Mapa de questões · 1º dia
Questão 34 — ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia
Antes de Roma ser fundada, as colinas de Alba eram ocupadas por tribos latinas, que dividiam o ano de acordo com seus deuses. Os romanos adaptaram essa estrutura. No princípio dessa civilização o ano tinha dez meses e começava por Martius (atual março). Os outros dois teriam sido acrescentados por Numa Pompílio, o segundo rei de Roma.
Até Júlio César reformar o calendário local, os meses eram lunares, mas as festas em homenagem aos deuses permaneciam designada pelas estações. O descompasso de dez dias por ano fazia que, em todos os triênios, um décimo terceiro mês, o Intercalaris, tivesse que ser enxertado. Com a ajuda de matemáticos do Egito emprestados por Cleópatra, Júlio César acabou com a bagunça ao estabelecer o seguinte calendário solar: Januarius, Februarius, Martius, Aprilis, Maius, Junius, Quinctilis, Sextilis, September, October, November e December. Quase igual ao nosso, com as diferenças que Quinctilis e Sextilis deram origem aos meses de julho e agosto.
Disponível em: https://aventurasnahistoria,uol.com.br. Acesso em: 8 dez.2019.
Considerando as informações no texto e aspectos históricos da formação da língua, a atual escrita dos meses em português
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Origem e formação histórica do léxico (etimologia)
- ⚡ Nível: Fácil — exige relacionar dados explícitos do texto a um conhecimento consolidado (o latim como base da língua portuguesa), sem cálculos ou inferências complexas.
- 🎯 Tema/Habilidade: Formação histórica da língua portuguesa a partir do latim — competência de leitura que relaciona fatos históricos aos processos de constituição da língua.
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "A partir do texto sobre a origem dos nomes dos meses em Roma, o que explica a forma como esses nomes chegaram até o português atual?"
- Palavras-chave decisivas: atual escrita dos meses em português, aspectos históricos da formação da língua, origem latina
- Armadilha típica: confundir "quem organizou o calendário" (Júlio César) com "de onde vem a língua" (os romanos, falantes de latim). A questão não pergunta sobre a autoria do calendário, e sim sobre a origem linguística das palavras.
- O que a resposta precisa demonstrar: separação entre informação histórica (o calendário romano e suas reformas) e informação linguística (de que língua vieram as palavras que hoje usamos em português).
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Latim e línguas românicas: o português, como o espanhol, o francês e o italiano, é língua neolatina — derivou do latim vulgar falado pelos romanos e se espalhou com a expansão do Império Romano até a Península Ibérica.
- Herança lexical vs. empréstimo lexical: palavras herdadas vêm por transmissão contínua da língua-mãe (caso dos meses, presentes no latim desde a Antiguidade). Empréstimos são incorporações posteriores por contato cultural — não é o caso aqui.
- Fato histórico x fato linguístico: o texto narra a história do calendário romano (quem criou, quem reformou). Isso é contexto. A pergunta é sobre língua: por que escrevemos "janeiro", "março" etc. A resposta certa une as duas coisas sem trocar uma pela outra.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "No princípio dessa civilização o ano tinha dez meses e começava por Martius (atual março)." → os nomes dos meses já existiam em latim antes de qualquer reforma, comprovando origem romana/latina.
- Evidência 2: "Júlio César [...] estabeleceu o seguinte calendário solar: Januarius, Februarius, Martius..." → César reorganizou a lógica do calendário, mas manteve nomes latinos já existentes — reformou o sistema, não a língua.
- Síntese: os nomes dos meses nasceram do latim falado pelos romanos, antes das reformas de Numa Pompílio e Júlio César. Como o português vem do latim, a grafia atual (janeiro, fevereiro, março...) é herança direta dessa língua.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que está sendo comparado
A questão relaciona dois planos: (1) o processo histórico narrado — organização do calendário romano, com reformas de Numa Pompílio e Júlio César; e (2) o processo linguístico — como os nomes latinos desses meses se transformaram nos nomes usados hoje em português. O candidato precisa perceber que a pergunta é sobre a origem da língua portuguesa, usando o calendário apenas como contexto.
Subpasso 4.2 — Rastrear a cadeia de transmissão linguística
Os nomes latinos citados — Januarius, Februarius, Martius, Aprilis, Maius, Junius, Quinctilis, Sextilis, September, October, November, December — sofreram evolução fonética ao longo dos séculos, à medida que o latim vulgar se transformava em galego-português e depois em português (o mesmo processo que explica "aqua" → "água" ou "lupus" → "lobo"). "Januarius" → "janeiro", "Martius" → "março" são exemplos clássicos de herança direta do latim, não empréstimo de outra língua.
Subpasso 4.3 — Verificação
Nenhuma passagem do texto afirma que o egípcio ou outra língua influenciou a grafia dos meses — apenas que matemáticos egípcios ajudaram nos cálculos do calendário solar (contribuição científica, não linguística). Também não há indício de calendário "criado" por Cleópatra, nem de que a grafia siga uma "norma" instituída por Júlio César, que reformou o calendário, não a língua. A única alternativa compatível com todas as evidências é a origem latina.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) reflete a origem latina de nossa língua.
✅ Correta: o português é língua neolatina, e os nomes dos meses (Januarius, Februarius, Martius...) citados no texto são a raiz direta das palavras usadas hoje. A grafia atual resulta da evolução fonética do latim — o fenômeno que o texto ilustra ao mostrar os nomes latinos originais.
B) decorre de uma língua falada no Egito antigo.
❌ Incorreta: o texto menciona matemáticos egípcios que ajudaram Júlio César a calcular o calendário solar — contribuição técnica, não linguística. Não há relação entre a língua egípcia antiga e a origem de "janeiro", "fevereiro" etc., que são de raiz latina.
C) tem como base um calendário criado por Cleópatra.
❌ Incorreta: Cleópatra apenas "emprestou" os matemáticos egípcios a Júlio César; foi ele quem estabeleceu o calendário solar. Além disso, autoria de um calendário diz respeito à organização do tempo, não à origem das palavras da língua portuguesa.
D) segue a reformulação da norma da língua proposta por Júlio César.
❌ Incorreta: Júlio César reformulou o calendário (tornando-o solar em vez de lunar), não a língua latina. Os nomes dos meses que ele adotou já existiam antes de sua reforma, como mostra a própria menção a "Martius" desde o início da civilização romana.
E) resulta da padronização do calendário antes da fundação de Roma.
❌ Incorreta: o texto diz que, antes de Roma ser fundada, as tribos latinas dividiam o ano "de acordo com seus deuses" — não havia calendário padronizado nesses moldes. Os nomes citados são posteriores, ligados à própria civilização romana e às reformas de Numa Pompílio e Júlio César.
🏆 Gabarito: A — a atual escrita dos meses em português deriva diretamente dos nomes latinos apresentados no texto, o que evidencia a origem latina da língua portuguesa, e não influências egípcias, autoria de Cleópatra, uma "norma" de Júlio César ou um calendário anterior à fundação de Roma.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa A conecta corretamente o dado histórico (nomes latinos dos meses) ao fenômeno linguístico pedido (origem da língua portuguesa); as demais confundem contribuições técnicas ou autorias de calendário com origem da língua.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa textos históricos ou culturais como pretexto para avaliar se o aluno separa "informação de contexto" de "conceito linguístico" pedido no comando — é teste de leitura atenta, não de decoreba de gramática.
- Generalização: em questões sobre formação histórica do português, lembre-se da cadeia latim vulgar → galego-português → português; alternativas que apontam outra origem (grego, egípcio, árabe) para o núcleo básico do vocabulário (números, meses, pronomes) tendem a estar erradas.
- Dica de eliminação rápida: elimine de imediato qualquer alternativa que confunda "quem organizou/reformou um sistema" (Júlio César, Cleópatra) com "de onde vêm as palavras da língua" — o comando pede origem linguística, não autoria histórica de calendário.
- Conexões: o mesmo raciocínio vale para questões sobre origem de dias da semana e vocabulário cotidiano em português, além de variação linguística e empréstimos lexicais (árabe, tupi, africanas) em contraste com a herança latina.
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