Mapa de questões · 2º dia
Questão 93 — ENEM 2019Caderno azul · 2º Dia
A esquistossomose (barriga-dʼágua) caracteriza-se pela inflamação do fígado e do baço causada pelo verme Schistosoma mansoni (esquistossomo). O contágio ocorre depois que larvas do verme são liberadas na água pelo caramujo do gênero Biomphalaria, seu hospedeiro intermediário, e penetram na pele humana. Após o diagnóstico, o tratamento tradicional utiliza medicamentos por via oral para matar o parasita dentro do corpo. Uma nova estratégia terapêutica baseia-se na utilização de uma vacina, feita a partir de uma proteína extraída do verme, que induz o organismo humano a produzir anticorpos para combater e prevenir a doença.
Instituto Oswaldo Cruz/Fundação Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Fiocruz anuncia nova fase de vacina para esquistossomose. Disponível em: http://agencia.fiocruz.br. Acesso em: 3 maio 2019 (adaptado).
Uma vantagem da vacina em relação ao tratamento tradicional é que ela poderá
Alternativas
Resolução em Vídeo
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Imunologia (vacinas e resposta imune humoral)
- ⚡ Nível: Médio — exige interpretação fina de texto científico e diferenciação entre ação profilática (vacina) e ação curativa (fármaco), sem conhecimento decorado extra
- 🎯 Tema/Habilidade: Mecanismo de ação de vacinas versus tratamento medicamentoso convencional; leitura e interpretação de texto de divulgação científica em Biologia
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é a vantagem real da vacina contra esquistossomose em relação ao remédio oral tradicional?"
- Palavras-chave decisivas: vantagem, anticorpos, prevenir
- Armadilha típica: confundir "vacina" com "barreira física" e marcar a alternativa que fala em impedir a penetração do parasita pela pele (A) — a vacina não age na pele, ela age dentro do organismo, pelo sistema imune
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que a vantagem está no momento e na forma de atuação do sistema imunológico (agir cedo, antes do quadro clínico se instalar), e não em impedir fisicamente o contato ou a entrada do verme
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Vacina (imunização ativa): introduz um antígeno (aqui, uma proteína do próprio verme) que treina o sistema imune a reconhecer o parasita e produzir anticorpos específicos, prontos para agir assim que o esquistossomo entrar no corpo — ação preventiva e antecipada.
- Tratamento medicamentoso tradicional: só é administrado depois do diagnóstico, ou seja, depois que o verme já está instalado e, muitas vezes, já causou algum grau de inflamação no fígado e no baço; o fármaco mata o parasita, mas não evita o dano já em curso.
- Ciclo de infecção da esquistossomose: larva (cercária) sai do caramujo Biomphalaria na água → penetra a pele humana → migra e se desenvolve no organismo → causa inflamação hepática e esplênica (sintomas). A vacina atua na etapa "dentro do organismo", não na etapa "penetração pela pele" nem no caramujo.
- Resposta imune humoral: anticorpos circulam no sangue e nos tecidos; eles só conseguem se ligar a um antígeno que já está presente no organismo — por isso não bloqueiam o contato inicial pele-ambiente, mas neutralizam o parasita logo depois que ele penetra, antes que a infecção evolua e produza sintomas.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "o tratamento tradicional utiliza medicamentos por via oral para matar o parasita dentro do corpo" após o diagnóstico → o remédio só entra em ação quando a doença já foi identificada, ou seja, geralmente depois que já há sinais/sintomas ou infecção estabelecida.
- Evidência 2: "vacina... induz o organismo humano a produzir anticorpos para combater e prevenir a doença" → a vacina prepara o corpo com antecedência: os anticorpos já estarão disponíveis para atacar o esquistossomo assim que ele entrar, sem precisar esperar diagnóstico e sintomas.
- Síntese: a diferença central não é "impedir a entrada do verme" nem "matar o caramujo", mas sim o momento da ação: a vacina permite eliminar o parasita dentro do corpo de forma precoce, antes que a doença se manifeste clinicamente, enquanto o remédio tradicional só age depois que o quadro já está instalado e diagnosticado.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar onde cada estratégia atua no ciclo da doença
O texto descreve três "pontos de ataque" possíveis contra a esquistossomose: (1) o caramujo na água, (2) a penetração da larva na pele e (3) o parasita já instalado dentro do corpo. O tratamento tradicional (medicamento oral) atua no ponto (3), mas só depois do diagnóstico — isto é, depois que o verme já pode ter causado dano ao fígado e ao baço. A vacina também atua no ponto (3): ela não impede a penetração na pele (ponto 2) nem elimina o caramujo (ponto 1), pois seu mecanismo é imunológico, isto é, produção de anticorpos que reconhecem uma proteína do próprio verme.
Subpasso 4.2 — Comparar o "quando" de cada estratégia
A palavra-chave do enunciado é "vantagem". Se a vacina atua no mesmo local que o remédio (dentro do organismo), a vantagem não pode ser espacial — tem de ser temporal. Como os anticorpos já estão prontos antes mesmo da infecção acontecer (a vacinação é prévia), eles conseguem neutralizar o esquistossomo logo após a penetração, numa fase inicial da infecção, muito antes de o verme causar inflamação suficiente para gerar sintomas e permitir o diagnóstico clínico. O tratamento tradicional, por depender de diagnóstico prévio, chega estruturalmente mais tarde: em muitos casos, o dano hepático e esplênico já começou.
Subpasso 4.3 — Verificação
Testando contra as alternativas: nenhuma menciona corretamente "impedir a penetração pela pele" (isso não é como anticorpos funcionam) nem "matar o caramujo" (isso seria controle ambiental/vetorial, não vacinação) nem "acesso específico ao fígado" (não há seletividade de órgão descrita) nem "eliminar antes do contato" (logicamente impossível, pois o anticorpo só age sobre algo que já entrou em contato com o sistema imune). A única alternativa compatível com "agir dentro do corpo, mas mais cedo do que o tratamento tradicional" é a que fala em eliminar o esquistossomo antes da manifestação de sintomas. Confirma-se, assim, o gabarito E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) impedir a penetração do parasita pela pele.
❌ Incorreta: os anticorpos produzidos por vacinação atuam depois que há contato com um antígeno; eles não formam uma barreira física na pele capaz de impedir a entrada da larva. O texto não atribui à vacina nenhuma função de bloqueio cutâneo — essa é uma leitura equivocada que confunde "prevenção da doença" com "prevenção do contato físico".
B) eliminar o caramujo para que não haja contágio.
❌ Incorreta: eliminar o caramujo Biomphalaria seria uma estratégia de controle ambiental/vetorial (como saneamento básico ou moluscicidas), não uma vacina. A vacina age no organismo humano, produzindo resposta imune, e não tem qualquer efeito sobre o hospedeiro intermediário.
C) impedir o acesso do esquistossomo especificamente para o fígado.
❌ Incorreta: o texto não descreve nenhuma seletividade de órgão para a ação da vacina. Os anticorpos atuam de forma sistêmica contra o parasita (reconhecendo a proteína extraída do verme), e não bloqueando rotas anatômicas específicas até o fígado.
D) eliminar o esquistossomo antes que ocorra contato com o organismo.
❌ Incorreta: é uma contradição lógica com o próprio mecanismo de vacinação. Anticorpos são produzidos pelo organismo humano e só neutralizam o parasita depois que ele entra em contato com o corpo (e é reconhecido pelo sistema imune); não existe eliminação "antes do contato", pois não há alvo biológico para o anticorpo agir fora do organismo.
E) eliminar o esquistossomo dentro do organismo antes da manifestação de sintomas.
✅ Correta: essa é exatamente a vantagem descrita no texto. Como a vacina já deixa o sistema imune preparado com anticorpos específicos, o esquistossomo pode ser combatido logo após penetrar no corpo, numa fase precoce da infecção — antes que a inflamação do fígado e do baço se instale e produza sintomas. Já o tratamento tradicional só age depois do diagnóstico, quando a doença muitas vezes já se manifestou clinicamente.
🏆 Gabarito: E — a vantagem da vacina é agir preventivamente dentro do organismo, eliminando o parasita antes que a doença se manifeste, enquanto o tratamento tradicional só atua depois do diagnóstico, quando os sintomas já podem estar presentes.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra E é a única que respeita tanto o local de ação da vacina (dentro do organismo, via anticorpos) quanto sua vantagem real (agir antes do aparecimento de sintomas), sem contradizer o funcionamento biológico da imunização.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a diferença entre estratégias preventivas (vacinas, medidas profiláticas) e curativas (medicamentos, cirurgias) em textos de divulgação científica sobre doenças parasitárias e infecciosas — sempre pedindo que o candidato interprete o texto, não que decore imunologia avançada.
- Generalização: em questões que comparam vacina x remédio, a resposta correta quase sempre destaca o caráter antecipado e preventivo da vacina (agir antes da doença se estabelecer), e não uma suposta capacidade de bloquear fisicamente a entrada do agente infeccioso.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato qualquer alternativa que atribua à vacina uma ação fora do corpo humano (como matar o caramujo) ou uma barreira mecânica de entrada (como impedir penetração na pele) — vacina sempre age dentro do organismo, pelo sistema imunológico.
- Conexões: memória imunológica e resposta secundária (por que vacinas "aceleram" a resposta em exposições futuras); outras doenças parasitárias de ciclo com hospedeiro intermediário, como a malária, também exploradas em textos ENEM sobre saúde pública.
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