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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 32ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia

Emagrecer sem exercício?

Hormônio aumenta a esperança de perder gordura sem sair do sofá. A solução viria em cápsulas

O sonho dos sedentários ganhou novo aliado. Um estudo publicado na revista científica Nature, em janeiro, sugere que é possível modificar a gordura corporal sem fazer exercício.Pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute e da Escola de Medicina de Harvard, nos EUA, isolaram em laboratório a irisina, hormônio naturalmente produzido pelas células musculares durante os exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida ou pedalada. A substância foi aplicada em ratos e agiu como se eles tivessem se exercitado, inclusive com efeito protetor contra o diabetes.O segredo foi a conversão de gordura branca — aquela que estoca energia inerte e estraga nossa silhueta — em marrom. Mais comum em bebês, e praticamente inexistente em adultos, esse tipo de gordura serve para nos aquecer. E, nesse processo, gasta uma energia tremenda. Como efeito colateral, afinaria nossa silhueta.A expectativa é que, se o hormônio funcionar da mesma forma em humanos, surja em breve um novo medicamento para emagrecer. Mas ele estaria longe de substituir por completo os benefícios da atividade física. “Possivelmente, existem muitos outros hormônios musculares liberados durante o exercício e ainda não descobertos”, diz o fisiologista Paul Coen, professor assistente da Universidade de Pittsburgh, nos EUA. A irisina não fortalece os músculos, por exemplo. E para ficar com aquele tríceps de fazer inveja só o levantamento de controle remoto não daria conta.

LIMA, F. Galileu. São Paulo, n 248, mar. 2012.

Para convencer o leitor de que o exercício físico é importante, o autor usa a estratégia de divulgar que

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto jornalístico e identificação de estratégias argumentativas
  • ⚡ Nível: Médio — exige distinguir informações factuais do texto (o que a irisina faz) da estratégia retórica usada pelo autor (o que convence o leitor sobre a importância do exercício)
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento de recursos argumentativos em texto de divulgação científica (Competência de Área 3 — Linguagens: compreender e usar a língua como instrumento de construção de argumentação)
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual recurso o autor usa no texto para mostrar ao leitor que, apesar da descoberta da irisina, o exercício físico continua sendo importante?"
  • Palavras-chave decisivas: estratégia, convencer, exercício físico é importante
  • Armadilha típica: confundir a informação central da reportagem (a irisina pode ajudar a emagrecer sem exercício) com a estratégia argumentativa que o autor usa para relativizar essa informação e valorizar o exercício. O candidato tende a marcar a alternativa que resume "o que a irisina faz" em vez de "o que convence o leitor de que o exercício ainda importa".
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar o trecho final do texto, no qual o autor introduz uma ressalva (contra-argumento) que reforça os benefícios do exercício não substituíveis pelo hormônio isolado em laboratório.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Texto de divulgação científica: gênero que populariza descobertas de pesquisa, geralmente equilibrando o "gancho" (a novidade sedutora) com ressalvas técnicas que evitam simplificação excessiva — é justamente nessas ressalvas que mora a argumentação mais sofisticada do autor.
  • Estratégia argumentativa (contra-argumentação): recurso em que o autor apresenta uma tese forte (aqui, "dá para emagrecer sem se exercitar") e, na sequência, insere uma objeção que a relativiza, reforçando outra tese (aqui, "o exercício continua insubstituível").
  • Discurso relatado / citação de autoridade: o autor usa a fala do fisiologista Paul Coen ("existem muitos outros hormônios musculares... ainda não descobertos") como voz de especialista para legitimar o argumento de que a ciência ainda não esgotou os benefícios do exercício — recurso clássico de persuasão em textos jornalísticos.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Mas ele estaria longe de substituir por completo os benefícios da atividade física." → o conectivo "mas" sinaliza uma virada argumentativa: depois de exaltar a irisina, o autor já avisa que ela não é suficiente.
  • Evidência 2: "'Possivelmente, existem muitos outros hormônios musculares liberados durante o exercício e ainda não descobertos', diz o fisiologista Paul Coen" → o autor recorre à autoridade científica para sugerir que o exercício produz uma gama de benefícios (hormônios) que a ciência sequer mapeou por completo — logo, nenhuma cápsula poderia replicar tudo isso.
  • Evidência 3: "A irisina não fortalece os músculos, por exemplo. E para ficar com aquele tríceps de fazer inveja só o levantamento de controle remoto não daria conta." → exemplo concreto e bem-humorado de um benefício do exercício (fortalecimento muscular) que o hormônio isolado não reproduz, reforçando que sentar no sofá não substitui a atividade física.
  • Síntese: as três evidências convergem para o mesmo movimento argumentativo — o autor usa a existência de outros hormônios não descobertos e de benefícios que a irisina isolada não replica (fortalecimento muscular) como estratégia para convencer o leitor de que o exercício físico continua sendo essencial, mesmo diante da promessa da "cápsula milagrosa".

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Mapear a estrutura argumentativa do texto

O texto se divide em dois movimentos. No primeiro (título e três primeiros parágrafos), o autor apresenta a descoberta da irisina como uma notícia empolgante: um hormônio que, isolado em laboratório, imitou os efeitos do exercício em ratos, convertendo gordura branca em marrom e protegendo contra o diabetes. Esse trecho constrói a expectativa de que "emagrecer sem exercício" seria possível. No segundo movimento (último parágrafo), o autor introduz o conectivo adversativo "Mas" e passa a relativizar essa expectativa, mostrando que o hormônio "estaria longe de substituir por completo os benefícios da atividade física". É exatamente nesse segundo movimento que está a resposta da questão.

Subpasso 4.2 — Identificar a estratégia específica usada para valorizar o exercício

Para sustentar a tese de que o exercício continua importante, o autor não recorre a uma afirmação genérica ("exercício é bom"), mas sim a dois elementos concretos e verificáveis:

  1. a citação do especialista Paul Coen, que levanta a hipótese de "muitos outros hormônios musculares" ainda não descobertos e liberados durante o exercício — ou seja, a ciência sabe que o exercício produz mais benefícios do que apenas a irisina;
  2. o exemplo de que a irisina "não fortalece os músculos", ao contrário do exercício físico, que sim fortalece (o "tríceps de fazer inveja").

Essa combinação — divulgar que existem outros hormônios (ainda não descobertos) associados ao exercício e apontar benefícios (como o fortalecimento muscular) que só o exercício produz — é a estratégia argumentativa central usada pelo autor para reafirmar, no fechamento do texto, a importância da atividade física.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando essa síntese com as alternativas, apenas a opção E reproduz com precisão os dois elementos identificados: "se produzem outros hormônios" (a fala de Paul Coen sobre hormônios musculares ainda não descobertos) "e há outros benefícios com o exercício" (o fortalecimento muscular que a irisina isolada não proporciona). As demais alternativas ou descrevem apenas a notícia central sobre a irisina (o "gancho" da reportagem), ou fazem afirmações não sustentadas pelo texto, ou invertem a lógica argumentativa. A resposta correta é a letra E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) a falta de exercício físico não emagrece e desenvolve doenças.

❌ Incorreta: o texto não afirma isso em nenhum momento. Pelo contrário, a notícia central é justamente que seria possível "modificar a gordura corporal sem fazer exercício" por meio da irisina, e o efeito protetor contra o diabetes é atribuído ao hormônio aplicado em ratos, não à ausência de exercício. Essa alternativa inventa uma relação de causa e efeito que não está no texto.

B) se trata de uma forma de transformar a gordura branca em marrom e de emagrecer.

❌ Incorreta: essa afirmação descreve corretamente o que a irisina faz (converter gordura branca em marrom), mas isso é justamente o argumento a favor do medicamento/cápsula, e não uma estratégia para valorizar o exercício físico. A alternativa confunde o conteúdo científico da notícia com a estratégia argumentativa pedida pelo comando da questão.

C) a irisina é um hormônio que apenas é produzido com exercício físico.

❌ Incorreta: embora o texto diga que a irisina é "naturalmente produzido pelas células musculares durante os exercícios aeróbicos", essa informação apenas explica a origem do hormônio — não constitui a estratégia usada para convencer o leitor de que o exercício continua importante mesmo diante da possível cápsula. Além disso, o texto sugere que a irisina pode ser sintetizada e aplicada em laboratório (como foi feito nos ratos), o que relativiza a ideia de que ela "apenas" surge com o exercício.

D) o exercício é uma forma de afinar a silhueta por eliminar a gordura branca.

❌ Incorreta: o texto atribui a conversão de gordura branca em marrom (e o consequente afinamento da silhueta) à ação da irisina isolada em laboratório, não ao exercício físico diretamente. A alternativa inverte o mecanismo descrito no texto, atribuindo ao exercício um efeito que a reportagem associa ao hormônio.

E) se produzem outros hormônios e há outros benefícios com o exercício.

✅ Correta: esta é exatamente a estratégia usada no fechamento do texto. Ao citar o fisiologista Paul Coen ("existem muitos outros hormônios musculares liberados durante o exercício e ainda não descobertos") e ao exemplificar um benefício exclusivo da atividade física (o fortalecimento muscular, que "a irisina não fortalece"), o autor convence o leitor de que o exercício físico oferece vantagens múltiplas e ainda não totalmente mapeadas pela ciência — algo que nenhuma cápsula isolada poderia substituir por completo.

🏆 Gabarito: E — o autor convence o leitor da importância do exercício ao divulgar, no fechamento da reportagem, que existem outros hormônios musculares ainda não descobertos e outros benefícios (como o fortalecimento muscular) que a irisina isolada não reproduz.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra E é a única alternativa que capta o movimento argumentativo de contra-argumentação presente no parágrafo final do texto, sustentado pela citação de autoridade (Paul Coen) e pelo exemplo do fortalecimento muscular — os dois recursos que o autor usa para reafirmar a importância do exercício físico.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência questões de "estratégia argumentativa" ou "recurso persuasivo" em textos de divulgação científica e jornalística, exigindo que o candidato distinga o assunto central da notícia da forma como o autor conduz o leitor a uma conclusão específica (geralmente presente na conclusão ou no último parágrafo do texto).
  • Generalização: em textos argumentativos, a resposta sobre "qual estratégia o autor usa para convencer o leitor de X" quase sempre está concentrada no trecho de fechamento (ou em conectivos adversativos como "mas", "porém", "no entanto"), que sinalizam a virada retórica do texto — não no conteúdo informativo do início.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que apenas repetem informações factuais isoladas do início do texto (como B, C e D, que tratam da irisina em si) — elas respondem "o que a reportagem diz", não "qual estratégia convence o leitor de que o exercício é importante". Procure sempre o parágrafo que contém a ressalva ou a objeção do autor.
  • Conexões: este tipo de questão dialoga com "funções da linguagem" (função conativa/persuasiva) e com "gêneros textuais jornalísticos" (a estrutura notícia + ressalva típica de reportagens de divulgação científica), temas recorrentes na prova de Linguagens do ENEM.

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