Mapa de questões · 1º dia
Questão 1 — ENEM 2019Caderno azul · 1º Dia
Adelfos
Yo soy como las gentes que a mi tierra vinieron — soy de la raza mora, vieja amiga del sol —, que todo lo ganaron y todo lo perdieron. Tengo el alma de nardo del árabe español.
Nessa estrofe, o poeta e dramaturgo espanhol Manuel Machado reflete acerca
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Espanhol → Interpretação de texto literário (poesia) e identidade cultural
- ⚡ Nível: Médio — exige decodificar linguagem poética e reconhecer o sentido conotativo de expressões como "raza mora" e "árabe español"
- 🎯 Tema/Habilidade: Identidade cultural andaluza/espanhola na poesia de Manuel Machado; competência de leitura e interpretação de textos literários em língua estrangeira
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Sobre o que o eu lírico reflete nesta estrofe?"
- Palavras-chave decisivas: raza mora, árabe español, ganaron y perdieron
- Armadilha típica: confundir a menção a "perdieron" com o tema central sendo "perda migratória", ou se prender à imagem do sol/nardo como se o poema tratasse de natureza
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que o eu lírico se autodefine simultaneamente como "mouro" e "espanhol", fundindo duas heranças culturais em uma só identidade
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Contexto histórico de Al-Andalus: entre os séculos VIII e XV, parte da Península Ibérica foi dominada por povos árabo-muçulmanos (mouros), que deixaram herança profunda na cultura, língua, arquitetura e sensibilidade andaluza, mesmo após a Reconquista cristã.
- Manuel Machado e o andalucismo: poeta sevilhano (irmão de Antonio Machado) que, na obra "Alma" (1902), de onde vem "Adelfos", explora a identidade andaluza como síntese de heranças mouras e cristãs/espanholas — traço típico do modernismo espanhol de raiz orientalista.
- Linguagem conotativa e apostos poéticos: expressões como "vieja amiga del sol" e "alma de nardo" funcionam como apostos/metáforas que qualificam a "raza mora", não como tema autônomo sobre natureza.
- Identidade plural/híbrida: conceito-chave para interpretar poesia que mistura marcadores étnico-culturais aparentemente opostos (mouro x espanhol) em uma única voz enunciativa.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Yo soy como las gentes que a mi tierra vinieron" → o eu lírico se iguala aos que chegaram de fora à sua terra, assumindo a herança do "outro" (o mouro) como parte de si mesmo.
- Evidência 2: "soy de la raza mora, vieja amiga del sol" → declaração direta de pertencimento à "raça moura", com o sol reforçando a origem oriental/mediterrânea dessa herança.
- Evidência 3: "Tengo el alma de nardo del árabe español" → o verso de fechamento funde num só sintagma as duas identidades: "árabe" e "español" caminham juntas, sem contradição, formando uma alma composta.
- Síntese: as três evidências constroem, gradualmente, a imagem de um sujeito que não escolhe entre "ser mouro" ou "ser espanhol" — ele é as duas coisas ao mesmo tempo, revelando uma identidade plural e mestiça.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o sujeito lírico e sua autodeclaração
O eu lírico abre o poema comparando-se ("Yo soy como") às "gentes que a mi tierra vinieron" — ou seja, aos povos mouros que historicamente chegaram e se estabeleceram na Península Ibérica. Ao dizer isso, ele não fala como um observador externo da história, mas se inclui dentro dela: "eu sou como" quem veio de fora. Essa primeira reflexão já aponta para uma autoimagem que mistura origens, e não para um relato de terceiros.
Subpasso 4.2 — Analisar a expressão-síntese "árabe español"
O verso final é a chave da estrofe: "Tengo el alma de nardo del árabe español". Aqui não há disjunção (árabe OU espanhol), há justaposição direta dos dois adjetivos qualificando a mesma alma. O poeta não relata uma perda de identidade nem uma dívida histórica — ele proclama uma fusão identitária, típica do imaginário andaluz, que se reconhece herdeiro tanto da cultura árabe quanto da espanhola. O verbo "tengo" (tenho) reforça posse plena, não perda.
Subpasso 4.3 — Verificação: relacionar cada verso à ideia de pluralidade
Reunindo os três versos: (1) o eu lírico se identifica com quem veio de fora; (2) assume-se "de la raza mora"; (3) fecha dizendo que tem alma "del árabe español". A lógica interna do poema caminha do reconhecimento da herança moura até a síntese final em que mouro e espanhol coexistem na mesma alma — confirmando que o tema central é a formação identitária plural, e não nomadismo, perda migratória, dívida histórica ou mera contemplação da natureza.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) de sua formação identitária plural.
✅ Correta: o poema constrói, verso a verso, a ideia de um sujeito que se reconhece simultaneamente mouro e espanhol — a expressão final "árabe español" sintetiza exatamente essa dupla herança cultural fundida em uma só identidade.
B) da condição nômade de seus antepassados.
❌ Incorreta: o poema não trata do deslocamento contínuo ou da vida errante de antepassados; "las gentes que a mi tierra vinieron" descreve um povo que se estabeleceu na terra (os mouros na Península Ibérica), não uma condição de nomadismo permanente.
C) da perda sofrida com o processo de migração.
❌ Incorreta: interpretação parcial e equivocada — "todo lo ganaron y todo lo perdieron" fala do ciclo histórico de ascensão e queda do domínio mouro na Península (conquista e depois Reconquista), não de uma "perda migratória" vivida pelo eu lírico; além disso, essa leitura ignora o verso final, que é o clímax do poema e afirma fusão identitária, não perda.
D) da dívida do povo espanhol para com o povo árabe.
❌ Incorreta: não há no texto nenhuma menção a débito, reparação histórica ou reconhecimento de dívida entre povos; o eu lírico fala de si mesmo e de sua própria constituição identitária, não de uma relação de obrigação entre nações.
E) de sua identificação com os elementos da natureza.
❌ Incorreta: "vieja amiga del sol" e "alma de nardo" são imagens poéticas (apostos e metáforas) que qualificam a herança moura, funcionando como recursos estilísticos de apoio, não como o assunto principal do poema; a natureza é pano de fundo figurativo, não o tema central da reflexão.
🏆 Gabarito: A — o eu lírico se autodeclara herdeiro simultâneo da "raza mora" e da identidade "española", fundindo as duas heranças na expressão "árabe español", o que caracteriza uma reflexão sobre formação identitária plural.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa A dá conta do movimento completo do poema — do reconhecimento da herança moura à fusão final com a identidade espanhola — sem se prender a um único verso isolado.
- Padrão de cobrança: o ENEM de Espanhol frequentemente traz poemas ou trechos literários de autores hispânicos consagrados (aqui, Manuel Machado) para testar leitura interpretativa, exigindo captar o sentido global da estrofe, não apenas o significado lexical de palavras isoladas.
- Generalização: em questões de poesia, a alternativa correta costuma sintetizar a ideia que perpassa TODOS os versos, não apenas um verso ou imagem isolada; desconfie de opções que se apoiam em um único trecho fora do contexto do poema inteiro.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que introduzem termos ausentes do texto (como "dívida" em D) e as que tomam uma metáfora pontual (sol, nardo) como tema central (E); depois, compare B e C com o verso final — se ele não fala de fuga nem de prejuízo, mas de fusão de identidades, a resposta certa é a que menciona pluralidade identitária.
- Conexões: relaciona-se a temas como "identidade e alteridade em textos literários" e ao contexto histórico de Al-Andalus, também recorrente em questões de História sobre a Reconquista Ibérica.
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