Mapa de questões · 1º dia
Questão 29 — ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia
A rede é, antes de tudo, um instrumento de comunicação entre pessoas, um laço virtual em que as comunidades auxiliam seus membros a aprender o que querem saber. Os dados não representam senão a matéria-prima de um processo intelectual e social vivo, altamente elaborado. Enfim, toda inteligência coletiva do mundo jamais dispensará a inteligência pessoal, o esforço individual e o tempo necessário para aprender, pesquisar, avaliar e integrar-se a diversas comunidades, sejam elas virtuais ou não. A rede jamais pensará em seu lugar, fique tranquilo.
LÉVY, P. A máquina universo: criação, cognição e cultura informática. Porto Alegre: Artmed, 1998.
No contexto das novas tecnologias de informação e comunicação, a circulação de saberes depende da:
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto argumentativo/dissertativo
- ⚡ Nível: Médio — a resposta certa exige distinguir "dados" (matéria-prima) de "contribuição das pessoas" (o que de fato move o processo), uma diferença sutil que o texto marca com clareza, mas que passa despercebida numa leitura rápida.
- 🎯 Tema/Habilidade: Tecnologias da informação e comunicação (TICs) e inteligência coletiva — Competência de Área 1 de Linguagens (compreender e usar a língua como geradora de significação e integradora da organização do mundo), com foco em identificar a tese central de um texto argumentativo.
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Segundo o texto de Pierre Lévy, o que sustenta a circulação de saberes nas redes de informação e comunicação?"
- Palavras-chave decisivas: inteligência coletiva, inteligência pessoal, esforço individual
- Armadilha típica: confundir "informação disponível na rede" (dados, sites, quantidade de conteúdo) com o que realmente faz o saber circular — a ação das pessoas. Muitos candidatos marcam a alternativa D (quantidade de informação) porque associam internet a "muita informação", ignorando que o próprio texto nega essa ideia.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de localizar a tese do autor — de que a rede é só um meio, e quem produz e faz circular o saber são as pessoas, com seu esforço individual, dentro das comunidades.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Inteligência coletiva (Pierre Lévy): conceito segundo o qual o conhecimento se constrói de forma compartilhada entre os membros de uma comunidade, mas sem jamais substituir a inteligência e o esforço de cada indivíduo — a coletividade amplia, não elimina, a participação pessoal.
- Texto argumentativo/dissertativo: gênero em que o autor defende uma tese por meio de afirmações encadeadas; para responder à questão, é preciso identificar essa tese central, não apenas frases isoladas.
- Dado x conhecimento (saber): distinção clássica na teoria da informação — dado é matéria-prima bruta (números, textos, registros); conhecimento/saber é o resultado de um processo humano de seleção, avaliação e integração desses dados, feito por pessoas.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "A rede é, antes de tudo, um instrumento de comunicação entre pessoas, um laço virtual em que as comunidades auxiliam seus membros a aprender o que querem saber." → A rede (tecnologia) é definida como meio, não como fonte do saber; quem ensina e aprende são as pessoas dentro das comunidades — ou seja, os próprios usuários.
- Evidência 2: "Os dados não representam senão a matéria-prima de um processo intelectual e social vivo, altamente elaborado." → O autor rebaixa explicitamente o papel dos dados (informação bruta) a simples insumo; o processo que transforma dado em saber é "intelectual e social", isto é, feito por pessoas.
- Evidência 3: "Toda inteligência coletiva do mundo jamais dispensará a inteligência pessoal, o esforço individual e o tempo necessário para aprender, pesquisar, avaliar e integrar-se a diversas comunidades." → Mesmo a inteligência coletiva — construída por todos — depende do esforço de cada indivíduo. A rede não pensa sozinha; são os usuários que pesquisam, avaliam e compartilham.
- Síntese: As três evidências convergem para a mesma ideia: a tecnologia (rede, dados, sites) é apenas suporte; o que efetivamente faz o saber circular é a ação humana — o esforço, a pesquisa e a participação de cada pessoa dentro das comunidades virtuais. Esse conjunto de ações é, em outras palavras, a contribuição dos usuários.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a tese central do texto
Pierre Lévy contrapõe dois elementos ao longo de todo o trecho: de um lado, a rede/os dados (a estrutura tecnológica); de outro, a inteligência pessoal e o esforço individual (a ação humana). Ele afirma repetidamente que o segundo elemento é indispensável e que o primeiro, sozinho, nada resolve ("a rede jamais pensará em seu lugar"). Essa oposição é a chave de leitura de toda a questão.
Subpasso 4.2 — Traduzir a tese para a pergunta do enunciado
A pergunta quer saber do que depende "a circulação de saberes" no contexto das TICs. Se o texto diz que dados são só matéria-prima e que a inteligência coletiva não dispensa o esforço individual de "aprender, pesquisar, avaliar e integrar-se a diversas comunidades", então a circulação de saberes depende diretamente da ação das pessoas que compõem essas comunidades — ou seja, depende de sua contribuição ativa (pesquisar, avaliar, ensinar uns aos outros, compartilhar o que sabem).
Subpasso 4.3 — Verificação cruzada com as alternativas
Ao comparar essa síntese com as cinco opções, apenas uma nomeia diretamente esse agente humano e ativo mencionado pelo texto: "contribuição dos usuários" (alternativa C). As demais alternativas apontam para elementos técnicos ou secundários (tempo, confiabilidade de sites, quantidade de dados) ou restringem indevidamente o grupo responsável (intelectuais), contrariando o texto, que fala em "membros" das comunidades de forma ampla e inclusiva — qualquer pessoa que aprende, pesquisa e compartilha, não apenas especialistas.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) otimização do tempo.
❌ Incorreta: o texto menciona "o tempo necessário para aprender, pesquisar, avaliar" apenas como um recurso que o esforço individual demanda, não como a condição que faz o saber circular. Tempo é consequência do processo (leva tempo para aprender), não sua causa.
B) confiabilidade dos sites.
❌ Incorreta: o texto não discute credibilidade, curadoria ou verificação de fontes em nenhum momento. Essa alternativa introduz um critério técnico-institucional que é estranho ao argumento de Lévy, cujo foco está nas pessoas e nas comunidades, não na qualidade das plataformas.
C) contribuição dos usuários.
✅ Correta: é exatamente o que o texto defende — a rede é "instrumento de comunicação entre pessoas", as "comunidades auxiliam seus membros a aprender" e a inteligência coletiva depende da "inteligência pessoal" e do "esforço individual" de cada participante. Toda essa cadeia de ideias descreve, em síntese, a contribuição ativa dos usuários como motor da circulação de saberes.
D) quantidade de informação.
❌ Incorreta: essa é a armadilha central da questão, pois o texto nega explicitamente essa ideia ao afirmar que "os dados não representam senão a matéria-prima" — ou seja, ter muita informação disponível não basta; o que importa é o processo humano de transformar esses dados em saber.
E) colaboração de intelectuais.
❌ Incorreta: o texto fala em "membros" das comunidades de modo genérico, sem restringir o papel de construir e compartilhar saber a especialistas ou intelectuais. Restringir a "intelectuais" contraria o caráter coletivo e democrático da inteligência coletiva descrita por Lévy, que é obra de qualquer usuário engajado.
🏆 Gabarito: C — o texto de Pierre Lévy defende que a rede é apenas um meio de comunicação e que os dados são só matéria-prima; quem efetivamente produz e faz circular o saber é o esforço individual de cada pessoa dentro das comunidades, isto é, a contribuição ativa dos usuários.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C nomeia o agente humano que o texto aponta como indispensável — a pessoa que pesquisa, avalia e compartilha dentro da comunidade —, enquanto as demais opções mencionam fatores técnicos (tempo, sites, quantidade de dados) ou restringem indevidamente esse agente a um grupo específico (intelectuais).
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra textos sobre TICs, redes sociais e cultura digital para testar se o candidato entende que tecnologia é meio, não fim — e que a ação humana continua central mesmo em ambientes virtuais. Pierre Lévy é autor recorrente nesse eixo temático.
- Generalização: em textos argumentativos sobre tecnologia, sempre localize a tese do autor sobre o papel do ser humano frente à máquina/rede; alternativas que reduzem a questão a aspectos puramente técnicos (velocidade, quantidade, infraestrutura) costumam ser distratores quando o texto valoriza a ação humana.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que fale só de "quantidade" ou "tempo" quando o texto contrapõe explicitamente dados a processo humano — geralmente é uma pista de que o autor está desvalorizando justamente esse fator técnico. Elimine também alternativas que restringem a um grupo específico (como "intelectuais") quando o texto usa termos amplos como "membros" ou "pessoas".
- Conexões: compare com questões sobre letramento digital e cultura participativa (web 2.0), e com textos sobre educação a distância que discutem o papel do aluno como protagonista da própria aprendizagem — ambos os temas retomam a ideia de que a tecnologia sozinha não ensina; quem aprende é a pessoa.
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