Mapa de questões · 2º dia
Questão 125 — ENEM 2019Caderno azul · 2º Dia
Durante sua evolução, as plantas apresentaram grande diversidade de características, as quais permitiram sua sobrevivência em diferentes ambientes. Na imagem, cinco dessas características estão indicadas por números.

A aquisição evolutiva que permitiu a conquista definitiva do ambiente terrestre pelas plantas está indicada pelo número
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Botânica (evolução e filogenia das plantas)
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar a leitura de um cladograma com o conhecimento sobre a dependência de água na reprodução dos diferentes grupos vegetais.
- 🎯 Tema/Habilidade: Adaptações evolutivas das plantas ao ambiente terrestre; interpretação de árvores filogenéticas (competência de leitura de gráficos biológicos).
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual das cinco características marcadas no cladograma foi a que, de fato, libertou as plantas da dependência de água para se reproduzirem, permitindo a ocupação plena do ambiente terrestre?"
- Palavras-chave decisivas: conquista definitiva, ambiente terrestre, aquisição evolutiva
- Armadilha típica: confundir "primeira característica que surgiu" (embrião protegido, item 1) ou "primeira que permitiu sair da água" com a característica que resolve definitivamente o problema da fecundação dependente de água — muitos candidatos marcam o item 1 ou o item 2 por serem os mais "óbvios" no início da árvore.
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que "conquista definitiva" significa eliminar a última amarra que prendia as plantas a ambientes úmidos: a necessidade de água líquida para o gameta masculino nadar até a oosfera.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Embriófitas (plantas terrestres): grupo que protege o embrião dentro do gametófito feminino (característica 1), presente desde hepáticas, antóceros e musgos. É o primeiro passo da saída da água, mas a fecundação ainda depende de um filme de água para o anterozoide (gameta masculino flagelado) nadar até a oosfera.
- Traqueófitas (tecido vascular): surgimento de xilema e floema verdadeiros (característica 2), a partir das licófitas. Permite transporte eficiente de água e nutrientes e sustentação de caules maiores, mas a reprodução sexuada continua dependente de água externa (como em samambaias e licopódios).
- Espermatófitas (plantas com sementes) e o tubo polínico: inovação evolutiva (característica 3) em que o gameta masculino é levado até a oosfera por um tubo polínico, sem precisar nadar em água livre. É esse mecanismo que rompe definitivamente o vínculo reprodutivo com a água, presente em gimnospermas e angiospermas.
- Polinização pelo vento (anemofilia): estratégia de dispersão do pólen (característica 4), típica de gimnospermas, mas é apenas um dos possíveis vetores de polinização — não é o que resolve o problema da fecundação sem água.
- Frutos: estrutura exclusiva das angiospermas (característica 5), relacionada à proteção e dispersão de sementes, e não à independência reprodutiva da água.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "as plantas apresentaram grande diversidade de características, as quais permitiram sua sobrevivência em diferentes ambientes" → o texto avisa que cada número no cladograma representa uma inovação evolutiva associada a um novo grau de adaptação ao ambiente terrestre.
- Evidência 2: a imagem mostra o número 3 posicionado no ramo que separa pteridófitas de gimnospermas + angiospermas, associado na legenda a "Formação de tubo polínico" → esse é exatamente o ponto da árvore em que surgem as espermatófitas (plantas com sementes), grupo que deixou de depender de água líquida para reproduzir-se.
- Síntese: como os itens 1 e 2 aparecem em grupos que ainda precisam de água para a fecundação (musgos, samambaias), e os itens 4 e 5 são exclusivos de ramos específicos (gimnospermas e angiospermas, respectivamente, e tratam de polinização/dispersão, não de fecundação), a única aquisição que resolve de forma ampla e definitiva o problema da água na reprodução é o item 3 — o tubo polínico.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Entender o que "conquista do ambiente terrestre" exige biologicamente
O grande obstáculo das plantas para viver fora da água nunca foi apenas "ter corpo" ou "ter vasos condutores" — foi a reprodução sexuada. Em algas, briófitas (hepáticas, antóceros, musgos) e pteridófitas (licófitas e samambaias), o gameta masculino é um anterozoide flagelado que precisa nadar em um filme de água até alcançar a oosfera. Isso restringe esses grupos a ambientes úmidos ou sazonalmente chuvosos, mesmo que já possuam embrião protegido (característica 1) ou tecido vascular (característica 2).
Subpasso 4.2 — Localizar no cladograma o evento que rompe essa dependência
Observando a imagem, o número 3 está posicionado exatamente no nó em que a linhagem se separa em gimnospermas e angiospermas — ou seja, no surgimento das espermatófitas (plantas com sementes). A legenda associa esse número à "formação de tubo polínico". O tubo polínico é uma estrutura que cresce a partir do grão de pólen e conduz o núcleo espermático diretamente até a oosfera, através do tecido da planta, sem necessitar de água líquida no ambiente externo. Essa é a inovação que finalmente desvincula a reprodução vegetal da presença de água livre.
Subpasso 4.3 — Verificação contra as alternativas
Comparando com as demais marcações: o item 1 (embrião protegido) aparece bem antes, na base comum a todas as plantas terrestres, mas não resolve o problema da fecundação por água; o item 2 (tecidos condutores) surge nas licófitas, melhorando o transporte interno, mas as pteridófitas ainda dependem de água para fecundar; os itens 4 e 5 (polinização pelo vento e produção de frutos) são posteriores ao tubo polínico e tratam de dispersão/proteção, não da fecundação em si. Logo, o item que representa a conquista definitiva do ambiente terrestre é o número 3, confirmando a alternativa C.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) 1.
❌ Incorreta: o item 1 (embriões protegidos no gametófito) define as embriófitas como um todo — inclui hepáticas, antóceros e musgos, grupos que ainda dependem de água líquida para a fecundação flagelada. É um passo importante rumo à vida terrestre, mas não elimina a dependência de água, então não representa a conquista definitiva.
B) 2.
❌ Incorreta: o item 2 (tecidos condutores verdadeiros) surge nas licófitas e se mantém nas pteridófitas, permitindo maior porte e eficiência no transporte de seiva. Porém, esses grupos (como samambaias) continuam precisando de um filme de água externo para que o anterozoide nade até a oosfera — a reprodução ainda é presa ao ambiente úmido.
C) 3.
✅ Correta: o item 3 (formação de tubo polínico) surge nas espermatófitas (gimnospermas e angiospermas) e permite que o gameta masculino chegue à oosfera sem nadar em água livre, através do crescimento do tubo polínico dentro do tecido da planta. Essa independência reprodutiva da água é o que efetivamente permite às plantas ocupar ambientes secos de forma plena e definitiva.
D) 4.
❌ Incorreta: o item 4 (polinização pelo vento) é apenas um mecanismo de transporte do pólen até o órgão reprodutor feminino, exclusivo do ramo das gimnospermas na árvore. Não é o fator que rompe a dependência de água na fecundação — essa ruptura já havia ocorrido antes, com o tubo polínico (item 3).
E) 5.
❌ Incorreta: o item 5 (produção de frutos) é exclusivo das angiospermas e está relacionado à proteção da semente e à dispersão, não à independência reprodutiva da água. Trata-se de um refinamento evolutivo posterior, que ocorre depois que a conquista do ambiente terrestre já havia sido consolidada pelas espermatófitas.
🏆 Gabarito: C — a formação do tubo polínico (item 3) é a aquisição evolutiva que eliminou a necessidade de água líquida para a fecundação, permitindo às plantas com semente (gimnospermas e angiospermas) ocupar plenamente ambientes terrestres secos.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas o item 3 resolve o gargalo evolutivo central — a dependência de água para a fecundação — sendo por isso o único candidato coerente com a expressão "conquista definitiva do ambiente terrestre".
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra evolução vegetal por meio de cladogramas, pedindo que o aluno relacione uma inovação evolutiva marcada na árvore com a vantagem adaptativa que ela confere — sempre associando estrutura a função (embrião protegido, vasos condutores, tubo polínico, flor, fruto).
- Generalização: em questões de filogenia vegetal, a resposta sobre "independência da água" quase sempre aponta para o surgimento das sementes/tubo polínico (espermatófitas), nunca para tecido vascular isolado ou para estruturas exclusivas das angiospermas (flor e fruto), que são adaptações posteriores e mais específicas.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato qualquer item que apareça em um ramo isolado e "avançado" da árvore (como polinização pelo vento ou fruto) quando a pergunta falar em conquista "definitiva" — esses são refinamentos, não a solução do problema fundamental da água. Foque no nó onde nasce o grupo das sementes.
- Conexões: relacione com o ciclo de vida das briófitas e pteridófitas (alternância de gerações e dependência de água) e com a evolução da semente como estrutura de resistência e dispersão nas espermatófitas.
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