Mapa de questões · 2º dia
Questão 166 — ENEM 2019Caderno azul · 2º Dia
Construir figuras de diversos tipos, apenas dobrando e cortando papel, sem cola e sem tesoura, é a arte do origami (ori = dobrar; kami = papel), que tem um significado altamente simbólico no Japão.
A base do origami é o conhecimento do mundo por base do tato. Uma jovem resolveu construir um cisne usando técnica do origami, utilizando uma folha de papel de 18 cm por 12 cm.
Assim, começou por dobrar a folha conforme a figura.

Após essa primeira dobradura, a medida do segmento AE é
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Matemática → Geometria Plana (Teorema de Pitágoras aplicado a uma situação de dobradura)
- ⚡ Nível: Médio — a conta final é uma única aplicação de Pitágoras, mas o desafio real está em "ler" a figura da dobradura e montar o triângulo retângulo correto
- 🎯 Tema/Habilidade: Teorema de Pitágoras em contexto real (origami); competência de modelar geometricamente uma situação prática usando propriedades do retângulo
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Calcule o comprimento do vinco AE, a linha de dobra que leva o canto inferior esquerdo da folha retangular até o ponto E, marcado sobre a base a 12 cm do vértice C."
- Palavras-chave decisivas: dobrando, primeira dobradura, segmento AE
- Armadilha típica: confundir AE com um dos lados já conhecidos do retângulo (12 cm ou 18 cm) ou calcular a diagonal inteira do retângulo (que usaria 18 e 12 como catetos, dando 6√13, valor que nem aparece nas alternativas) em vez de identificar o triângulo retângulo menor realmente formado pela dobra.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de completar mentalmente o retângulo (usando a propriedade de lados opostos iguais), localizar o ponto E sobre a base e reconhecer o triângulo retângulo auxiliar antes de aplicar Pitágoras.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Lados opostos do retângulo: em qualquer retângulo, lados opostos são congruentes. Se AB = 18 cm (base superior) e BC = 12 cm (lado direito), então o lado esquerdo também mede 12 cm e a base inferior também mede 18 cm — mesmo que a figura não repita esses rótulos.
- Dobradura como reflexão (isometria): dobrar papel ao longo de um vinco equivale a refletir a região dobrada em torno dessa linha. Uma reflexão preserva distâncias e ângulos, então tudo que existia na parte dobrada "reaparece" do outro lado do vinco com as mesmas medidas.
- Teorema de Pitágoras: em todo triângulo retângulo, o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos: a² = b² + c². A hipotenusa é sempre o maior lado do triângulo.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "folha de papel de 18 cm por 12 cm" + rótulos "AB = 18 cm" e "BC = 12 cm" na figura → fixa as dimensões do retângulo original. Completando mentalmente a figura, o quarto vértice (inferior esquerdo, sem letra — vamos chamá-lo de P) fecha um retângulo ABCP com AP = 12 cm e PC = 18 cm.
- Evidência 2: o rótulo "EC = 12 cm" na base da figura → revela que E não é o vértice original do retângulo, e sim um ponto sobre o lado inferior PC, a 12 cm de C. Logo, a distância do outro extremo (P) até E é PE = PC − EC = 18 − 12 = 6 cm.
- Evidência 3: o pequeno quadrado de ângulo reto marcado em D, entre os segmentos AD e DE → mostra que, depois de dobrado, o canto que antes era P "pousa" em D, preservando o ângulo reto original do retângulo (90°) e as distâncias AD = AP e DE = PE.
- Síntese: a figura mostra a folha já dobrada ao longo do vinco AE: o triângulo APE (reto em P, com catetos 12 e 6) foi levantado e refletido sobre AE, aparecendo na figura final como o triângulo congruente ADE. Como o vinco AE não se move numa dobra, seu comprimento pode ser calculado direto no triângulo original APE.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Reconstruir o retângulo e localizar E
Chame de P o quarto vértice do retângulo (canto inferior esquerdo, não rotulado na figura). Como ABCP é retângulo:
- AP = BC = 12 cm (lados verticais opostos)
- PC = AB = 18 cm (lados horizontais opostos)
O ponto E está sobre o lado PC, com EC = 12 cm (dado da figura). Então:
PE = PC − EC = 18 − 12 = 6 cm
Subpasso 4.2 — Isolar o triângulo retângulo e aplicar Pitágoras
P é vértice do retângulo, logo o ângulo APE (entre o lado AP e a base PE) é reto — é o próprio canto de 90° da folha. Isso torna o triângulo APE retângulo em P, com:
- cateto AP = 12 cm
- cateto PE = 6 cm
- hipotenusa AE = exatamente o vinco da dobradura, o segmento pedido
(Esse é o mesmo triângulo que aparece "espelhado" como ADE na figura final: dobrar o papel ao longo de AE reflete P até a posição D, preservando AD = AP = 12 cm, DE = PE = 6 cm e o ângulo reto — por isso o esquadrinho de 90° aparece em D, e não em P, na imagem já dobrada.)
Pelo Teorema de Pitágoras:
AE² = AP² + PE² = 12² + 6² = 144 + 36 = 180
AE = √180
Subpasso 4.3 — Verificação
Simplificando o radical: √180 = √(36 × 5) = √36 × √5 = 6√5 cm.
Confere com a alternativa D. Checagem de coerência: 6√5 ≈ 6 × 2,236 ≈ 13,4 cm — maior que os dois catetos (12 e 6), como toda hipotenusa deve ser, e menor que a diagonal completa do retângulo (√(18² + 12²) = 6√13 ≈ 21,6 cm), já que AE é apenas parte dessa diagonal maior. O resultado é geometricamente consistente.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 2√22 cm
❌ Incorreta: 2√22 = √88. Esse valor não corresponde a nenhum par de catetos coerente com a figura; costuma surgir de tentar montar o triângulo com medidas erradas (por exemplo, usar 2 cm em vez de 6 cm para PE), sem refazer corretamente a subtração 18 − 12.
B) 6√3 cm
❌ Incorreta: 6√3 = √108. Resultaria de um triângulo de catetos que somam quadrados igual a 108 (por exemplo 6² + √72² incoerentes), não de 12² + 6² = 180. É um radical "parecido" com o correto, armadilha para quem simplifica errado √180.
C) 12 cm
❌ Incorreta: é exatamente o valor do cateto AP (e também de BC). Essa é a armadilha mais forte da questão — quem não percebe que E está deslocado 6 cm do vértice original P (e não coincide com ele) acaba respondendo com a medida de um lado já conhecido do retângulo. Mas AE é a hipotenusa do triângulo, e a hipotenusa é sempre estritamente maior que qualquer cateto — logo, jamais poderia ser igual a 12 cm.
D) 6√5 cm
✅ Correta: é o resultado exato de AE² = 12² + 6² = 180 → AE = √180 = 6√5 cm, obtido a partir do triângulo retângulo formado pelo cateto vertical AP = 12 cm e pelo trecho da base PE = 18 − 12 = 6 cm.
E) 12√2 cm
❌ Incorreta: 12√2 = √288 corresponderia a um triângulo retângulo isósceles de catetos 12 e 12 (AE² = 12² + 12² = 288). Essa alternativa seduz quem supõe erradamente que PE também mede 12 cm (confundindo-o com AP ou com o próprio EC), ignorando que PE = 18 − 12 = 6 cm.
🏆 Gabarito: D — AE é a hipotenusa do triângulo retângulo de catetos 12 cm (lado AP do retângulo) e 6 cm (trecho PE = 18 − 12 da base), o que dá AE = √(12² + 6²) = √180 = 6√5 cm.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa compatível com o triângulo retângulo de catetos 12 cm e 6 cm efetivamente descrito pela figura — qualquer outro par de catetos usado leva a um dos "distratores" A, B ou E.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora contextualizar o Teorema de Pitágoras em situações do cotidiano — escadas, rampas, antenas, construção civil e, como aqui, dobraduras de origami. A dificuldade quase nunca está na conta (a² = b² + c²), e sim em montar corretamente o triângulo retângulo escondido na situação descrita.
- Generalização: sempre que uma figura combinar as dimensões originais de uma forma com um ponto "extra" (como E aqui), reconstrua mentalmente a figura completa, use a propriedade de lados opostos iguais (em retângulos) para descobrir medidas não rotuladas, e só depois isole o triângulo retângulo relevante.
- Dica de eliminação rápida: descarte de cara qualquer alternativa igual a um cateto já conhecido (aqui, 12 cm — alternativa C), pois a hipotenusa é sempre maior que qualquer cateto; e desconfie de alternativas com catetos "iguais" (12 e 12, como em 12√2) quando o enunciado deixa claro que os dois segmentos têm medidas diferentes.
- Conexões: problemas de diagonal de retângulo/quadrado e problemas de "escada apoiada na parede" são primos diretos desta questão — todos se resolvem isolando o triângulo retângulo certo e aplicando Pitágoras.
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