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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 42ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia

A ciência do Homem-Aranha

Muitos dos superpoderes do querido Homem-Aranha de fato se assemelham às habilidades biológicas das aranhas e são objetos de estudo para produção de novos materiais.

O “sentido-aranha” adquirido por Peter Parker funciona quase como um sexto sentido, uma espécie de habilidade premonitória e, por isso, soa como um mero elemento ficcional. No entanto, as aranhas realmente têm um sentido mais aguçado. Na verdade, elas têm um dos sistemas sensoriais mais impressionantes da natureza.

Os pelos sensoriais das aranhas, que estão espalhados por todo o corpo, funcionam como uma forma muito boa de perceber o mundo e captar informações do ambiente. Em muitas espécies, esse tato por meio dos pelos tem papel mais importante que a própria visão, uma vez que muitas aranhas conseguem prender e atacar suas presas na completa escuridão. E por que os pelos humanos não são tão eficientes como órgãos sensoriais como os das aranhas? Primeiro, porque um ser humano tem em média 60 fios de pelo em cada cm² do corpo, enquanto algumas espécies de aranha podem chegar a ter 40 mil pelos por cm² ; segundo, porque cada pelo das aranhas possui até 3 nervos para fazer a comunicação entre a sensação percebida e o cérebro, enquanto nós, seres humanos, temos apenas 1 nervo por pelo.

Disponível em: http://cienciahoje.org.br. Acesso em: 11 dez. 2019 (adaptado)

Como estratégia de progressão do texto, o autor simula uma interlocução com o público leitor ao recorrer à

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura e interpretação de texto (gêneros de divulgação científica e estratégias argumentativas)
  • ⚡ Nível: Médio — o texto reúne vários recursos persuasivos ao mesmo tempo (comparação, léxico afetivo, dados numéricos), e é preciso isolar exatamente aquele que produz efeito de diálogo com o leitor
  • 🎯 Tema/Habilidade: Estratégias de progressão textual e interlocução autor-leitor em texto de divulgação científica — Competência de Área 1 (compreender textos e reconhecer procedimentos de construção do sentido)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual recurso o autor usa para simular uma conversa com o leitor e, com isso, fazer o texto avançar?"
  • Palavras-chave decisivas: estratégia de progressão, simula uma interlocução, público leitor
  • Armadilha típica: confundir "recurso que interage com o leitor" com qualquer elemento persuasivo do texto — comparação, palavra afetiva ou dado numérico também "convencem", mas nem todos simulam um diálogo direto
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar a marca linguística que funciona como se o autor "perguntasse" algo ao leitor e, na sequência, respondesse, fazendo o texto progredir de um bloco de informação para o próximo

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Interlocução simulada: recurso pelo qual quem escreve cria a ilusão de um diálogo com quem lê, mesmo em um texto monológico (sem interação real), geralmente por meio de perguntas, apelos ou expressões de segunda pessoa.
  • Pergunta retórica: pergunta que não busca resposta do interlocutor — o próprio autor a responde logo em seguida — e serve para guiar o raciocínio do leitor, antecipando uma dúvida que ele teria.
  • Progressão textual: mecanismo de organização das ideias que faz o texto "andar para frente", introduzindo informação nova a partir da informação já dada, evitando estagnação ou repetição.
  • Divulgação científica: gênero que "traduz" conhecimento especializado para o público leigo, recorrendo com frequência a recursos de aproximação com o leitor (perguntas, comparações do cotidiano, referências pop como o Homem-Aranha).

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "E por que os pelos humanos não são tão eficientes como órgãos sensoriais como os das aranhas?" → é uma pergunta formulada diretamente ao leitor, no meio do texto, como se o autor antecipasse a dúvida que o próprio leitor teria naquele ponto da explicação.
  • Evidência 2: "Primeiro, porque um ser humano tem em média 60 fios de pelo em cada cm² [...]; segundo, porque cada pelo das aranhas possui até 3 nervos [...]" → logo após a pergunta, o autor mesmo a responde, organizando a resposta em "primeiro" e "segundo". Isso confirma que ninguém além do autor respondeu: a pergunta não esperava resposta externa.
  • Síntese: a pergunta funciona como uma dobradiça do texto — fecha o parágrafo sobre a eficiência sensorial das aranhas e abre a explicação causal (por quê isso acontece), criando o efeito de "conversa" com o leitor e fazendo o texto avançar do "o quê" para o "por quê".

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Separar "estratégia formal" de "conteúdo temático"

O comando pede uma estratégia de progressão que simula uma interlocução com o leitor. Isso é diferente de perguntar "sobre o que fala o texto" ou "o que o texto afirma". É preciso procurar uma marca linguística — uma construção sintática, uma pontuação, um recurso de interação — e não apenas um conteúdo informativo (como um dado ou uma comparação temática). Muitas alternativas do enunciado descrevem conteúdos do texto (o sentido-aranha, a comparação super-herói/aranha, os números de pelos e nervos); apenas uma descreve um recurso formal de interação.

Subpasso 4.2 — Localizar a marca de interlocução no texto

Relendo o texto, há exatamente um trecho em que o autor se dirige ao leitor por meio de uma interrogação: "E por que os pelos humanos não são tão eficientes como órgãos sensoriais como os das aranhas?" Note a conjunção "E" no início, típica de fala/conversa, reforçando o efeito de continuidade dialógica. Essa pergunta não é respondida por nenhum interlocutor externo — o próprio autor a responde na sequência, com "primeiro, porque... segundo, porque...". Esse é o comportamento clássico da pergunta retórica: formular a dúvida do leitor para, em seguida, saná-la, conduzindo a progressão da leitura.

Subpasso 4.3 — Verificação

Verificando o conteúdo que essa pergunta introduz: ela antecede diretamente a explicação das causas da maior eficiência sensorial das aranhas (a quantidade de pelos por cm² e o número de nervos por pelo). Isso corresponde, palavra por palavra, à alternativa D: "pergunta retórica na introdução das causas da eficiência do sistema sensorial das aranhas". A resolução converge exatamente para essa alternativa.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) revelação do "sentido-aranha" adquirido pelo super-herói como um sexto sentido.

❌ Incorreta: isso é uma afirmação de conteúdo feita no primeiro parágrafo, não um recurso formal que simula diálogo com o leitor. É informação declarada, não pergunta nem interpelação.

B) caracterização do afeto do público pelo super-herói marcado pela palavra "querido".

❌ Incorreta: "querido" é um recurso lexical que expressa subjetividade e aproxima o leitor afetivamente do tema, mas não constrói uma estrutura de pergunta-resposta; não é isso que caracteriza uma "interlocução" simulada — é apenas conotação, não interação dialógica.

C) comparação entre os poderes do super-herói e as habilidades biológicas das aranhas.

❌ Incorreta: essa comparação é o eixo temático de todo o texto (a analogia Homem-Aranha/aranha real), mas comparar não é o mesmo que simular diálogo. É um recurso de organização de conteúdo, não uma estratégia de interlocução com o leitor.

D) pergunta retórica na introdução das causas da eficiência do sistema sensorial das aranhas.

✅ Correta: é exatamente o trecho "E por que os pelos humanos não são tão eficientes...?", que simula uma pergunta do leitor, respondida pelo próprio autor logo a seguir, introduzindo as duas causas (quantidade de pelos e número de nervos). É o único recurso que efetivamente cria o efeito de conversa.

E) comprovação das diferenças entre a constituição física do homem e da aranha por meio de dados numéricos.

❌ Incorreta: os dados numéricos (60 fios/cm², 40 mil pelos/cm², 3 nervos por pelo) são a resposta trazida pela pergunta retórica, ou seja, são consequência da estratégia de interlocução, não a estratégia em si. Confundir a resposta com o recurso que a provoca é o erro típico dessa alternativa.

🏆 Gabarito: D — apenas a pergunta retórica formulada no meio do texto simula um diálogo direto com o leitor, antecipando sua dúvida e organizando a introdução das causas da eficiência sensorial das aranhas.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que aponta um recurso formal de interação (pergunta) e não apenas um conteúdo do texto (afirmação, comparação, léxico afetivo ou dados); por isso é a única compatível com "simula uma interlocução... como estratégia de progressão".
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência, em textos de divulgação científica e jornalísticos, o reconhecimento de estratégias argumentativas e coesivas — pergunta retórica, personificação, ironia, uso de dados, comparação — sempre pedindo que o candidato identifique o recurso (o "como") e não apenas o conteúdo (o "o quê").
  • Generalização: sempre que o comando usar palavras como "estratégia", "recurso", "efeito de sentido" ou "progressão", a resposta certa aponta para uma marca linguística ou estrutural (pontuação, tempo verbal, tipo de frase), e não para um trecho de conteúdo temático.
  • Dica de eliminação rápida: elimine primeiro as alternativas que apenas resumem "o que o texto diz" (aqui, A, C e E, que descrevem conteúdo/dados); entre as restantes, escolha a que descreve efetivamente um mecanismo de interação com o leitor — a pergunta retórica, não o léxico afetivo isolado.
  • Conexões: funções da linguagem (função conativa/apelativa), coesão e progressão textual, figuras de linguagem argumentativas em textos de divulgação científica.

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