Mapa de questões · 2º dia
Questão 131 — ENEM 2019Caderno azul · 2º Dia
A agricultura de precisão reúne técnicas agrícolas que consideram particularidades locais do solo ou lavoura a fim de otimizar o uso de recursos. Uma das formas de adquirir informações sobre essas particularidades é a fotografia aérea de baixa altitude realizada por um veículo aéreo não tripulado (vant). Na fase de aquisição é importante determinar o nível de sobreposição entre as fotografias. A figura ilustra como uma sequência de imagens é coletada por um vant e como são formadas as sobreposições frontais.

O operador do vant recebe uma encomenda na qual as imagens devem ter uma sobreposição frontal de 20% em um terreno plano. Para realizar a aquisição das imagens, seleciona uma altitude H fixa de voo de 1 000 m, a uma velocidade constante de 50 m s-1. A abertura da câmera fotográfica do vant é de 90°. Considere tg(45°) = 1.
Natural Resources Canada. Concepts of Aerial Photography. Disponível em: www.nrcan.gc.ca. Acesso em: 26 abr. 2019 (adaptado).
Com que intervalo de tempo o operador deve adquirir duas imagens consecutivas?
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Física → Trigonometria aplicada (geometria do campo de visão) e Cinemática (Movimento Retilíneo Uniforme)
- ⚡ Nível: Difícil — exige traduzir a figura em um triângulo, aplicar trigonometria, calcular uma sobreposição percentual e só então usar v = ΔS/Δt, tudo em sequência.
- 🎯 Tema/Habilidade: Aplicação de geometria (ângulo de abertura de câmera) e cinemática a um contexto tecnológico (VANT em agricultura de precisão) — competência de resolver situação-problema com dados quantitativos de um texto técnico.
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual o intervalo de tempo entre dois disparos consecutivos da câmera do vant para garantir 20% de sobreposição frontal, dados a altitude H, a velocidade v e a abertura da câmera?"
- Palavras-chave decisivas: sobreposição frontal de 20%, altitude H de 1 000 m, abertura de 90°
- Armadilha típica: calcular o tempo usando a largura total da imagem no solo sem descontar a sobreposição, ou então confundir a faixa sobreposta com a faixa de avanço real do vant.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de converter a abertura angular da câmera em uma distância no solo (via trigonometria) e, em seguida, transformar essa distância — já descontada a sobreposição — em tempo, usando velocidade constante.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Abertura angular da câmera: o ângulo de 90° é o campo de visão total da lente; como a bissetriz dessa abertura é perpendicular ao solo, cada metade do triângulo formado tem exatamente 45° em relação à vertical — os mesmos 45° marcados nos dois lados da figura.
- Footprint (área coberta no solo): é a largura da imagem projetada no terreno, na direção do voo. Geometricamente, é a base de um triângulo isósceles cuja altura é H e cujos ângulos da base (com a vertical) valem 45°.
- Sobreposição frontal: fração da imagem anterior que se repete na imagem seguinte. Ela garante cobertura contínua do terreno, sem "buracos", mesmo com pequenas oscilações de trajetória do vant.
- Movimento Retilíneo Uniforme (MRU): com velocidade constante, tempo = distância ÷ velocidade (Δt = ΔS/v). É a ferramenta final para transformar a distância de avanço entre fotos no intervalo de tempo pedido.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "a abertura da câmera fotográfica do vant é de 90°" → o triângulo de visada tem vértice de 90° na câmera; por simetria, cada lado forma 45° com a vertical — exatamente os ângulos indicados na figura.
- Evidência 2: "sobreposição frontal de 20%" → apenas 80% de cada imagem representa área "nova"; é essa fração de 80% que define quanto o vant pode avançar entre dois disparos sem violar a exigência da encomenda.
- Evidência 3 (figura): a ilustração mostra três disparos consecutivos (1, 2, 3) e destaca a faixa ΔS entre as imagens, correspondente aos 20% sobrepostos — confirmando que o footprint (largura de cada imagem) é maior do que o deslocamento do vant entre fotografias.
- Síntese: primeiro calcula-se o footprint total no solo usando H e o ângulo de 45°; depois desconta-se 20% desse footprint para achar o avanço real do vant; por fim, converte-se essa distância em tempo com a velocidade de voo.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Calcular o footprint (largura da imagem no solo)
A abertura de 90° da câmera, projetada a partir da altitude H = 1 000 m, forma um triângulo isósceles cuja bissetriz é vertical (perpendicular ao solo). Assim, cada metade do ângulo de abertura vale 90° ÷ 2 = 45°, medidos entre a vertical e cada lado do triângulo — tal como a figura mostra, com 45° de cada lado da reta vertical.
Em cada metade do triângulo, a altura é H e o ângulo entre a vertical e a hipotenusa é 45°. A meia-largura da imagem no solo é o cateto oposto a esse ângulo:
meia-largura = H × tg(45°) = 1 000 × 1 = 1 000 m
Como o footprint completo é formado pelas duas metades simétricas do triângulo:
L = 2 × 1 000 = 2 000 m
Ou seja, cada fotografia cobre 2 000 m de terreno na direção do voo.
Subpasso 4.2 — Descontar a sobreposição frontal de 20%
A sobreposição de 20% significa que 20% dos 2 000 m cobertos pela imagem 1 também aparecem na imagem 2. Em metros:
sobreposição = 0,20 × 2 000 = 400 m
A distância que efetivamente representa o avanço do vant entre dois disparos — ou seja, a área "nova" fotografada — é o footprint menos a parte repetida:
ΔS = L − sobreposição = 2 000 − 400 = 1 600 m
Esse valor também pode ser obtido diretamente como 80% do footprint: ΔS = 0,80 × 2 000 = 1 600 m. Os dois caminhos coincidem, o que confirma a consistência do cálculo.
Subpasso 4.3 — Verificação (converter distância em tempo com MRU)
Como o voo ocorre a velocidade constante v = 50 m/s, aplica-se o Movimento Retilíneo Uniforme:
Δt = ΔS ÷ v = 1 600 ÷ 50 = 32 s
Conferindo a ordem de grandeza: 1 600 m percorridos a 50 m/s resultam exatamente em 32 s, valor que corresponde a uma das alternativas oferecidas. O operador deve, portanto, disparar a câmera a cada 32 segundos.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 40 segundos.
❌ Incorreta: corresponde a usar o footprint total (2 000 m) sem descontar a sobreposição — Δt = 2 000/50 = 40 s. Esse erro ignora a exigência de 20% de sobreposição, como se cada imagem não devesse compartilhar nenhuma área com a seguinte.
B) 32 segundos.
✅ Correta: resulta de calcular corretamente o footprint (2 000 m), descontar os 20% de sobreposição (400 m) e dividir a distância de avanço real (1 600 m) pela velocidade (50 m/s), chegando a Δt = 32 s.
C) 28 segundos.
❌ Incorreta: equivale a uma distância de avanço de 1 400 m (pois 28 × 50 = 1 400), o que corresponderia a uma sobreposição de 30% em vez dos 20% informados — um erro na aplicação do percentual de sobreposição fornecido no enunciado.
D) 16 segundos.
❌ Incorreta: surge de um erro clássico de fatoração — usar apenas a meia-largura do footprint (H × tg 45° = 1 000 m) como se fosse a largura total da imagem, esquecendo de multiplicar por 2. Com um "footprint" de 1 000 m, o avanço de 80% seria 800 m, e 800/50 = 16 s.
E) 8 segundos.
❌ Incorreta: confunde a distância de sobreposição (400 m) com a distância de avanço entre fotos. Ao dividir os 400 m sobrepostos pela velocidade (400/50 = 8 s), calcula-se o tempo referente à área repetida, e não ao deslocamento real do vant entre dois disparos.
🏆 Gabarito: B — a sobreposição frontal de 20% reduz o avanço útil do vant a 80% do footprint de 2 000 m (isto é, 1 600 m), e esse deslocamento realizado a 50 m/s exige um intervalo de exatamente 32 segundos entre fotografias.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas 32 s combina corretamente as três etapas do problema — trigonometria (achar o footprint com tg 45°), porcentagem (descontar a sobreposição de 20%) e cinemática (Δt = ΔS/v). Pular qualquer uma dessas etapas leva a uma das outras alternativas.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma embutir trigonometria básica e MRU em contextos tecnológicos pouco óbvios — aqui, fotogrametria e agricultura de precisão —, testando se o estudante consegue enxergar o triângulo retângulo escondido no enunciado e na figura.
- Generalização: em qualquer problema de "footprint × sobreposição" (câmeras aéreas, sensores, radares, coberturas de sinal), a distância útil de avanço segue sempre a mesma lógica: avanço = footprint × (1 − sobreposição%). Vale guardar essa relação.
- Dica de eliminação rápida: calcule primeiro o footprint total (2 × H × tg de metade do ângulo de abertura). Se uma alternativa bater exatamente com footprint/v, sem nenhum desconto, ela ignora a sobreposição (caso da alternativa A) e pode ser descartada de imediato.
- Conexões: o raciocínio "campo de visão × trigonometria" também aparece em questões de óptica geométrica (campo de visão de lentes e espelhos) e em problemas de cobertura de antenas e satélites; o desconto percentual de sobreposição é análogo a problemas de perdas percentuais em processos de produção.
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