Mapa de questões · 2º dia
Questão 101 — ENEM 2019Caderno azul · 2º Dia
A eritropoetina (EPO) é um hormônio endógeno secretado pelos rins que influencia a maturação dos eritrócitos. Suas formas recombinantes, sintetizadas em laboratório, têm sido usadas por alguns atletas em esportes de resistência na busca por melhores resultados. No entanto, a administração da EPO recombinante no esporte foi proibida pelo Comitê Olímpico Internacional e seu uso considerado doping.
MARTELLI, A. Eritropoetina: síntese e liberação fisiológica e o uso de sua forma recombinante no esporte. Perspectivas Online: biológicas & saúde, v. 10, n. 3, 2013 (adaptado).
Uma influência que esse doping poderá exercer na melhoria da capacidade física desses atletas está relacionada ao transporte de
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Fisiologia Humana (sistema cardiovascular e respiração celular)
- ⚡ Nível: Fácil — exige apenas conectar a função conhecida da EPO (produção de hemácias) à cadeia lógica hemácia → oxigênio → respiração celular → ATP.
- 🎯 Tema/Habilidade: Transporte de gases pelo sangue e produção de energia celular (respiração aeróbica); competência de interpretar processos fisiológicos aplicados a um contexto real (doping esportivo).
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual substância transportada é beneficiada pela EPO recombinante, e qual o efeito final disso no desempenho físico?"
- Palavras-chave decisivas: eritropoetina (EPO), maturação dos eritrócitos, capacidade física
- Armadilha típica: confundir o papel da EPO com o de outras substâncias dopantes (como anabolizantes, que aumentam massa muscular via síntese proteica) ou associá-la erroneamente ao transporte de nutrientes energéticos como lipídios.
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que a EPO age especificamente sobre a linhagem eritrocitária (hemácias), e que o aumento dessas células eleva a capacidade de transporte de oxigênio, insumo indispensável para a respiração celular aeróbica e a geração de ATP nos músculos em atividade.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Eritropoetina (EPO): hormônio glicoproteico produzido principalmente pelos rins (com pequena contribuição hepática) que estimula a medula óssea vermelha a produzir e amadurecer eritrócitos (hemácias). Sua liberação aumenta em situações de hipóxia (baixa oxigenação tecidual).
- Eritrócitos (hemácias) e hemoglobina: as hemácias são células anucleadas repletas de hemoglobina, proteína que se liga reversivelmente ao O₂ nos pulmões e o libera nos tecidos. Mais hemácias circulantes = maior capacidade total de transporte de oxigênio no sangue.
- Respiração celular aeróbica: processo mitocondrial (glicólise, ciclo de Krebs e cadeia transportadora de elétrons) que utiliza O₂ como aceptor final de elétrons para produzir ATP com alto rendimento energético. Sem oxigênio suficiente, a célula muscular recorre à fermentação lática, muito menos eficiente e geradora de fadiga.
- Doping por EPO recombinante: ao elevar artificialmente o hematócrito (proporção de hemácias no sangue), o atleta aumenta a oferta de O₂ aos músculos em esforço, sustentando a produção aeróbica de ATP por mais tempo e retardando a fadiga — daí o ganho de desempenho em provas de resistência (endurance).
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "hormônio endógeno secretado pelos rins que influencia a maturação dos eritrócitos" → fixa a função biológica exata da EPO: estimular a formação de hemácias, não de músculo, hormônios ou vitaminas.
- Evidência 2: "usadas por alguns atletas em esportes de resistência na busca por melhores resultados" → indica que o benefício buscado é a resistência aeróbica prolongada, típica de modalidades como maratona e ciclismo, que dependem fortemente do fornecimento contínuo de oxigênio.
- Síntese: o enunciado liga causa (mais eritrócitos) a efeito (melhor desempenho em resistência); a ponte lógica entre essas duas informações é o transporte de oxigênio pelas hemácias e sua conversão em energia (ATP) via respiração celular aeróbica.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o efeito direto da EPO
A EPO recombinante mimetiza o hormônio natural e estimula a medula óssea a produzir mais eritrócitos do que o normal. O resultado imediato é o aumento do hematócrito, ou seja, mais hemácias — e, consequentemente, mais hemoglobina — circulando no sangue do atleta.
Subpasso 4.2 — Relacionar o aumento de hemácias ao transporte de oxigênio
Como a hemoglobina é a molécula responsável por carregar O₂ dos pulmões até os tecidos, o excesso de hemácias amplia diretamente a capacidade de transporte de oxigênio do sangue. Em esportes de resistência, isso significa que os músculos recebem mais O₂ por unidade de tempo durante o esforço prolongado.
Subpasso 4.3 — Verificação: do oxigênio ao ganho de desempenho
Mais oxigênio disponível nas mitocôndrias das células musculares sustenta por mais tempo a respiração celular aeróbica, via que produz ATP em quantidade muito superior à fermentação anaeróbica. Com mais ATP disponível, o músculo mantém a contração por mais tempo com menor acúmulo de ácido lático, retardando a fadiga. Essa cadeia — EPO → mais hemácias → mais O₂ transportado → mais ATP produzido — é exatamente o que a alternativa C descreve, confirmando-a como a resposta coerente com toda a fisiologia apresentada no enunciado.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) lipídios, para aumento do gasto calórico.
❌ Incorreta: a EPO não atua no transporte de lipídios (função das lipoproteínas plasmáticas, como LDL/HDL) nem seu mecanismo de ação visa aumentar o gasto calórico; ela age especificamente sobre a produção de eritrócitos.
B) ATP, para aumento da síntese hormonal.
❌ Incorreta: o ATP não é uma molécula "transportada" pelo sangue no sentido fisiológico abordado — ele é produzido localmente dentro das células (mitocôndrias) e consumido ali mesmo; além disso, o benefício da EPO não está ligado à síntese de hormônios, mas à oxigenação muscular.
C) oxigênio, para aumento da produção de ATP.
✅ Correta: a EPO aumenta o número de eritrócitos/hemoglobina, ampliando o transporte de oxigênio no sangue; esse oxigênio extra alimenta a respiração celular aeróbica nos músculos, elevando a produção de ATP e, com isso, a capacidade física do atleta em provas de resistência.
D) proteínas, para aumento da massa muscular.
❌ Incorreta: esse é o mecanismo de outra classe de doping (esteroides anabolizantes), não da EPO. A eritropoetina não estimula síntese proteica muscular; seu alvo é a linhagem eritrocitária da medula óssea.
E) vitamina C, para aumento da integridade dos vasos sanguíneos.
❌ Incorreta: a EPO não tem relação com o transporte ou metabolismo de vitamina C nem com a integridade vascular; essa alternativa mistura conceitos de nutrição e fisiologia vascular que não constam da função hormonal descrita no texto.
🏆 Gabarito: C — a EPO recombinante aumenta a produção de eritrócitos, elevando o transporte de oxigênio no sangue, o que sustenta maior produção de ATP pela respiração celular aeróbica e melhora o desempenho em esportes de resistência.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C conecta corretamente a função real da EPO (estímulo à eritropoese) ao mecanismo fisiológico que explica a melhora de desempenho (mais O₂ disponível para a respiração aeróbica e, portanto, mais ATP).
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora fisiologia humana aplicada a contextos do cotidiano ou da atualidade (esporte, saúde, doping, altitude), exigindo que o candidato relacione um estímulo hormonal ou ambiental a uma consequência celular concreta, geralmente envolvendo transporte de O₂ e metabolismo energético.
- Generalização: sempre que uma questão de biologia mencionar hormônios, células sanguíneas ou adaptação fisiológica ao esforço, busque a cadeia lógica "célula/hormônio envolvido → função específica → efeito sistêmico mensurável" antes de olhar as alternativas.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara qualquer alternativa que troque o alvo biológico da EPO (hemácias) por outra estrutura — "proteínas/massa muscular" (D) e "vitamina C/vasos" (E) fogem completamente da função hormonal descrita; "lipídios" (A) e "ATP como substância transportada" (B) também não correspondem ao que circula e é regulado pela eritropoetina.
- Conexões: relacione este tema com a fisiologia da altitude (treinamento em altitude como forma "natural" de estimular a mesma via da EPO) e com o estudo da respiração celular (glicólise, ciclo de Krebs, cadeia respiratória) como base para entender por que mais oxigênio significa mais ATP.
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