Mapa de questões · 1º dia
Questão 10 — ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia

Essa campanha se destaca pela maneira como utiliza a linguagem para conscientizar a sociedade da necessidade de se acabar com o bullying. Tal estratégia está centrada no(a)
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Funções da linguagem e leitura de texto multimodal (cartaz de campanha social)
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar a leitura de um texto imagético (cartaz), o reconhecimento de uma estrutura gramatical específica (modo imperativo) e o descarte de pistas superficiais.
- 🎯 Tema/Habilidade: Função apelativa (conativa) da linguagem em textos publicitários e de campanha social — recursos linguísticos que constroem a persuasão em textos multimodais.
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual recurso linguístico sustenta a estratégia de conscientização do cartaz contra o bullying?"
- Palavras-chave decisivas: estratégia, conscientizar, linguagem
- Armadilha típica: confundir um detalhe pontual do cartaz (uma palavra em inglês, uma marca de gênero, uma frase do título) com a estratégia GLOBAL que organiza o texto inteiro.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o recurso apontado estrutura a peça publicitária como um todo, servindo diretamente ao objetivo de mobilizar o leitor contra o bullying.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Função apelativa/conativa da linguagem: ocorre quando o texto se volta para o receptor, buscando convencê-lo ou levá-lo a agir; é a função dominante em campanhas e cartazes de conscientização.
- Modo imperativo (estruturas injuntivas): forma verbal usada para dar ordens, conselhos, instruções ou pedidos ("fica", "não dês", "evita", "conta", "ajuda", "denuncia"); é o principal recurso da função apelativa.
- Segmentação de público em texto multimodal: um cartaz pode dividir o leitor em subgrupos, via subtítulos internos, para dirigir uma mensagem específica a cada perfil, ampliando o alcance persuasivo do texto.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (estrutura do cartaz): o texto se divide em três blocos com destinatários nomeados: "És vítima:", "Conheces alguma vítima:" e "Conheces o(a) agressor(a):" → o cartaz não fala a um leitor genérico único, mas convoca nomeadamente três perfis distintos de atores sociais envolvidos no bullying.
- Evidência 2 (verbos empregados): "Fica calmo(a)", "Não dês troco", "Evita ficar sozinho(a)", "Conta a uma pessoa de confiança", "Nunca deixes o teu amigo(a) sozinho(a)", "Ajuda-o(a) a contar", "Tenta convencê-lo(a)", "denuncia o caso às autoridades" → formas verbais no imperativo (afirmativo ou negativo), compondo uma sequência ininterrupta de ordens e conselhos diretos.
- Síntese: a força persuasiva do cartaz se sustenta na repetição, em cada bloco dirigido a um ator social diferente, de comandos no imperativo — é essa repetição estrutural, e não um detalhe isolado, que constrói a estratégia de conscientização.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar os destinatários do cartaz
O cartaz "Faz com que o BULLYING passe à história!" não se dirige a um leitor único. Ele é organizado em três segmentos, cada um com subtítulo que nomeia o interlocutor: quem sofre bullying ("És vítima"), quem convive com uma vítima ("Conheces alguma vítima") e quem convive com um agressor ("Conheces o(a) agressor(a)"). Essa segmentação já é escolha estratégica: em vez de mensagem única e genérica, a campanha multiplica os pontos de entrada para engajar diferentes atores envolvidos, direta ou indiretamente, na situação.
Subpasso 4.2 — Mapear o recurso gramatical que sustenta cada bloco
Em cada bloco, as orientações vêm em verbos no imperativo: "Fica calmo(a)", "Não dês troco", "Evita ficar sozinho(a)", "Conta a uma pessoa de confiança" (à vítima); "Nunca deixes o teu amigo(a) sozinho(a)", "Ajuda-o(a) a contar" (a quem conhece a vítima); "Tenta convencê-lo(a)", "denuncia o caso às autoridades" (a quem conhece o agressor). Essas estruturas injuntivas instruem, aconselham e convocam o leitor à ação — marca central de gêneros de apelo social como cartazes de campanha.
Subpasso 4.3 — Verificação
O recurso central e recorrente do texto é o uso de comandos no imperativo dirigidos, um a um, a diferentes atores sociais. Esse padrão se repete do início ao fim do cartaz — não é um detalhe isolado —, o que corresponde exatamente à alternativa A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) chamamento de diferentes atores sociais pelo uso recorrente de estruturas injuntivas.
✅ Correta: o cartaz se dirige nominalmente a três públicos distintos (vítima, quem conhece a vítima, quem conhece o agressor) e, em todos os blocos, usa verbos no imperativo ("fica", "não dês", "evita", "conta", "ajuda", "denuncia") para convocá-los à ação — essa combinação de segmentação de público com comandos recorrentes é o que estrutura a estratégia de conscientização.
B) variedade linguística caracterizadora do português europeu.
❌ Incorreta: o texto traz marcas do português europeu (como "dês", de "dar", e a fonte "www.essl.pt"), mas isso é dado circunstancial sobre a origem do texto, não o recurso em que a estratégia de conscientização está centrada.
C) restrição a um grupo específico de vítimas ao apresentar marcas gráficas de identificação de gênero como "o(a)".
❌ Incorreta: a marca "(a)" faz o oposto de restringir — amplia a mensagem para os dois gêneros gramaticais ("calmo(a)", "sozinho(a)", "amigo(a)"), tornando o cartaz mais inclusivo, não mais restrito.
D) combinação do significado de palavras escritas em línguas inglesa e portuguesa.
❌ Incorreta: o cartaz mistura inglês ("BULLYING", "STOP") com português, mas isso aparece só no título e na imagem da mão; não é o eixo que organiza a estratégia persuasiva, concentrada nos blocos de conselhos imperativos.
E) enunciado de cunho esperançoso "passe à história" no título do cartaz.
❌ Incorreta: essa expressão é um recurso pontual, restrito ao título, e não representa o corpo do cartaz nem a estratégia central de conscientização, apoiada na sequência de instruções imperativas dirigidas aos diferentes públicos.
🏆 Gabarito: A — a estratégia de conscientização do cartaz está centrada em convocar nominalmente diferentes atores sociais (vítima, quem conhece a vítima, quem conhece o agressor) por meio do uso recorrente de verbos no modo imperativo, que dão ordens e conselhos diretos a cada um deles.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa A descreve um padrão que atravessa o cartaz inteiro (segmentação por público + verbos no imperativo); as demais apontam recursos pontuais ou chegam a inverter o sentido do texto, como ocorre em C.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência a função apelativa/conativa da linguagem em textos publicitários, cartazes de campanha e anúncios de utilidade pública, sempre pedindo o recurso que "sustenta a estratégia" do texto como um todo.
- Generalização: em questões sobre textos de campanha social, observe o verbo predominante e verifique se ele se repete estruturando o texto inteiro — esse é quase sempre o recurso central pedido pela questão.
- Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que citam um único elemento pontual (uma palavra, uma expressão do título, uma marca gráfica isolada) quando o comando pede a "estratégia" ou algo "recorrente".
- Conexões: funções da linguagem (apelativa x poética x referencial); leitura de gêneros textuais multimodais (cartazes, infográficos, memes), tema recorrente em Linguagens no ENEM.
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