Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 86ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia

A ocasião fez o ladrão: Francis Drake travava sua guerra de pirataria contra a Espanha papista quando roubou as tropas de mulas que levavam o ouro do Peru para o Panamá. Graças à cumplicidade da rainha Elizabeth I, ele reincide e saqueia as costas do Chile e do Peru antes de regressar pelo Oceano Pacífico, e depois pelo Índico. Ora, em Ternate ele oferece sua proteção a um sultão revoltado com os portugueses; assim nasce o primeiro entreposto inglês ultramarino.

FERRO, M. História das colonizações. Das colonizações às independências.
Séculos XIII a XX.  São Paulo: Cia. das Letras, 1996.

A tática adotada pela Inglaterra do século XVI, conforme citada no texto, foi o meio encontrado para

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Expansão marítima moderna e mercantilismo (rivalidade colonial Espanha x Inglaterra, séc. XVI)
  • ⚡ Nível: Médio — o texto entrega as evidências de forma explícita, mas exige do aluno o repertório histórico sobre corso, mercantilismo e o exclusivismo colonial ibérico para não confundir causa com consequência
  • 🎯 Tema/Habilidade: O corso (pirataria patrocinada pelo Estado) como instrumento inglês de acumulação de riquezas coloniais; compreensão de processos históricos de dominação e disputa territorial na Idade Moderna
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual foi o objetivo prático da tática inglesa — a pirataria de Estado praticada por Francis Drake — descrita no texto?"
  • Palavras-chave decisivas: tática, Inglaterra do século XVI, meio encontrado para
  • Armadilha típica: fixar-se no episódio final de Ternate (aliança com o sultão, "entreposto ultramarino") e concluir que a tática visava rotas comerciais ou alianças diplomáticas, ignorando que esse é apenas o desfecho da viagem, não o núcleo da ação narrada
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar que o corso apoiado pela Coroa inglesa funcionava como via alternativa para se apropriar do ouro e da prata que a Espanha extraía de suas colônias americanas, já que a Inglaterra não dispunha de colônias equivalentes nem podia disputar esse território por vias legais

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Mercantilismo: conjunto de práticas econômicas dos Estados absolutistas modernos, baseadas no metalismo (acúmulo de ouro e prata), na balança comercial favorável e no controle de colônias como fonte de riqueza para a metrópole.
  • Corso (pirataria de Estado): prática pela qual um governo concedia autorização — dissimulada ou explícita — a capitães privados para atacar embarcações de nações rivais, dividindo o butim com a Coroa; distinguia-se da pirataria comum justamente por essa chancela oficial.
  • Exclusivismo colonial ibérico: pelo Tratado de Tordesilhas (1494), com aval papal, Espanha e Portugal repartiram entre si o domínio das terras "descobertas" fora da Europa. Potências protestantes emergentes, como a Inglaterra anglicana, não reconheciam essa partilha "papista", o que tornava o confronto direto pela posse territorial pouco viável.
  • Rivalidade Elizabeth I x Filipe II: a Inglaterra, sem frota nem colônias americanas consolidadas, usava o corso como atalho para obter riqueza rapidamente e desgastar a Espanha, disputa que culminaria na Guerra Anglo-Espanhola e na derrota da Armada Invencível (1588).

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "roubou as tropas de mulas que levavam o ouro do Peru para o Panamá" → ataque direto à rota de escoamento dos metais preciosos extraídos das colônias espanholas — o famoso caminho terrestre entre Lima e Panamá, por onde o ouro e a prata seguiam rumo à Espanha.
  • Evidência 2: "Graças à cumplicidade da rainha Elizabeth I, ele reincide e saqueia as costas do Chile e do Peru" → comprova que a pirataria não era ação isolada de um aventureiro, mas política de Estado sistematicamente repetida contra os territórios coloniais espanhóis na América.
  • Evidência 3: "em Ternate ele oferece sua proteção a um sultão revoltado com os portugueses; assim nasce o primeiro entreposto inglês ultramarino" → mostra o desdobramento posterior da circum-navegação, já no caminho de volta pelo Índico — consequência da viagem, não o alvo original da tática descrita.
  • Síntese: o corso avalizado pela Coroa inglesa teve como função primeira apoderar-se das riquezas que a Espanha extraía de suas colônias americanas, contornando o monopólio ibérico sem enfrentá-lo por meio de conquista territorial formal — o entreposto asiático é um subproduto da rota de fuga de Drake, não o objetivo central da tática.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Situar o cenário histórico

No século XVI, Espanha e Portugal detinham, por respaldo papal e pelo Tratado de Tordesilhas, o monopólio legal sobre a exploração das terras americanas e das rotas para o Oriente. A Inglaterra elisabetana, protestante e ainda periférica no jogo colonial, não tinha como reivindicar territórios já "legalizados" pela partilha ibérica. Faltava-lhe, portanto, um mecanismo que lhe permitisse acessar a riqueza americana sem entrar em guerra declarada nem reconhecer — tampouco disputar diretamente — o exclusivismo espanhol.

Subpasso 4.2 — Identificar a tática e sua finalidade

É nesse vácuo que entra o corso: a Coroa inglesa autoriza e protege, de forma dissimulada ("cumplicidade da rainha Elizabeth I"), ataques de corsários como Drake às frotas e portos espanhóis. O texto narra dois episódios sucessivos com o mesmo padrão: o roubo do ouro peruano em trânsito para o Panamá e o saque das costas do Chile e do Peru. Ambos têm um único alvo — as riquezas minerais que a Espanha extraía de suas colônias americanas. A pirataria, portanto, não era um fim em si mesma, mas o meio pelo qual a Inglaterra conseguia se apropriar de parte do ouro e da prata americanos sem produzir colônias próprias na região.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando essa síntese com as alternativas, apenas a opção que fala em "conquistar as riquezas dos territórios americanos" traduz com precisão o que o texto demonstra: saque de ouro, assalto a tropas de mulas, pilhagem de costas — tudo apontando para a apropriação de riqueza colonial espanhola, e não para reconstrução de economia, legalização de posse territorial, alianças com outras potências europeias ou fortalecimento genérico de rotas comerciais.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) restabelecer o crescimento da economia mercantil.

❌ Incorreta: o texto não descreve uma retração prévia da economia inglesa que precisasse ser "restabelecida"; fala de aquisição direta de riqueza alheia por meio de assalto, não de recuperação de um crescimento econômico interno.

B) conquistar as riquezas dos territórios americanos.

✅ Correta: todos os episódios narrados — roubo do ouro do Peru, saque das costas do Chile e do Peru — mostram o corso como ferramenta para se apoderar das riquezas minerais que a Espanha extraía de suas colônias na América, exatamente o que a tática descrita realizava na prática.

C) legalizar a ocupação de possessões ibéricas.

❌ Incorreta: em nenhum momento a Inglaterra busca legitimar juridicamente a posse de territórios espanhóis ou portugueses; o corso é justamente uma via informal e clandestina, à margem da legalidade reconhecida pelo Tratado de Tordesilhas, não um esforço de legalização.

D) ganhar a adesão das potências europeias.

❌ Incorreta: o único acordo mencionado no texto é com o sultão de Ternate, uma liderança local em conflito com Portugal — não uma potência europeia; não há qualquer menção a alianças com outros reinos do continente.

E) fortalecer as rotas do comércio marítimo.

❌ Incorreta: o retorno pelo Pacífico e pelo Índico é consequência da fuga de Drake após os saques, não uma estratégia deliberada de consolidação de rotas comerciais; o núcleo da narrativa é a pilhagem de riqueza, não a estruturação de comércio regular.

🏆 Gabarito: B — a tática do corso, sustentada pela Coroa inglesa, foi o meio encontrado para conquistar as riquezas (ouro e prata) extraídas dos territórios coloniais espanhóis na América, contornando o monopólio ibérico sem confrontá-lo por vias formais.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: Todas as ações de Drake relatadas no texto — roubo de ouro em trânsito, saque de litorais — convergem para um único propósito concreto: apropriar-se da riqueza colonial espanhola, o que só a alternativa B expressa com fidelidade.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora a expansão marítima moderna sob a ótica da disputa entre potências europeias pela riqueza colonial, cobrando do aluno a leitura crítica de fontes historiográficas que descrevem esse conflito por trás da fachada da "aventura" ou do "acaso".
  • Generalização: em textos sobre corso, pirataria de Estado ou concorrência intercolonial nos séculos XVI-XVIII, a resposta correta quase sempre remete à disputa econômica pelas riquezas coloniais (metais preciosos, especiarias, rotas comerciais), e não a motivações religiosas, diplomáticas ou de "legalização" formal.
  • Dica de eliminação rápida: descarte alternativas que introduzam elementos ausentes do texto (alianças com "potências europeias" em D) ou que contradigam a lógica da ação descrita (D e C falam em legalidade e cooperação, mas o texto narra roubo e saque, ou seja, ilegalidade e confronto).
  • Conexões: compare com questões sobre o Tratado de Tordesilhas, a Companhia das Índias Orientais e a posterior consolidação do Império Britânico ultramarino, temas que dão continuidade histórica direta à lógica mercantilista iniciada com o corso elisabetano.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.