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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 18ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia

O que é software livre

Software Livre é qualquer programa de computador construído de forma colaborativa, via internet, por uma comunidade internacional de desenvolvedores independentes. São centenas de milhares de hackers, que negam sua associação com os “violadores de segurança”. Esses desenvolvedores de software se recusam a reconhecer o significado de pejorativo do termo e continuam usando a palavra hacker para indicar “alguém que ama programar e que gosta de ser hábil e engenhoso”.

Além disso, esses programas são entregues à comunidade com código fonte aberto e disponível, permitindo que a ideia original possa ser aperfeiçoada e devolvida novamente à comunidade. Nos programas convencionais, o código de programação é secreto  de propriedade da empresa que o desenvolveu, sendo quase impossível decifrar a programação.

O que está em jogo é o controle da inovação tecnológica. Software livre é uma questão de liberdade de expressão e não apenas uma relação econômica. Hoje existem milhares de programas alternativos construídos dessa forma e uma comunidade de usuários com milhões de membros no mundo.

BRANCO, M. Software livre e desenvolvimento social e económico. In: CASTELLS, M.; CARDOSO, G. (Org).
A sociedade em rede: do conhecimento à acção política. Lisboa: imprensa Nacional, 2005 (adaptado).

A criação de softwares livres contribui para produção do conhecimento na sociedade porque

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto argumentativo/dissertativo
  • ⚡ Nível: Fácil — a tese central do texto é declarada de forma direta e a alternativa correta apenas parafraseia essa ideia, sem exigir inferências complexas
  • 🎯 Tema/Habilidade: Leitura crítica de texto sobre tecnologia e sociedade — reconhecer relações de causa e efeito entre práticas colaborativas e produção/circulação do conhecimento
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo o texto, por que a criação de software livre ajuda a sociedade a produzir conhecimento?"
  • Palavras-chave decisivas: software livre, produção do conhecimento, porque
  • Armadilha típica: confundir "quem usa/desenvolve" (foco em pessoas e profissões, como nas alternativas C e E) com "o que o modelo produz coletivamente" (foco no bem gerado, que é o que a pergunta pede)
  • O que a resposta precisa demonstrar: a alternativa certa precisa explicar o mecanismo pelo qual o software livre gera conhecimento compartilhado — não basta falar sobre hackers, sistemas operacionais ou coleta de dados; é preciso ligar a colaboração aberta ao acesso coletivo ao que foi produzido

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Software livre: programa construído de forma colaborativa e aberta, cujo código-fonte fica disponível para qualquer pessoa consultar, usar, modificar e redistribuir — diferente do software proprietário, cujo código é sigiloso e pertence a uma empresa.
  • Produção coletiva/colaborativa de conhecimento: conhecimento que não nasce de um único autor isolado, mas é construído, revisado e aperfeiçoado por uma comunidade em rede, que devolve o resultado aprimorado para todos usarem.
  • Democratização do acesso: processo pelo qual um bem (aqui, o código-fonte e os programas dele derivados) deixa de ser restrito a poucos (empresas, especialistas) e passa a estar disponível a um público amplo, ampliando quem pode usar e se beneficiar dele.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "construído de forma colaborativa, via internet, por uma comunidade internacional de desenvolvedores independentes" → mostra que o processo de criação já é coletivo, não individual ou corporativo.
  • Evidência 2: "esses programas são entregues à comunidade com código fonte aberto e disponível, permitindo que a ideia original possa ser aperfeiçoada e devolvida novamente à comunidade" → é a peça-chave: o produto final (o código, o conhecimento nele embutido) circula livremente e volta melhorado para todos, num ciclo de acesso aberto.
  • Síntese: o texto contrasta esse modelo aberto com o software proprietário, "de propriedade da empresa que o desenvolveu, sendo quase impossível decifrar a programação" — ou seja, o ganho social do software livre está justamente em tornar público (democratizar) algo que, no modelo tradicional, ficaria trancado. Essa oposição aberto × fechado é o fio condutor que leva à resposta.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a tese do texto

O texto define software livre por dois traços centrais: (1) é feito coletivamente, por uma comunidade, e (2) o código-fonte fica aberto e disponível para qualquer pessoa acessar, estudar e aprimorar. O autor reforça que isso é "uma questão de liberdade de expressão e não apenas uma relação econômica", situando o tema no campo do acesso e da circulação de ideias — não no campo do mercado de trabalho ou da complexidade técnica.

Subpasso 4.2 — Conectar a tese à pergunta

A pergunta pede a razão pela qual esse modelo contribui para a produção do conhecimento. Pela lógica do texto: quando o código é aberto, qualquer pessoa da comunidade pode estudá-lo, usá-lo e melhorá-lo, e o resultado aprimorado retorna ao coletivo. Esse ciclo só funciona porque o acesso ao que foi construído é democratizado — ninguém precisa comprar uma licença secreta nem pedir autorização a uma empresa para consultar o produto. É essa abertura de acesso que permite que o conhecimento se acumule e se multiplique coletivamente.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando com as alternativas, apenas a opção A traduz exatamente esse mecanismo: "democratiza o acesso a produtos construídos coletivamente". Ela une os dois elementos centrais do texto — construção coletiva e acesso amplo/democrático — sem extrapolar para temas que o texto não sustenta (mercado de trabalho, complexidade de sistemas, coleta de dados). A resposta está confirmada.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) democratiza o acesso a produtos construídos coletivamente.

✅ Correta: sintetiza com precisão a lógica do texto — o software livre é feito por uma comunidade e devolvido a ela com código aberto, o que amplia (democratiza) quem pode acessar, usar e aperfeiçoar esse conhecimento, gerando um ciclo virtuoso de produção coletiva.

B) complexifica os sistemas operacionais no mercado.

❌ Incorreta: o texto não trata de complexidade técnica dos sistemas; fala de abertura e colaboração. Além disso, "complexificar" não é apresentado como um valor ou consequência positiva do software livre — é uma informação inventada que não consta do texto.

C) qualifica um maior número de pessoas para o uso de tecnologias.

❌ Incorreta: o texto fala em acesso ao código-fonte e à sua melhoria colaborativa, não em capacitação ou qualificação técnica de usuários. Confunde "ter acesso ao produto" com "ser treinado para usá-lo", ideia ausente do texto.

D) possibilita a coleta de dados confidenciais para seus desenvolvedores.

❌ Incorreta: contraria o espírito do texto, que associa software livre a transparência e liberdade, não a sigilo ou apropriação de dados — essa característica, aliás, é mais próxima do que o texto critica no modelo proprietário fechado.

E) insere profissionalmente os hackers na área de inovação tecnológica.

❌ Incorreta: o texto reabilita o termo "hacker" (alguém que ama programar), mas não fala de inserção profissional nem de mercado de trabalho; o foco do trecho é a liberdade de expressão e a construção coletiva do conhecimento, não a empregabilidade.

🏆 Gabarito: A — o software livre contribui para a produção do conhecimento porque democratiza o acesso a algo construído coletivamente: o código aberto permite que a comunidade toda use, estude e aperfeiçoe o que foi feito em conjunto, exatamente o mecanismo descrito no texto.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa A une os dois pilares do texto — construção coletiva e acesso aberto — sem acrescentar informação que o texto não sustenta; por isso é a única resposta possível.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma trazer textos sobre tecnologia, internet e cultura digital para testar se o candidato entende argumentos sobre acesso à informação, colaboração e democratização do conhecimento — sempre exigindo que a resposta reflita a tese central do autor, não um detalhe periférico.
  • Generalização: em questões de interpretação com pergunta do tipo "porque...", a alternativa certa é a que reformula a relação de causa e efeito já explícita no texto — desconfie de opções que introduzem termos ou consequências que não aparecem em nenhum trecho do enunciado.
  • Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer alternativa que fale de algo negativo ou neutro sem relação com "conhecimento coletivo" (como B e D, que contradizem o tom elogioso do texto) e qualquer opção que desvie o foco para pessoas/profissões em vez do produto compartilhado (C e E).
  • Conexões: o mesmo raciocínio aparece em textos sobre cultura livre, licenças Creative Commons e economia colaborativa — sempre relacionando abertura de acesso à ampliação da produção e circulação de conhecimento.

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