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Questão 36ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia

Questão 036 - ENEM 2019 -

Utilizando chocolate derretido como matéria-prima, essa obra de Vik Muniz, reproduz a célebre fotografia do processo de criação de Jackson Pollock. A originalidade dessa releitura reside na

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Artes → Arte Contemporânea, apropriacionismo e paródia na produção artística
  • ⚡ Nível: Médio — a questão não exige decorar biografias, mas pede que o candidato reconheça, a partir de pistas textuais, o mecanismo de apropriação e paródia que estrutura a obra de Vik Muniz.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Leitura crítica de linguagens artísticas — reconhecer recursos de citação, releitura e ressignificação (paródia/apropriação) em obras de arte contemporânea.
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que torna original a obra de Vik Muniz que recria, em chocolate derretido, a famosa fotografia do processo de criação de Jackson Pollock?"
  • Palavras-chave decisivas: "chocolate derretido", "reproduz", "originalidade"
  • Armadilha típica: tratar "reproduz" como sinônimo de cópia neutra e fiel, ignorando que a pergunta é sobre a originalidade dessa releitura — ou seja, o que ela acrescenta de novo em relação à cena original, e não o quanto ela se parece com ela.
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar com precisão qual recurso artístico (paródia, crítica de circulação, simplificação, contraposição de linguagens ou crítica ao abstracionismo) explica a originalidade da obra — e não apenas descrever que ela "imita" Pollock.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Vik Muniz: artista plástico e fotógrafo brasileiro contemporâneo célebre por recriar imagens icônicas da história da arte e da cultura visual usando materiais inusitados e não convencionais — chocolate, açúcar, lixo, poeira, barbante, geleia. Depois de montar a cena com o material, ele a fotografa, e é essa fotografia final que se torna a obra exposta.
  • Jackson Pollock e a "action painting": pintor expressionista abstrato norte-americano que, no início dos anos 1950, estendia a tela no chão do ateliê e escorria, pingava e respingava tinta sobre ela em movimentos corporais amplos — um gesto performático registrado em fotos e filmes célebres do fotógrafo Hans Namuth, que acompanhou Pollock trabalhando.
  • Apropriação (appropriation art): estratégia recorrente na arte contemporânea que consiste em pegar emprestada uma imagem, obra ou ícone já existente e recontextualizá-lo, deslocando seu sentido original.
  • Paródia artística: forma de apropriação marcada por humor, ironia ou incongruência proposital entre o modelo citado e a nova versão — geralmente por meio da inversão de material, escala, contexto ou suporte, criando um comentário irônico sobre a obra-fonte.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Utilizando chocolate derretido como matéria-prima" → revela a substituição do material nobre e permanente da pintura (a tinta) por um material cotidiano, comestível, efêmero e associado ao consumo e ao prazer imediato — uma escolha deliberadamente incongruente com a seriedade histórica atribuída ao expressionismo abstrato.
  • Evidência 2: "reproduz a célebre fotografia do processo de criação de Jackson Pollock" → mostra que Vik Muniz não recria o quadro abstrato final de Pollock, mas sim o gesto, a técnica de escorrer e pingar tinta registrada na fotografia de Namuth — ou seja, ele cita a ação de pintar, o próprio fazer artístico, reencenando-o com chocolate escorrido em vez de tinta escorrida.
  • Síntese: ao repetir o mesmo gesto corporal (escorrer/pingar a matéria sobre a superfície) usando um material completamente diferente e inesperado (chocolate no lugar de tinta), Vik Muniz cita e ironiza simultaneamente a técnica e os materiais da cena original — isso é, por definição, uma apropriação de caráter parodístico.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o que exatamente é "citado" pela obra

O enunciado deixa claro que Vik Muniz não está reinventando uma composição abstrata original; ele está reencenando uma fotografia específica e famosa: o registro do processo de Pollock pintando. Isso significa que a obra dialoga diretamente com uma referência preexistente e reconhecível — condição básica para se falar em apropriação artística.

Subpasso 4.2 — Localizar o elemento de paródia

A originalidade não está em copiar fielmente a cena (isso seria só reprodução), mas em substituir o material clássico (tinta a óleo/esmalte industrial) por um material trivial, doce e perecível: chocolate derretido. Essa troca gera um contraste irônico entre a solenidade histórica da action painting — considerada um marco radical da pintura do século XX — e a leveza/informalidade do chocolate, associado à cozinha e ao consumo. Repetir a mesma técnica (escorrer, pingar, gesticular sobre a superfície) com um material tão distinto é o que caracteriza a paródia: imita-se a forma para comentar, com humor, o conteúdo original.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando essa leitura com as alternativas, apenas a opção que menciona simultaneamente "técnicas" (o gesto de escorrer/pingar, próprio da action painting) e "materiais" (a troca de tinta por chocolate) de forma "parodística" (com efeito irônico/humorístico) descreve com exatidão o mecanismo identificado. Essa é a alternativa A, confirmando que a originalidade da obra reside na apropriação parodística das técnicas e materiais utilizados.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) apropriação parodística das técnicas e materiais utilizados.

✅ Correta: é exatamente isso que a obra faz — cita a técnica de Pollock (escorrer/pingar sobre a superfície) e substitui o material sério da pintura por chocolate, um material cotidiano e comestível, gerando um efeito irônico e parodístico que é a fonte da originalidade da releitura.

B) reflexão acerca dos sistemas de circulação da arte.

❌ Incorreta: "sistemas de circulação da arte" diz respeito a museus, galerias, mercado, exposição e consumo institucional da obra — tema que não é abordado pelo enunciado, que fala apenas da matéria-prima e da cena reproduzida, não de onde ou como a obra circula.

C) simplificação dos traços da composição pictórica.

❌ Incorreta: não há simplificação; ao contrário, Vik Muniz busca reproduzir com fidelidade a cena fotografada (a pose, o gesto, os respingos), preservando a complexidade visual da imagem original — a mudança está no material, não numa redução dos traços.

D) contraposição de linguagens artísticas distintas.

❌ Incorreta: fotografia e pintura já estavam associadas na cena original (Namuth fotografou Pollock pintando), então não há uma "contraposição" nova de linguagens criada por Muniz; o procedimento dele mantém a mesma lógica de registro fotográfico de um processo pictórico, apenas trocando o material do processo.

E) crítica do advento do abstracionismo.

❌ Incorreta: a obra não critica o movimento abstracionista enquanto proposta estética ou histórica; ela dialoga com humor sobre o material e o gesto de uma obra específica, sem tecer juízo de valor sobre a validade ou o surgimento da arte abstrata.

🏆 Gabarito: A — a originalidade da releitura de Vik Muniz está na apropriação parodística: ele repete a técnica de Pollock (escorrer/pingar sobre a superfície) substituindo o material sério da pintura por chocolate derretido, criando um comentário irônico sobre a cena original.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa A nomeia com precisão os dois elementos manipulados por Vik Muniz — técnica (o gesto de escorrer) e material (chocolate no lugar de tinta) — e o efeito gerado por essa manipulação (paródia via apropriação).
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz obras de arte contemporânea que "citam" ou "releem" ícones da história da arte (Vik Muniz, Romero Britto, colagens, memes visuais) para testar se o aluno reconhece recursos como apropriação, paródia, ironia e ressignificação.
  • Generalização: sempre que uma questão de arte perguntar sobre a "originalidade" de uma releitura, procure o que foi trocado (material, suporte, escala, contexto) em relação ao original — é nessa troca que mora o comentário crítico ou irônico da nova obra.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que introduzem elementos não mencionados no enunciado (circulação da arte, crítica ideológica ao movimento, contraposição de linguagens) — se o texto só fala de material e do processo fotografado, a resposta certa também deve falar só disso.
  • Conexões: compare com outras questões sobre releituras (como paródias de obras clássicas na publicidade) e com o conceito de "ready-made" de Marcel Duchamp, outro caso célebre de deslocamento de sentido pela troca de material/contexto.

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