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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 53ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia

Brasil, Alemanha, Japão e Índia pedem reforma do Conselho de Segurança

Os representantes do G4 (Brasil, Alemanha, Índia e Japão) reiteraram, em setembro de 2018, a defesa pela ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) durante reunião em Nova York (Estados Unidos). Em declaração conjunta, de dez itens, os chanceleres destacaram que o órgão, no formato em que está, com apenas cinco membros permanentes e dez rotativos, não reflete o século 21. “A reforma do Conselho de Segurança é essencial para enfrentar os desafios complexos de hoje. Como aspirantes a novos membros permanentes de um conselho reformado, os ministros reiteraram seu compromisso de trabalhar para fortalecer o funcionamento da ONU e da ordem multilateral global, bem como seu apoio às respectivas candidaturas”, afirma a declaração conjunta.

Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br.  Acesso em: 7 dez. 2018 (adaptado).

Os países mencionados no texto justificam sua pretensão com base na seguinte característica comum:

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geopolítica Mundial e Organismos Internacionais (ONU)
  • ⚡ Nível: Médio — não exige decoreba, mas cobra articular contexto histórico do G4 com leitura atenta e comparação entre os quatro países
  • 🎯 Tema/Habilidade: Nova ordem mundial multipolar e a reforma do Conselho de Segurança da ONU; competência de área 5 do ENEM (compreender e analisar processos geopolíticos)
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual característica é comum aos quatro países do G4 e sustenta a pretensão deles a assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU?"
  • Palavras-chave decisivas: G4, ampliação do Conselho, membros permanentes
  • Armadilha típica: associar automaticamente "potência mundial" a poder militar, arsenal nuclear ou grande extensão territorial — características que, ao serem testadas país a país, não se repetem nos quatro ao mesmo tempo.
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar o único traço estrutural presente em Brasil, Alemanha, Índia e Japão simultaneamente, e não apenas em alguns deles.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Conselho de Segurança da ONU: órgão criado em 1945 responsável pela manutenção da paz e segurança internacionais; tem 5 membros permanentes com poder de veto (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido) e 10 membros rotativos eleitos por dois anos, sem veto.
  • G4 (Brasil, Alemanha, Índia, Japão): grupo informal formado em 2004 que reivindica conjuntamente a ampliação do número de assentos permanentes do Conselho, alegando que a composição atual reflete o mundo do imediato pós-Segunda Guerra Mundial, não a distribuição de poder do século XXI.
  • Multipolaridade e protagonismo regional: desde o fim da Guerra Fria, o poder mundial deixou de estar concentrado em apenas dois blocos e passou a se organizar em torno de potências regionais — cada uma delas referência econômica e política no seu continente ou sub-região, ainda que sem projeção militar ou territorial equivalente entre si.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "reiteraram... a defesa pela ampliação do Conselho de Segurança" → mostra que a reivindicação é institucional e coletiva, e não baseada em um atributo militar isolado de cada país.
  • Evidência 2: "Como aspirantes a novos membros permanentes de um conselho reformado" → os quatro se apresentam como bloco único de candidatos, o que só faz sentido se compartilham um mérito reconhecido internacionalmente para ocupar esse papel.
  • Evidência 3: "o órgão... não reflete o século 21" → a crítica central do G4 é que a geopolítica mudou desde 1945 e cada um deles hoje é ator indispensável em sua área de influência — a justificativa é, portanto, de natureza político-regional, não física ou bélica.
  • Síntese: o texto conecta a reivindicação por reforma à ideia de que a ordem mundial atual está desatualizada frente ao peso que Brasil, Alemanha, Índia e Japão adquiriram, cada um, como líder de sua própria região no tabuleiro geopolítico contemporâneo.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Perfil regional de cada integrante do G4

Brasil é a maior economia e o principal articulador político da América do Sul, liderando processos de integração como o Mercosul. Alemanha é a maior economia da União Europeia e motor da integração continental europeia. Índia é a maior potência econômica e demográfica do Sul da Ásia, com influência crescente sobre o Oceano Índico. Japão é a principal referência econômica e tecnológica do Leste Asiático, apesar das restrições militares herdadas da derrota na Segunda Guerra Mundial. Em todos os casos, o traço comum é a liderança inconteste dentro da própria região — não um atributo físico ou bélico específico.

Subpasso 4.2 — Eliminando as demais hipóteses por contraexemplo

Território: Alemanha (357 mil km²) e Japão (377 mil km²) têm áreas modestas se comparadas às de Brasil (8,5 milhões km²) e Índia (3,3 milhões km²) — não há uniformidade territorial entre os quatro. Tecnologia militar: Alemanha e Japão sofrem restrições históricas e constitucionais ao rearmamento desde 1945 (o artigo 9º da Constituição japonesa renuncia à guerra como direito soberano), o que descarta o investimento bélico como característica comum. Energia nuclear: apenas a Índia é potência nuclear declarada, tendo testado armas em 1974 e 1998; Brasil, Alemanha e Japão não possuem arsenal nuclear militar. Recursos minerais: Brasil e Índia têm reservas expressivas, mas o Japão é historicamente pobre em recursos naturais e depende fortemente de importações para sua indústria.

Subpasso 4.3 — Verificação

Depois de eliminar território, tecnologia militar, energia nuclear e recursos minerais — todos presentes em apenas parte do grupo —, resta um único denominador comum aos quatro países: cada um é o protagonista político e econômico incontestável de sua respectiva região no mundo multipolar do século XXI. É exatamente esse protagonismo regional que fundamenta, na declaração conjunta do G4, o pleito por assentos permanentes reformados no Conselho de Segurança.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Extensividade de área territorial.

❌ Incorreta: Brasil e Índia têm territórios extensos, mas Alemanha e Japão figuram entre países de porte territorial médio/pequeno no cenário mundial. A extensão territorial não é, portanto, um traço compartilhado pelos quatro integrantes do G4.

B) Protagonismo em escala regional.

✅ Correta: Brasil, Alemanha, Índia e Japão são, cada um, a principal potência econômica e política de seu continente ou sub-região — América do Sul, Europa, Sul da Ásia e Leste Asiático, respectivamente. É esse protagonismo regional, reconhecido internacionalmente, que legitima a candidatura conjunta a assentos permanentes em um Conselho de Segurança reformado para refletir a multipolaridade do século XXI.

C) Investimento em tecnologia militar.

❌ Incorreta: Alemanha e Japão, derrotados na Segunda Guerra Mundial, mantêm até hoje restrições históricas e constitucionais ao desenvolvimento de capacidade bélica ofensiva, o que torna esse critério incompatível com a realidade de metade do grupo.

D) Desenvolvimento de energia nuclear.

❌ Incorreta: Apenas a Índia é potência nuclear reconhecida internacionalmente. Brasil, Alemanha e Japão não possuem arsenal nuclear militar, de modo que esse atributo não pode ser apontado como característica comum aos quatro países.

E) Disponibilidade de recursos minerais.

❌ Incorreta: Embora Brasil e Índia disponham de reservas minerais relevantes, o Japão é notoriamente pobre em recursos naturais e depende de importações para abastecer sua indústria, o que invalida esse critério como denominador comum do grupo.

🏆 Gabarito: B — A pretensão do G4 se sustenta no fato de cada país ser referência política e econômica incontestável em sua respectiva região, refletindo a multipolaridade do mundo contemporâneo que a composição atual do Conselho de Segurança, congelada desde 1945, não contempla.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: entre as cinco opções, apenas o "protagonismo em escala regional" está presente nos quatro países ao mesmo tempo; todas as demais falham para pelo menos um deles, o que torna B a única alternativa sustentável.
  • Padrão de cobrança: temas sobre ONU, Conselho de Segurança, G4/G7/G20, BRICS e reconfiguração da ordem mundial multipolar são recorrentes em Geografia no ENEM, quase sempre cobrados a partir da interpretação crítica de reportagens ou documentos, sem exigir memorização de dados.
  • Generalização: em questões de geopolítica sobre grupos ou blocos de países, procure o traço estrutural comum a TODOS os membros citados — se apenas um deles não se encaixar em uma alternativa, ela está automaticamente eliminada, ainda que pareça correta para a maioria do grupo.
  • Dica de eliminação rápida: compare os "pares opostos" dentro do próprio G4 — Alemanha e Japão (sem armas nucleares, territórios menores) versus Brasil e Índia (territórios extensos, mas sem status nuclear consolidado nos quatro) — qualquer alternativa baseada em atributo físico ou militar específico cai imediatamente, pois nunca vale para os quatro países ao mesmo tempo.
  • Conexões: o tema se conecta a "Nova Ordem Mundial e multipolaridade", "Fim da Guerra Fria e redesenho geopolítico", "BRICS e cooperação Sul-Sul" e "Reforma de organismos multilaterais (ONU, FMI, Banco Mundial)".

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