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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 57ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia

Questão 057 – ENEM 2019 -

No Hemisfério Sul, a sequência latitudinal dos desertos representada na imagem sofre uma interrupção no Brasil devido à seguinte razão:

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Climatologia (circulação atmosférica) e Biogeografia (papel da vegetação no clima)
  • ⚡ Nível: Médio — exige cruzar um padrão global (cinturão de desertos subtropicais) com um fator regional específico (a floresta amazônica), e não apenas decorar climas
  • 🎯 Tema/Habilidade: Distribuição latitudinal dos desertos e a interferência da cobertura florestal no regime de umidade do Brasil — competência de análise de fenômenos naturais e suas relações com a dinâmica da natureza
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após a resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por que a faixa de desertos que aparece nas demais massas continentais próximas a 30° de latitude não se repete dentro do território brasileiro?"
  • Palavras-chave decisivas: sequência latitudinal, interrupção, no Brasil
  • Armadilha típica: associar a ausência de deserto a fatores que na verdade explicam a formação de desertos em outros lugares (altas pressões, correntes frias, alta refletividade), confundindo causa de aridez com causa de umidade.
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar o elemento regional que rompe a tendência de aridez esperada para essa faixa de latitude — a umidade fornecida pelas grandes florestas tropicais brasileiras.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Células de Hadley e cinturão subtropical de altas pressões: o ar quente e úmido que sobe na faixa equatorial perde umidade em fortes chuvas e desce já seco por volta de 30°N e 30°S, formando zonas de subsidência que inibem a formação de nuvens — é essa dinâmica que origina o Saara, o deserto da Arábia, o Kalahari/Namibe, o interior da Austrália e o Atacama.
  • Evapotranspiração florestal: florestas densas e extensas, como a Amazônia, devolvem enormes volumes de vapor d'água à atmosfera pela transpiração das plantas e evaporação da umidade do solo, alimentando continuamente a formação de nuvens e chuvas convectivas na região.
  • "Rios voadores": correntes de umidade que se deslocam da Amazônia em direção ao Centro-Sul do Brasil, somando-se aos ventos alísios que trazem umidade do Atlântico e reforçando o regime de chuvas mesmo em latitudes onde a circulação geral tenderia a produzir aridez.
  • Massas de ar continentais úmidas: o Brasil é dominado por massas como a Equatorial Continental (formada sobre a Amazônia) e a Tropical Continental, ambas carregadas de umidade — o oposto do que ocorreria em um regime desértico.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

A imagem mostra o mapa "Regiões áridas e semiáridas do mundo", com faixas escuras (desertos) concentradas em duas linhas praticamente contínuas próximas aos paralelos 30°N e 30°S: no Hemisfério Norte, o Saara se estende até a Arábia; no Hemisfério Sul, aparecem o Kalahari/Namibe (África), o deserto australiano e o Atacama (América do Sul). Contudo, exatamente na faixa que corta o território brasileiro (entre o Trópico de Capricórnio e cerca de 30°S), não existe nenhuma mancha de deserto.

  • Evidência 1: "sequência latitudinal dos desertos representada na imagem" → o mapa evidencia um padrão global de aridez ligado à latitude, não ao acaso.
  • Evidência 2: "sofre uma interrupção no Brasil" → o enunciado já afirma que o padrão se quebra especificamente no território brasileiro, pedindo a causa dessa exceção.
  • Síntese: a resposta correta precisa apontar o fator que atua dentro do Brasil contrariando a tendência de subsidência seca esperada para essa latitude — e esse fator é a umidade gerada pelas grandes áreas florestais do país.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Reconhecer o padrão global de formação de desertos

Nas faixas próximas a 30°N e 30°S, a circulação geral da atmosfera (células de Hadley) faz o ar descer já seco, criando zonas de alta pressão que inibem a formação de nuvens e chuvas. É esse mecanismo puramente atmosférico que explica desertos como o Saara, o Kalahari, o deserto australiano e, na costa oeste sul-americana, o Atacama.

Subpasso 4.2 — Identificar o que rompe o padrão no Brasil

O território brasileiro cruza essa mesma faixa latitudinal (parte do Sul do país chega próximo a 30°S), mas não apresenta clima desértico. A razão está na enorme cobertura florestal do país — sobretudo a Floresta Amazônica — que libera continuamente vapor d'água por evapotranspiração. Essa umidade se combina com a trazida pelos ventos alísios do Atlântico e é redistribuída pelos "rios voadores" até regiões mais ao sul, mantendo um regime de chuvas relativamente regular mesmo onde a subsidência atmosférica tenderia a produzir aridez.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando esse raciocínio com as alternativas, apenas a opção C menciona explicitamente a umidade proveniente das áreas florestais como fator de ruptura do padrão desértico — exatamente o mecanismo climático que explica por que o Brasil "foge" da faixa de deserto que aparece em outros continentes na mesma latitude.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Existência de superfícies de intensa refletividade.

Incorreta: superfícies de alta refletividade (albedo elevado), como areia clara de desertos ou gelo, refletem grande parte da radiação solar e são características típicas de regiões áridas ou geladas — não de florestas. A vegetação densa do Brasil tem baixo albedo (absorve mais radiação, o que favorece a evapotranspiração), de modo que essa alternativa inverte o conceito relevante para a questão.

B) Preponderância de altas pressões atmosféricas.

Incorreta: são justamente as altas pressões subtropicais, com ar seco em subsidência, que explicam a formação dos desertos ao longo da faixa de 30° em outros continentes. Se predominassem altas pressões no Brasil, o resultado esperado seria a formação de um deserto — o oposto do que o enunciado pede para justificar.

C) Influência de umidade das áreas florestais.

Correta: a vasta extensão de florestas tropicais do território brasileiro, com destaque para a Amazônia, mantém elevada disponibilidade de vapor d'água na atmosfera por meio da evapotranspiração. Essa umidade alimenta o regime de chuvas e impede que a subsidência de ar seco, típica da faixa subtropical, resulte em um clima desértico no Brasil.

D) Predomínio de correntes marinhas frias.

Incorreta: correntes frias, como a de Humboldt na costa do Pacífico sul-americano, de fato contribuem para a aridez costeira (caso do Atacama), pois resfriam o ar e dificultam a formação de nuvens. Já a costa brasileira é banhada predominantemente pela Corrente do Brasil, de águas quentes — o efeito é o oposto do descrito, e ainda assim não é esse o fator que explica a umidade do interior do país.

E) Ausência de massas de ar continentais.

Incorreta: o Brasil é justamente marcado pela atuação de massas de ar continentais úmidas, como a Massa Equatorial Continental (formada sobre a Amazônia) e a Massa Tropical Continental, que carregam umidade para o interior do território. A alternativa inverte o fenômeno real: não é a ausência, mas a presença dessas massas úmidas que ajuda a manter o clima úmido no país.

🏆 Gabarito: C — a interrupção do cinturão de desertos no Brasil se explica pela umidade gerada e mantida pelas grandes áreas florestais do país, que contrapõe a tendência de aridez esperada para essa faixa de latitude.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C aponta o mecanismo climático correto — a evapotranspiração das florestas mantendo alta umidade atmosférica — responsável por romper o padrão latitudinal de desertos observado em outros continentes na mesma faixa de latitude.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência a relação entre a circulação atmosférica geral (células de Hadley, cinturões de alta e baixa pressão) e a distribuição de climas e biomas, exigindo que o estudante explique exceções regionais a partir de fatores como vegetação, relevo, correntes marinhas e massas de ar.
  • Generalização: sempre que uma questão pedir a explicação para uma "exceção" a um padrão climático global, procure o fator regional dominante — aqui, a floresta — que contraria a tendência esperada pela dinâmica atmosférica geral.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato as alternativas que reforçam o próprio mecanismo de formação de desertos (altas pressões, correntes frias, alta refletividade), pois a questão pede o que rompe o padrão, não o que o mantém; desconfie também de alternativas com inversão lógica evidente, como negar a presença de massas de ar que na realidade atuam de forma marcante no país.
  • Conexões: o fenômeno dos "rios voadores" e o papel da Amazônia na regulação do regime de chuvas do Centro-Sul do Brasil; a distinção entre climas áridos costeiros (Atacama, Namibe) explicados por correntes frias e a ausência de deserto no interior continental brasileiro.

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