Mapa de questões · 1º dia
Questão 89 — ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia
Os moradores de Utqiagvik passaram dois meses quase totalmente na escuridão
Os habitantes desta pequena cidade no Alasca — o estado dos Estados Unidos mais ao norte — já estão acostumados a longas noites sem ver a luz do dia. Em 18 de novembro de 2018, seus pouco mais de 4 mil habitantes viram o último pôr do sol do ano. A oportunidade seguinte para ver a luz do dia ocorreu no dia 23 de janeiro de 2019, às 13 h 04 min (horário local).
Disponível em: www.bbc.com. Acesso em: 16 maio 2019 (adaptado).
O fenômeno descrito está relacionado ao fato de a cidade citada ter uma posição geográfica condicionada pela
Alternativas
Resolução em Vídeo
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Cartografia e movimentos da Terra (rotação, translação e inclinação do eixo)
- ⚡ Nível: Fácil — exige apenas relacionar um fenômeno físico (dias e noites de duração extrema) ao conceito geográfico correto, sem cálculos ou dados complexos
- 🎯 Tema/Habilidade: Coordenadas geográficas e seus efeitos na duração do dia e da noite (Competência de Área 5 do ENEM — compreender as interações entre a sociedade e a natureza a partir da organização do espaço)
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual elemento da posição geográfica de Utqiagvik explica por que a cidade fica dois meses sem ver o sol?"
- Palavras-chave decisivas: quase totalmente na escuridão, posição geográfica, último pôr do sol / próximo nascer do sol
- Armadilha típica: confundir latitude com longitude — muitos estudantes associam qualquer coordenada geográfica a "longitude" por hábito, sem perceber que aqui o fenômeno é de iluminação (dia/noite), não de fuso horário
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que a duração da noite (ou do dia) em determinado ponto da Terra depende da distância desse ponto em relação à linha do Equador, combinada com a inclinação do eixo terrestre
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Latitude: distância angular, medida em graus, entre um ponto da superfície terrestre e a linha do Equador (0°), variando de 0° a 90° Norte ou Sul. É o elemento que define as zonas térmicas (tropical, temperada, polar) e, nas regiões próximas aos polos, a duração do dia e da noite ao longo do ano.
- Longitude: distância angular entre um ponto e o Meridiano de Greenwich (0°), usada para determinar fusos horários. Não tem relação com a quantidade de luz solar recebida — dois lugares na mesma longitude podem ter climas e regimes de luz completamente diferentes.
- Inclinação do eixo terrestre (23°27'): é a causa física por trás das estações do ano e dos fenômenos polares. Combinada com a translação, faz com que, durante parte do ano, os polos fiquem voltados para longe do Sol (gerando a noite polar) ou voltados para o Sol (gerando o dia polar/sol da meia-noite).
- Círculo Polar Ártico (66°33' N): paralelo a partir do qual, ao menos um dia por ano, o Sol não se põe (verão) e ao menos um dia por ano o Sol não nasce (inverno). Quanto mais próximo do polo, maior o número de dias consecutivos sem luz solar direta.
- Continentalidade e maritimidade: referem-se à influência da proximidade ou distância do oceano sobre a amplitude térmica de um local (climas continentais têm grandes variações de temperatura; climas marítimos são mais amenos). Não explicam ausência de luz solar.
- Altitude: determina a variação de temperatura e pressão atmosférica conforme a elevação do relevo, sem relação com a iluminação solar diária.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "cidade no Alasca — o estado dos Estados Unidos mais ao norte" → indica que Utqiagvik está em posição extremamente setentrional, próxima ao polo Norte, ou seja, em alta latitude.
- Evidência 2: "seus pouco mais de 4 mil habitantes viram o último pôr do sol do ano" em 18 de novembro e só voltaram a ver o sol em 23 de janeiro → descreve exatamente o fenômeno da noite polar, que dura cerca de 65 dias consecutivos nessa localidade.
- Síntese: um período tão longo de ausência total de luz solar só ocorre em locais situados além (ou muito próximos) do Círculo Polar Ártico/Antártico. Essa posição — medida em graus a partir da linha do Equador — é justamente a latitude, que aqui atinge aproximadamente 71° N em Utqiagvik (antiga Barrow), bem acima dos 66°33' N que marcam o início da zona polar.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o fenômeno descrito
O texto relata que os moradores de Utqiagvik ficaram cerca de dois meses (18 de novembro a 23 de janeiro) sem ver o sol nascer. Esse fenômeno é conhecido como noite polar, que ocorre em regiões situadas além do Círculo Polar Ártico (66°33' N) ou do Círculo Polar Antártico (66°33' S).
Subpasso 4.2 — Relacionar o fenômeno à causa astronômica
A noite polar acontece porque o eixo de rotação da Terra é inclinado em aproximadamente 23°27' em relação ao plano de sua órbita ao redor do Sol. Durante o inverno do Hemisfério Norte, o polo Norte fica inclinado para longe do Sol; assim, os raios solares não conseguem alcançar diretamente as regiões muito próximas ao polo por vários dias seguidos. Quanto mais alta a latitude (mais próxima dos 90°), mais longo é esse período de escuridão contínua — em Utqiagvik (≈ 71° N), o intervalo chega a dois meses.
Subpasso 4.3 — Verificação
Se o fator determinante fosse a longitude, o fenômeno não teria relação com o período de escuridão, pois cidades em qualquer longitude (leste ou oeste) podem estar em latitudes baixas (perto do Equador, sem noite polar) ou altas (perto dos polos, com noite polar). Já variações de continentalidade, maritimidade ou altitude alteram temperatura e umidade, mas nenhuma delas é capaz de produzir dois meses seguidos sem nascer do sol. Somente a proximidade extrema em relação ao polo — ou seja, a alta latitude — explica esse comportamento. A resposta está, portanto, alinhada à alternativa que trata de latitude.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) continentalidade.
❌ Incorreta: a continentalidade refere-se à influência da distância em relação ao mar sobre a amplitude térmica de um local (locais continentais têm verões mais quentes e invernos mais frios que locais litorâneos). Não tem qualquer relação com a duração da luz solar ao longo do ano.
B) maritimidade.
❌ Incorreta: a maritimidade é o oposto conceitual da continentalidade — descreve a suavização climática causada pela proximidade do oceano, reduzindo a amplitude térmica. Também não influencia a quantidade de horas de luz solar recebidas por uma localidade.
C) longitude.
❌ Incorreta: a longitude determina apenas a posição de um local em relação ao Meridiano de Greenwich, sendo usada para estabelecer fusos horários. Ela não interfere na duração do dia ou da noite — esse efeito depende exclusivamente da distância ao Equador (latitude), não da distância a Greenwich.
D) latitude.
✅ Correta: a latitude mede a distância angular de um ponto até a linha do Equador. Em razão da inclinação do eixo terrestre, quanto maior a latitude (mais perto dos polos), maior é a variação na duração do dia e da noite ao longo do ano, culminando nos fenômenos de noite polar e dia polar (sol da meia-noite) em latitudes acima de 66°33'. Utqiagvik, a cerca de 71° N, vivencia justamente esse extremo.
E) altitude.
❌ Incorreta: a altitude é a distância vertical de um ponto em relação ao nível do mar, associada a variações de temperatura, pressão atmosférica e oxigenação do ar. Não guarda relação alguma com o número de horas de exposição à luz solar.
🏆 Gabarito: D — a posição de Utqiagvik em altíssima latitude (próxima ao polo Norte) é o único fator geográfico capaz de explicar dois meses seguidos sem nascer do sol, fenômeno causado pela combinação entre latitude elevada e inclinação do eixo terrestre.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente a latitude conecta a posição geográfica de um lugar à quantidade de luz solar recebida ao longo do ano; nenhuma das demais alternativas (longitude, continentalidade, maritimidade, altitude) tem relação causal com noite ou dia polar.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz reportagens ou dados sobre lugares com fenômenos climáticos ou de iluminação extremos (noite polar, sol da meia-noite, estações invertidas) para testar se o estudante distingue latitude de longitude e entende os efeitos da inclinação do eixo terrestre.
- Generalização: sempre que a questão mencionar variação na duração do dia/noite, estações do ano, incidência de raios solares (mais ou menos diretos) ou zonas térmicas (tropical, temperada, polar), a resposta estará ligada à latitude — nunca à longitude, que serve apenas para fusos horários e localização leste-oeste.
- Dica de eliminação rápida: ao ler "duração do dia/noite" ou "estação do ano", elimine imediatamente continentalidade, maritimidade e altitude (temas de clima/relevo, não de iluminação); entre longitude e latitude, lembre-se de que "longitude = horário" e "latitude = luz e temperatura".
- Conexões: o tema se conecta a "movimentos da Terra e estações do ano" e a "fusos horários e Linha Internacional de Data", ambos recorrentes em questões de Geografia física do ENEM.
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