Mapa de questões · 2º dia
Questão 98 — ENEM 2019Caderno azul · 2º Dia
Os olhos humanos normalmente têm três tipos de cones responsáveis pela percepção das cores: um tipo para tons vermelhos, um para tons azuis e outro para tons verdes. As diversas cores que enxergamos são o resultado da percepção das cores básicas, como indica a figura.

A protanopia é um tipo de daltonismo em que há diminuição ou ausência de receptores da cor vermelha. Considere um teste com dois voluntários: uma pessoa com visão normal e outra com caso severo de protanopia. Nesse teste, eles devem escrever a cor dos cartões que lhes são mostrados. São utilizadas as cores indicadas na figura.
Para qual cartão os dois voluntários identificarão a mesma cor?
Alternativas
Resolução em Vídeo
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Fisiologia dos sentidos (visão) e genética do daltonismo
- ⚡ Nível: Médio — a questão não pede decorar nada, mas exige traduzir o diagrama de sobreposição de cores em "quais cones cada cartão ativa" e depois aplicar a condição da protanopia a cada um
- 🎯 Tema/Habilidade: Percepção de cores por síntese aditiva (cones L, M e S) e consequência fisiológica do daltonismo tipo protanopia; habilidade de interpretar um fenômeno biológico a partir de um esquema visual
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Entre os cartões vermelho, magenta, amarelo, branco e azul, qual será identificado com a mesma cor tanto por uma pessoa de visão normal quanto por uma pessoa com protanopia severa?"
- Palavras-chave decisivas: protanopia, diminuição ou ausência de receptores da cor vermelha, mesma cor
- Armadilha típica: achar que o branco é "a cor de todo mundo" e marcá-lo por intuição — mas o branco só existe porque as três luzes (vermelha, verde e azul) se somam; tirando o vermelho da equação, o branco deixa de ser branco para o protanope.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de decompor cada cor do diagrama nos cones que a formam e identificar a única cor cuja formação não depende, em nenhum grau, do receptor de vermelho.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Tricromacia: a retina humana normal tem três tipos de cones — L (sensível ao vermelho), M (sensível ao verde) e S (sensível ao azul). Toda cor que enxergamos resulta da proporção de estímulo desses três cones.
- Síntese aditiva de cores: ao sobrepor luzes primárias (vermelho, verde e azul), obtêm-se cores secundárias: vermelho + verde = amarelo; verde + azul = ciano; vermelho + azul = magenta; e vermelho + verde + azul = branco. É exatamente o esquema mostrado na figura da questão (três círculos sobrepostos).
- Protanopia: anomalia genética (ligada ao cromossomo X) em que os cones L (vermelho) estão ausentes ou muito reduzidos. Quem tem protanopia severa praticamente não recebe o sinal "vermelho" que chega ao cérebro de uma pessoa com visão normal — o vermelho aparece escurecido, e cores que dependem dele saem desequilibradas ou trocadas.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "diminuição ou ausência de receptores da cor vermelha" → o defeito do protanope está isolado no cone L; os cones M (verde) e S (azul) funcionam normalmente.
- Evidência 2 (da figura): o diagrama de três círculos sobrepostos mostra que Amarelo fica na interseção Vermelho∩Verde, Magenta na interseção Vermelho∩Azul, Branco no centro (Vermelho∩Verde∩Azul) e Azul aparece como área exclusiva de um único círculo, sem sobreposição com o vermelho.
- Síntese: a pergunta se resolve checando, cartão por cartão, se a cor "usa" o cone vermelho na sua composição. Se usar, o protanope vê algo diferente da pessoa normal; se não usar, os dois relatam exatamente a mesma cor.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Traduzir cada cartão em "quais cones ele ativa"
Usando o diagrama (L = vermelho, M = verde, S = azul):
- Vermelho → apenas L
- Amarelo → L + M
- Magenta → L + S
- Branco → L + M + S
- Azul → apenas S
Repare que quatro das cinco alternativas contêm o cone L (vermelho) em sua fórmula, e apenas uma não contém.
Subpasso 4.2 — Aplicar a condição da protanopia (ausência de L) a cada fórmula
- Vermelho (L): sem o cone L, o protanope não recebe o sinal que gera essa cor; ele tende a enxergá-la escurecida/acinzentada, bem diferente do vermelho vivo percebido pela pessoa normal.
- Amarelo (L+M): a pessoa normal soma o sinal forte de L com o de M e vê um amarelo puro. O protanope, com L falho, recebe quase só o sinal de M — o resultado tende a um amarelo esverdeado e apagado, a clássica confusão vermelho-verde do daltonismo.
- Magenta (L+S): sem contribuição adequada de L, sobra praticamente só o sinal de S. O protanope tende a perceber essa cor puxando para azul, e não como o magenta "cheio" que a pessoa normal enxerga.
- Branco (L+M+S): o branco só é neutro quando as três contribuições estão equilibradas. Reduzindo L, o equilíbrio se rompe e o protanope tende a perceber um branco com tinta azul-esverdeada, não um branco neutro puro.
- Azul (S apenas): essa cor nunca dependeu do cone L — sua formação usa exclusivamente o cone S, que funciona normalmente em quem tem protanopia. Logo, o sinal que chega ao cérebro do protanope para esse cartão é idêntico ao da pessoa de visão normal.
Subpasso 4.3 — Verificação
Testando as cinco opções contra o critério "a cor depende do cone L?": Vermelho (sim), Amarelo (sim), Magenta (sim), Branco (sim), Azul (não). Apenas o Azul passa incólume pela ausência do receptor vermelho — é o único cartão em que os dois voluntários escrevem a mesma palavra.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Vermelho.
❌ Incorreta: essa cor é formada exclusivamente pela ativação do cone L. Como esse é justamente o receptor deficiente na protanopia, o voluntário daltônico percebe esse cartão de forma diferente (mais escuro ou acinzentado) do que a pessoa com visão normal.
B) Magenta.
❌ Incorreta: magenta resulta da soma dos cones L e S. A falha no cone L desequilibra a mistura para o protanope, que tende a perceber um tom mais próximo do azul do que o magenta "verdadeiro" identificado pela pessoa de visão normal.
C) Amarelo.
❌ Incorreta: amarelo é a soma dos cones L e M — a combinação vermelho-verde é exatamente onde a protanopia mais atrapalha, gerando a clássica confusão entre essas duas cores. O protanope enxerga um amarelo esverdeado, diferente do amarelo nítido da pessoa normal.
D) Branco.
❌ Incorreta: o branco só existe como soma equilibrada de L, M e S. Mesmo parecendo "a cor mais neutra e universal", ele depende do cone vermelho tanto quanto as demais misturas; sem L em pleno funcionamento, o protanope não vê um branco neutro, e sim uma tonalidade desviada.
E) Azul.
✅ Correta: o azul do diagrama é gerado unicamente pelo cone S, que não é afetado pela protanopia. Como a informação enviada ao cérebro depende só desse receptor íntegro, os dois voluntários — com e sem protanopia — relatam exatamente a mesma cor para esse cartão.
🏆 Gabarito: E — o cartão azul é o único cuja formação não envolve o cone de vermelho, o único receptor comprometido na protanopia; por isso é a única cor identificada de forma idêntica pelos dois voluntários.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: entre as cinco opções, apenas o azul é produzido sem qualquer participação do cone L. Como a protanopia atinge exclusivamente esse cone, o azul "escapa" do defeito e é visto igualmente pelos dois voluntários — daí a letra E.
- Padrão de cobrança: o ENEM gosta de misturar fisiologia sensorial (cones e bastonetes, tipos de daltonismo) com leitura de esquemas/diagramas, exigindo que o candidato converta uma figura em raciocínio lógico, e não decore fórmulas prontas.
- Generalização: em qualquer questão sobre daltonismo, identifique primeiro qual cone está deficiente e depois verifique, cor por cor, se ela "usa" esse cone na sua composição aditiva — cor que não usa o cone afetado é percebida normalmente pelo daltônico.
- Dica de eliminação rápida: risque de cara todo cartão cuja cor tenha "vermelho" na receita de mistura (vermelho puro, amarelo, magenta e branco); sobra apenas a cor formada sem vermelho, que é a resposta.
- Conexões: genética ligada ao cromossomo X (herança do daltonismo), fisiologia da retina (cones vs. bastonetes) e física óptica (síntese aditiva x síntese subtrativa de cores, esta última usada em tintas e pigmentos).
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