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Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaMédio

Questão 61ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia

TEXTO I

Ouve o barulho do rio, meu filho
Deixa esse som te embalar
As folhas que caem no rio, meu filho
Terminam nas águas do mar
Quando amanhã por acaso faltar
Uma alegria no seu coração
Lembra do som dessas águas de lá
Faz desse rio a sua oração.

MONTE, M. et al. O rio. In: Infinito particular. Rio de Janeiro:  Sony; Universal Music, 2006 (fragmento).

TEXTO II

O atrativo ecoturístico não é somente o banho de cachoeira, sentar e caminhar pela praia, cavalgar, mas conhecer a biodiversidade, às vezes supostamente em extinção. Observar baleias, nadar com o golfinho, tocar em corais, sair ao encontro de dezenas de jacarés em seu hábitat natural são símbolos que fascinam um ecoturista. A natureza é transformada em espetáculo diferente da vida urbana moderna.

SANTANA, P. V. Ecoturismo: uma indústria sem chaminé?  São Paulo: Labur Edições, 2008.

São identificadas nos textos, respectivamente, as seguintes posturas em relação à natureza:

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Relação sociedade-natureza e lógica de mercado (com apoio de interpretação de texto)
  • ⚡ Nível: Médio — não basta entender os textos isoladamente; é preciso nomear com precisão conceitual a postura de cada um diante da natureza, distinguindo termos parecidos (idealização x sacralização x romantização; mercantilização x exploração x degradação).
  • 🎯 Tema/Habilidade: Diferentes formas de apropriação simbólica e econômica da natureza pela sociedade contemporânea, comparando um discurso poético-afetivo com um discurso turístico-mercadológico.
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual dupla de termos nomeia corretamente a atitude de cada texto em relação à natureza — primeiro a da canção, depois a do texto sobre ecoturismo?"
  • Palavras-chave decisivas: oração, espetáculo, indústria sem chaminé
  • Armadilha típica: confundir pares de sinônimos próximos — trocar "idealização" por "sacralização" (que exige caráter religioso explícito) ou "mercantilização" por "exploração"/"degradação" (que sugerem dano físico direto, não mencionado no texto II).
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de diferenciar uma postura subjetiva e afetiva diante da natureza (Texto I) de uma postura econômica, voltada ao consumo turístico (Texto II).

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Idealização da natureza: atribuir à natureza um valor emocional, poético e quase espiritual — refúgio, conforto, fonte de sentido — sem que isso implique necessariamente culto religioso formal ou transação econômica.
  • Mercantilização da natureza: processo, típico da lógica capitalista, de transformar elementos naturais (paisagens, fauna, biodiversidade) em produtos vendáveis, empacotados como experiências de consumo.
  • Ecoturismo como "indústria sem chaminé": expressão que designa atividades turísticas apresentadas como de baixo impacto ambiental, mas que seguem a racionalidade de mercado — vender vivências com a natureza como mercadoria.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Faz desse rio a sua oração." → o eu lírico trata o rio como amparo emocional e espiritual em momentos de tristeza, um tratamento afetivo e idealizado, não comercial.
  • Evidência 2: "A natureza é transformada em espetáculo diferente da vida urbana moderna" e a listagem de atrações ("observar baleias, nadar com o golfinho, tocar em corais") dentro de uma "indústria sem chaminé" → a natureza vira produto oferecido ao consumidor turista.
  • Síntese: o Texto I constrói uma relação simbólica e poética com a natureza (idealização); o Texto II descreve uma relação comercial, na qual a natureza é convertida em mercadoria de consumo (mercantilização).

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Caracterizando a postura do Texto I

A canção de Marisa Monte usa linguagem poética e verbos de suavidade ("ouve", "deixa", "embalar") para transformar o rio em conselheiro afetivo. O verso final — "Faz desse rio a sua oração" — eleva o elemento natural a algo quase sagrado, mas o texto não fala em culto, rito ou instituição religiosa; trata-se de uma idealização: a natureza é embelezada, romantizada e carregada de sentido emocional como fonte de consolo.

Subpasso 4.2 — Caracterizando a postura do Texto II

O texto sobre ecoturismo usa vocabulário econômico: "atrativo ecoturístico", "indústria sem chaminé". A biodiversidade — baleias, golfinhos, corais, jacarés — é apresentada como um catálogo de experiências a serem consumidas pelo turista, e a própria natureza é chamada de "espetáculo". Isso caracteriza a mercantilização: a natureza deixa de ser fim em si mesma e passa a ser insumo de um produto turístico vendável.

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando as duas posturas com as alternativas, apenas o par "Idealização" (para o Texto I) e "mercantilização" (para o Texto II) descreve com precisão conceitual o que cada texto realmente diz, sem exagerar (como "exploração" ou "degradação", que sugerem dano físico não mencionado) nem restringir demais (como "sacralização", que exigiria dimensão religiosa explícita).

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Exploração e romantização.

❌ Incorreta: "exploração" sugere uso predatório ou extrativo dos recursos naturais, algo que o Texto I não expressa — ele apenas contempla e idealiza o rio, sem qualquer ideia de extração. Além disso, "romantização" descreveria melhor o Texto I, não o Texto II, que é essencialmente um discurso econômico sobre turismo, não um discurso romântico.

B) Sacralização e profanação.

❌ Incorreta: "sacralização" chega perto do Texto I (a menção a "oração" tem tom quase religioso), mas é um termo mais restrito e específico do que o texto exige, pois não há culto ou rito formal — apenas idealização poética. "Profanação" (violar algo sagrado) não corresponde ao Texto II, que fala de comércio turístico, não de desrespeito ou degradação simbólica do sagrado.

C) Preservação e degradação.

❌ Incorreta: o Texto I não menciona ações de conservação ambiental, apenas contemplação emocional — não há "preservação" como prática. O Texto II, por sua vez, se autodenomina "indústria sem chaminé", justamente para afastar a ideia de degradação; o texto não afirma que o ecoturismo degrada a natureza.

D) Segregação e democratização.

❌ Incorreta: nenhum dos dois textos trata de acesso desigual ou igualitário à natureza entre diferentes grupos sociais; o tema dos textos é afetivo (I) e mercadológico (II), não relativo a inclusão/exclusão de acesso.

E) Idealização e mercantilização.

✅ Correta: o Texto I idealiza a natureza como fonte de consolo emocional e espiritual ("faz desse rio a sua oração"); o Texto II converte a natureza em produto turístico vendável, evidenciado pelo termo "indústria" e pela lista de atrações tratadas como itens de consumo ("espetáculo").

🏆 Gabarito: E — o Texto I idealiza a natureza como refúgio afetivo e o Texto II a mercantiliza como produto do ecoturismo; nenhuma outra dupla de termos descreve com a mesma precisão essas duas posturas.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: somente "idealização" e "mercantilização" capturam, sem exagero nem restrição indevida, o tom poético-afetivo do Texto I e o vocabulário econômico-turístico do Texto II.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente compara textos de gêneros diferentes (letra de música, texto acadêmico, reportagem) para testar se o estudante identifica a postura ideológica ou discursiva de cada um diante de um mesmo tema — aqui, a natureza.
  • Generalização: em questões de comparação de textos, sempre identifique primeiro o campo lexical dominante de cada trecho (poético/afetivo x técnico/econômico) antes de escolher os termos das alternativas — isso evita cair em sinônimos aproximados, mas imprecisos.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas com termos que exigem elementos não mencionados no texto (religião explícita → "sacralização/profanação"; dano ambiental explícito → "degradação"; desigualdade de acesso → "segregação/democratização"); sobra rapidamente o par que só descreve atitude simbólica (I) e atitude comercial (II).
  • Conexões: o tema dialoga com a crítica sociológica ao consumo de experiências (sociedade de consumo) e com a geografia do turismo, que discute como paisagens naturais são convertidas em produtos dentro da economia globalizada.

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