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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 85ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia

Produzida no Chile, no final da década de 1970, a imagem expressa um conflito entre culturas e sua presença em museus decorrente da

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Patrimônio cultural, colonialidade e povos indígenas (dialoga com Sociologia/Antropologia da cultura)
  • ⚡ Nível: Médio — a resposta certa não é a mais "óbvia" à primeira leitura; exige distinguir "critérios de criação de acervos" de alternativas parecidas como mercado, rede de museus, acesso ou território.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Museus como espaços de poder simbólico e a crítica indígena à musealização da cultura sem participação das próprias comunidades — comparar pontos de vista sobre conflitos culturais.
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após a resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Que processo social explica o conflito entre a cultura indígena retratada e sua presença nos museus?"
  • Palavras-chave decisivas: conflito entre culturas, presença em museus, decorrente de
  • Armadilha típica: interpretar "presença em museus" de forma literal e física — pensar em acesso do público (D), quantidade de museus (C) ou preço de obras (A), quando o mural denuncia outra coisa: quem detém o poder de decidir o que entra no acervo.
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar que o cartaz denuncia a ausência de protagonismo indígena na definição do que é considerado "digno" de compor uma coleção museológica.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Acervo museológico: conjunto de objetos selecionados, catalogados e preservados por uma instituição. Essa seleção nunca é neutra — reflete critérios técnicos e políticos definidos por quem cura o museu.
  • Colonialidade do saber: lógica herdada da colonização que trata saberes e culturas de povos originários como curiosidade exótica ou "arte primitiva", em vez de reconhecê-los como cultura viva com direito à autorrepresentação.
  • Patrimônio cultural: bens materiais e imateriais que uma sociedade reconhece como merecedores de preservação — reconhecimento que é sempre resultado de uma disputa de poder entre grupos sociais diferentes.
  • Etnocentrismo: julgar outras culturas a partir dos próprios valores, criando hierarquias sobre "quem tem cultura suficientemente valiosa para ocupar uma vitrine".

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (imagem): "NUESTRA CULTURA NO CABE EN SUS MUSEOS" → o pronome "sus" (deles) separa a comunidade indígena de quem administra os museus, marcando que a decisão sobre o acervo está nas mãos de terceiros, não das comunidades retratadas.
  • Evidência 2 (imagem): os dois retratos de indígenas aparecem emoldurados por molduras ornamentadas de estilo colonial, como se as próprias pessoas fossem quadros — crítica direta à objetificação: transformar sujeitos e culturas vivas em peças expostas, sem consulta prévia.
  • Evidência 3 (contexto): mural pintado em espaço público, no Chile, no final da década de 1970 — período de ditadura, em que povos originários (como mapuches e aimarás) tinham pouquíssima voz institucional.
  • Síntese: o cartaz não reclama de falta de espaço físico, preço de mercado ou acesso burocrático; ele reclama de não ter voz no processo que define o que compõe os acervos — a cultura indígena é musealizada por critérios alheios, sem participar da própria representação.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar os sujeitos do conflito

A frase opõe "nuestra cultura" (a cultura indígena, vivida e praticada pela comunidade) a "sus museos" (instituições geridas historicamente por elites de origem colonial ou pelo Estado). Esse "nossa vs. deles" é a chave de leitura: o conflito é entre quem produz/vive a cultura e quem institucionaliza essa cultura como objeto de exposição.

Subpasso 4.2 — Identificar o objeto do conflito

O que está em disputa não é a quantidade de museus, nem o preço de obras, nem a burocracia de entrada, nem estritamente o território das comunidades. É o processo de curadoria: quando um museu decide o que expor, aplica critérios técnicos e políticos — valor histórico, "autenticidade", representatividade estética — historicamente definidos sem a participação das comunidades originárias. O resultado é a folclorização: a cultura viva vira peça estática, catalogada por olhares de fora.

Subpasso 4.3 — Verificação

Voltando às cinco alternativas, apenas uma nomeia com precisão esse processo de "quem decide o que compõe o acervo": a definição dos critérios de criação de acervos (alternativa B). As demais deslocam o foco para mercado, rede de instituições, burocracia de acesso ou território — temas que podem até estar no pano de fundo histórico, mas não são o que a imagem enuncia literalmente.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) valorização do mercado das obras de arte.

Incorreta: o mural não menciona preço, comercialização ou compra e venda de peças. O conflito retratado é sobre representação e decisão curatorial, não sobre valor econômico de mercado.

B) definição dos critérios de criação de acervos.

Correta: o mural denuncia justamente que a cultura indígena "não cabe" nos museus porque os critérios de seleção, classificação e legitimação do que integra um acervo são definidos por instituições externas às comunidades retratadas, que reduzem a cultura viva a objeto exposto sob parâmetros alheios.

C) ampliação da rede de instituições de memória.

Incorreta: o texto não fala em mais ou menos museus sendo criados; a crítica não é quantitativa (número de instituições), mas qualitativa (quem decide o conteúdo dessas instituições).

D) burocratização do acesso dos espaços expositivos.

Incorreta: não há qualquer menção a trâmites, ingressos ou dificuldades de entrada do público nos museus. O problema apontado é anterior ao acesso: está na própria formação do acervo, não em quem pode visitá-lo.

E) fragmentação dos territórios das comunidades representadas.

Incorreta: embora a desterritorialização de povos indígenas seja um tema histórico relevante e conectado ao contexto colonial, a imagem não trata de perda ou divisão de terras — trata especificamente da relação entre a cultura indígena e a instituição museu.

🏆 Gabarito: B — o mural expressa que a cultura indígena "não cabe" nos museus porque os critérios que definem o que entra (ou não) nos acervos são estabelecidos por instituições alheias às próprias comunidades, revelando uma disputa de poder simbólico sobre quem tem autoridade para representar essa cultura.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa B nomeia o cerne do conflito mostrado na imagem: a autoridade de definir o que é "digno" de compor um acervo museológico, historicamente exercida sem a voz das comunidades indígenas.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa imagens de arte-protesto, murais e cartazes latino-americanos para testar a leitura crítica de conflitos culturais — geralmente ligados a colonialismo, etnocentrismo e disputas de representação (e não a economia ou logística).
  • Generalização: sempre que a imagem trouxer a crítica de um grupo cultural a uma instituição (museu, escola, Estado), busque a alternativa que fale sobre "quem decide" e "com quais critérios", não sobre aspectos físicos, financeiros ou de infraestrutura.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que tratem de dinheiro (mercado), quantidade (rede de instituições) e logística (acesso/burocracia) quando o enunciado citar explicitamente um "conflito entre culturas" — esses temas raramente são o cerne de questões sobre representação cultural.
  • Conexões: relacione com temas de decolonialidade, repatriação de acervos indígenas e africanos por museus europeus, e com o debate sobre curadoria compartilhada e protagonismo indígena em exposições contemporâneas.

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