Mapa de questões · 1º dia
Questão 68 — ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia
A comunidade de Mumbuca, em Minas Gerais, tem uma organização coletiva de tal forma expressiva que coopera para o abastecimento de mantimentos da cidade do Jequitinhonha, o que pode ser atestado pela feira aos sábados. Em Campinho da Independência, no Rio de Janeiro, o artesanato local encanta os frequentadores do litoral sul do estado, além do restaurante quilombola que atende aos turistas.
ALMEIDA, A. W. B. (Org.). Cadernos de debates nova cartografia social: Territórios quilombolas e conflitos.
Manaus: Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia; UEA Edições, 2010 (adaptado).
No texto, as estratégias territoriais dos grupos de remanescentes de quilombo visam garantir:
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Território e comunidades tradicionais (quilombolas)
- ⚡ Nível: Médio — exige comparar dois casos concretos e extrair, por generalização, o padrão comum entre eles.
- 🎯 Tema/Habilidade: Estratégias territoriais de comunidades quilombolas; competência de Ciências Humanas ligada à leitura de formas de organização social e produção do espaço por grupos tradicionais.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que as práticas econômicas dos quilombolas descritas no texto têm em comum, em termos de estratégia territorial?"
- Palavras-chave decisivas: abastecimento da cidade, feira, encanta os frequentadores/turistas
- Armadilha típica: confundir a organização coletiva e autônoma das comunidades quilombolas com isolamento ou proteção contra o mercado externo, empurrando o candidato para "reserva de mercado" (B) ou "protecionismo tarifário" (D) — quando o texto mostra exatamente o contrário: abertura e conexão com quem está fora da comunidade.
- O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer que feira, artesanato e restaurante são canais que ligam o território quilombola à economia da região ao redor, e não mecanismos de defesa contra ela.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Remanescentes de quilombo: grupos étnicos descendentes de africanos escravizados que ocuparam e mantiveram terras de forma coletiva; têm direito constitucional à titulação de seus territórios (art. 68 do ADCT).
- Território quilombola: não é apenas espaço de moradia e identidade cultural — é também base produtiva, de onde saem bens e serviços que circulam fora da comunidade.
- Economia de base comunitária (feiras e turismo étnico): modelo em que a produção coletiva (agricultura, artesanato, gastronomia) gera excedente vendido a moradores de cidades vizinhas ou a turistas, gerando renda e reconhecimento social do grupo.
- Inserção econômica regional: processo pelo qual um grupo social passa a integrar ativamente a dinâmica de produção, circulação e consumo de uma região, deixando de estar à margem dela.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "coopera para o abastecimento de mantimentos da cidade do Jequitinhonha, o que pode ser atestado pela feira aos sábados" → a produção de Mumbuca não fica restrita ao consumo interno da comunidade: ela alimenta o comércio de uma cidade vizinha, circulando na economia local/regional.
- Evidência 2: "o artesanato local encanta os frequentadores do litoral sul do estado, além do restaurante quilombola que atende aos turistas" → em Campinho da Independência, a renda vem de bens (artesanato) e serviços (restaurante) voltados a quem vem de fora — moradores do litoral e turistas —, e não apenas ao consumo interno do grupo.
- Síntese: apesar de os contextos serem diferentes (feira de abastecimento em Minas Gerais e turismo costeiro no Rio de Janeiro), os dois exemplos convergem para o mesmo padrão: as comunidades quilombolas usam seu território como plataforma produtiva conectada ao mercado e ao público da região onde estão inseridas.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que os dois casos têm em comum
O enunciado apresenta duas comunidades quilombolas distintas, em estados diferentes, com atividades econômicas diferentes: uma vende mantimentos numa feira semanal; a outra vive de artesanato e de um restaurante voltado a turistas. A pergunta não quer que você descreva cada caso isoladamente, mas que identifique a lógica territorial comum entre eles. Repare que, nos dois casos, a atividade econômica extrapola os limites da própria comunidade: Mumbuca abastece a cidade vizinha; Campinho atende o litoral sul e os turistas que ali circulam.
Subpasso 4.2 — Relacionar o padrão ao conceito de inserção econômica regional
"Inserção econômica regional" significa que um grupo social se torna parte ativa da produção, da troca e do consumo de uma região — deixando de ser um enclave isolado. É exatamente isso que a feira aos sábados (ligando Mumbuca ao abastecimento de Jequitinhonha) e o artesanato/restaurante (ligando Campinho ao fluxo de moradores do litoral e turistas) evidenciam: o território quilombola funciona como base produtiva integrada à economia do entorno, gerando renda e visibilidade para o grupo justamente por meio dessa conexão.
Subpasso 4.3 — Verificação
Teste as demais hipóteses contra o texto: não há qualquer menção a impostos, dívidas, subsídios estatais ou barreiras comerciais — o texto trata apenas de venda de produtos e serviços a quem vem de fora da comunidade. Isso elimina de imediato as alternativas fiscais/tarifárias/assistenciais e confirma que o eixo da questão é comercial e produtivo, o que corresponde exatamente à ideia de inserção econômica regional.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Perdão de dívidas fiscais.
❌ Incorreta: o texto não menciona tributos, impostos ou dívidas em nenhum momento; é um tema fiscal completamente ausente do enunciado, que trata apenas de produção e comércio locais.
B) Reserva de mercado local.
❌ Incorreta: reserva de mercado pressupõe proteção contra a concorrência de agentes externos. O texto mostra o oposto disso — as comunidades abrem sua produção para abastecer a cidade vizinha e para atrair turistas de fora, e não para se blindar da concorrência.
C) Inserção econômica regional.
✅ Correta: a feira que abastece Jequitinhonha e o artesanato/restaurante que atendem turistas do litoral sul comprovam que as duas comunidades quilombolas conectam sua produção à economia da região onde estão localizadas, gerando renda por meio dessa integração.
D) Protecionismo comercial tarifário.
❌ Incorreta: protecionismo tarifário é uma política de Estado sobre importações e exportações, com cobrança de tarifas alfandegárias. Não há qualquer menção a tarifas, impostos de importação ou barreiras comerciais no texto.
E) Benefícios assistenciais públicos.
❌ Incorreta: o texto descreve autonomia produtiva das comunidades — feira, artesanato, restaurante — e não a recepção de auxílios, subsídios ou programas assistenciais do poder público.
🏆 Gabarito: C — as duas comunidades usam seu território como base produtiva conectada à economia regional (feira de abastecimento e turismo/gastronomia), o que caracteriza inserção econômica regional.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: C é a única alternativa que descreve corretamente o padrão comum entre os dois casos: conexão econômica ativa das comunidades quilombolas com o entorno regional, via comércio (feira) e turismo (artesanato e restaurante).
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma trazer estudos de caso sobre comunidades tradicionais (quilombolas, indígenas, ribeirinhas, caiçaras) para testar se o candidato entende que território não é sinônimo de isolamento, mas de relação ativa — cultural, econômica e política — com o espaço ao redor.
- Generalização: sempre que o enunciado descrever atividades econômicas de grupos tradicionais voltadas a um público externo (feiras, turismo, venda de produtos a visitantes), a resposta tende a apontar para integração/inserção na economia regional, e não para isolamento, proteção ou dependência de benefícios estatais.
- Dica de eliminação rápida: alternativas que citam termos técnicos de política fiscal ou tributária (dívidas, tarifas, benefícios assistenciais) sem nenhuma correspondência no texto podem ser eliminadas de cara — o enunciado não fala de Estado, impostos ou assistência social em momento algum.
- Conexões: relacione com o direito à titulação de terras quilombolas previsto no art. 68 do ADCT e com outras questões de Geografia/Sociologia sobre economia solidária e turismo de base comunitária em comunidades indígenas, ribeirinhas e caiçaras.
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