Mapa de questões · 1º dia
Questão 77 — ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia

Fala-se aqui de uma arte criada nas ruas e para as ruas, marcadas antes de tudo pela vida cotidiana, seus conflitos e suas possibilidades, que poderiam envolver técnicas, agentes e temas que não fossem encontrados nas instituições mais tradicionais e formais.
VALVERDE, R. R. H. F. Os limites da inversão: a heterotopia do Beco do Batman.
Boletim Goiano de Geografia (Online). Goiânia, v. 37, n. 2, maio/ago. 2017 (adaptado).
A manifestação artística expressa na imagem e apresentada no texto integra um movimento contemporâneo de
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia Urbana e produção social do espaço
- ⚡ Nível: Fácil — o texto e a imagem convergem diretamente para a mesma ideia, sem exigir dados externos complexos
- 🎯 Tema/Habilidade: Arte urbana como forma de apropriação e ressignificação do espaço público (Competência de área 5 — dinâmica do espaço geográfico e das paisagens)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Identifique a que movimento contemporâneo pertence a arte de rua descrita e mostrada na imagem."
- Palavras-chave decisivas: arte criada nas ruas e para as ruas, vida cotidiana, instituições mais tradicionais e formais
- Armadilha típica: confundir "movimento contemporâneo" com algo institucional ou de preservação (como restauro de patrimônio histórico) só porque a imagem mostra um beco antigo e pichado
- O que a resposta precisa demonstrar: que a arte urbana descrita ocupa e transforma espaços da cidade que não pertencem tradicionalmente ao circuito formal da arte (museus, galerias, academias)
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Espaço público: ruas, becos, muros, praças — áreas de uso coletivo, abertas e não controladas por uma instituição de arte específica, onde qualquer pessoa transita e pode intervir.
- Arte urbana/street art: manifestação artística (grafite, pichação, murais, intervenções) que usa o espaço da cidade como suporte e como público, rompendo com a lógica de circulação restrita da arte "de museu".
- Heterotopia (conceito citado na fonte): noção de Michel Foucault para espaços "outros", que contrastam e questionam a ordem espacial dominante — um beco pichado se torna um lugar de exceção dentro da cidade normatizada.
- Apropriação do espaço: processo pelo qual grupos sociais (aqui, artistas urbanos) tomam posse simbólica e material de um lugar público, imprimindo nele sua marca, identidade e discurso.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "uma arte criada nas ruas e para as ruas" → a origem e o destino da obra são o espaço público urbano, não uma instituição fechada.
- Evidência 2: "marcadas antes de tudo pela vida cotidiana, seus conflitos e suas possibilidades" → a arte dialoga com o dia a dia da cidade e de quem a habita, e não com um cânone estético distante.
- Evidência 3: "técnicas, agentes e temas que não fossem encontrados nas instituições mais tradicionais e formais" → reforça o contraste com museus, academias e galerias — o movimento nasce fora, e à margem, dos circuitos oficiais.
- Evidência visual (imagem): o beco fotografado — provavelmente o Beco do Batman, em São Paulo — mostra um muro inteiro coberto por grafites coloridos e o meio-fio com a inscrição "vera cidade", um jogo de palavras que evoca a apropriação simbólica daquele trecho da cidade pelos artistas.
- Síntese: texto e imagem apontam, juntos, para o mesmo fenômeno — coletivos e artistas ocupando ruas, becos e muros (espaços públicos comuns, não monumentos) e transformando-os em suporte de expressão artística e identitária.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o fenômeno descrito
O texto de Valverde descreve a arte de rua (grafite) como algo que nasce "nas ruas e para as ruas", tratando da vida cotidiana e usando agentes, técnicas e temas alheios às instituições formais. Isso caracteriza um movimento em que artistas tomam posse de superfícies urbanas — muros, becos, viadutos — que originalmente não têm função artística e as convertem em espaço de expressão coletiva.
Subpasso 4.2 — Cruzar com a imagem
A fotografia reforça exatamente esse ponto: um beco comum, com muro extenso coberto por grafite e a frase "vera cidade" grafada no meio-fio. Não há indício de restauro histórico, de regulamentação estatal da conduta social ou de padronização estética — pelo contrário, há uma diversidade de estilos, cores e figuras no mesmo muro, sinal de múltiplos agentes atuando livremente naquele espaço público.
Subpasso 4.3 — Verificação
Ao comparar a síntese ("artistas ocupam espaços públicos comuns e os ressignificam com arte") com as cinco alternativas, apenas a opção que fala em "apropriação dos espaços públicos" traduz com precisão o fenômeno descrito no texto e mostrado na imagem — sem inserir elementos que o texto não afirma, como regulação, padronização, formalismo estético ou patrimônio histórico.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) regulação das relações sociais.
❌ Incorreta: a arte urbana descrita não regula ou normatiza o convívio social — ao contrário, ela costuma tensionar e questionar normas, ocupando espaços à margem do controle institucional. "Regulação" sugere ordenamento, e o texto fala justamente do oposto: agentes, técnicas e temas fora do que é formalmente estabelecido.
B) apropriação dos espaços públicos.
✅ Correta: o texto define a arte de rua como criada "nas ruas e para as ruas", e a imagem mostra artistas ocupando um beco e seus muros com grafite, imprimindo ali sua marca ("vera cidade"). Esse é o núcleo do movimento contemporâneo de street art: tomar posse simbólica de ruas, becos e muros — espaços de todos — e transformá-los em suporte artístico e de identidade coletiva.
C) padronização das culturas urbanas.
❌ Incorreta: o texto valoriza justamente a pluralidade — "técnicas, agentes e temas" diversos, distintos do que já é reconhecido pelas instituições formais. A imagem confirma isso com estilos visuais variados convivendo no mesmo muro. Padronização é o contrário da diversidade descrita.
D) valorização dos formalismos estéticos.
❌ Incorreta: o enunciado afirma explicitamente que a arte de rua envolve "técnicas, agentes e temas que não fossem encontrados nas instituições mais tradicionais e formais" — ou seja, ela se define justamente por romper com o formalismo estético consagrado, não por valorizá-lo.
E) revitalização dos patrimônios históricos.
❌ Incorreta: nem o texto nem a imagem tratam de restauro ou preservação de um bem histórico tombado. O beco retratado não é apresentado como patrimônio a ser recuperado, mas como espaço cotidiano e comum da cidade, ocupado espontaneamente pela arte urbana.
🏆 Gabarito: B — o texto e a imagem descrevem artistas urbanos ocupando e ressignificando ruas, becos e muros — espaços públicos comuns —, o que caracteriza precisamente o movimento contemporâneo de apropriação dos espaços públicos.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa B descreve o fenômeno sem acrescentar ideias estranhas ao texto (regulação, padronização, formalismo, patrimônio); ela é a única leitura fiel à fonte e à imagem.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz grafite, pichação, murais e intervenções urbanas em Ciências Humanas para discutir a relação entre arte, cidade e movimentos sociais — quase sempre associando a arte de rua a temas como resistência, identidade, cidadania e apropriação do espaço.
- Generalização: sempre que o texto descrever uma prática cultural nascida "nas margens" das instituições formais e ligada ao cotidiano urbano, a resposta tende a girar em torno de apropriação, ressignificação ou disputa pelo espaço público — não em torno de ordem, padronização ou preservação oficial.
- Dica de eliminação rápida: procure no enunciado palavras que indiquem ruptura com o formal ("não fossem encontrados nas instituições tradicionais") — isso já elimina de cara alternativas como "formalismos estéticos" e "padronização"; depois, verifique se há menção a restauro ou monumento histórico — se não houver, elimine "patrimônio histórico".
- Conexões: direitos à cidade e geografia urbana (Henri Lefebvre, "direito à cidade"); movimentos culturais de periferia e cultura hip-hop como formas de ocupação e expressão no espaço urbano.
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