo romântico específico, e a reportagem tampouco discute esse gênero. A alternativa generaliza indevidamente o conteúdo emocional da HQ como "romance".

C) revelam o sucesso de um evento de cartunistas.

❌ Incorreta: o "sucesso" da CCXP é mencionado apenas no Texto II ("a maior [área] da história do evento"), como pano de fundo jornalístico. O Texto I, a própria tira, nada revela sobre o evento — ele existe independentemente da CCXP. Essa alternativa descreve só metade do par de textos, não os "ambos" exigidos pelo comando.

D) contribuem com o processo de acessibilidade.

✅ Correta: o Texto I demonstra, na prática, uma narrativa compreensível sem palavras — acessível a surdos, estrangeiros e não alfabetizados. O Texto II nomeia e explica esse efeito ("narrativas silenciosas... compreendidas por... pessoas de qualquer nacionalidade"). Os dois convergem para o mesmo processo: eliminar barreiras de comunicação, o núcleo do conceito de acessibilidade.

E) questionam o padrão tradicional das HQs.

❌ Incorreta: o próprio Texto II desfaz essa leitura ao afirmar que as histórias de Ju Loyola "não são histórias em quadrinhos que perderam as palavras, mas sim que ganharam uma nova perspectiva" — ou seja, os textos ampliam e reinterpretam a linguagem dos quadrinhos, não questionam ou criticam o modelo tradicional como algo errado.

🏆 Gabarito: D — Texto I e Texto II, cada um a seu modo (mostrando e explicando), evidenciam como uma narrativa sem palavras se torna acessível a públicos que enfrentam barreiras de idioma, letramento ou audição.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa D descreve algo válido para os dois textos ao mesmo tempo — a HQ pratica a acessibilidade, a reportagem a explicita.
  • Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente cruza uma imagem/obra (Texto I) com um texto verbal que comenta essa obra (Texto II), pedindo o elo de sentido entre os dois — é a chamada leitura intertextual/multimodal, comum em questões de Linguagens.
  • Generalização: quando o comando pede o que é comum a "ambos os textos", elimine primeiro qualquer alternativa que só faça sentido para um deles; a resposta certa precisa sobreviver à leitura simultânea dos dois.
  • Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer alternativa que cite um detalhe exclusivo de apenas um dos textos (aqui, "sucesso do evento" só está em Texto II) e qualquer alternativa que contrarie uma afirmação explícita do texto (aqui, "roteiros" e "questionam o padrão" são contradições diretas do que a reportagem diz).
  • Conexões: o tema dialoga com questões sobre Libras, audiodescrição e design universal, além de questões clássicas sobre linguagem verbal x não verbal em charges, tirinhas e infográficos.

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