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Mapa de questões · 2º dia
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Questão 134 — ENEM 2010Caderno azul · 2º Dia

Texto I

Eu amo a rua. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós. Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a lei e a polícia, mas porque nos une, nivela e agremia o amor da rua. É este mesmo o sentimento imperturbável e indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e às épocas.

RIO, J. A rua. In: A alma encantadora das ruas. São Paulo: Companhia das Letras, 2008 (fragmento).

Texto II

A rua dava-lhe uma força de fisionomia, mais consciência dela. Como se sentia estar no seu reino, na região em que era rainha e imperatriz. O olhar cobiçoso dos homens e o de inveja das mulheres acabavam o sentimento de sua personalidade, exaltavam-no até. Dirigiu-se para a rua do Catete com o seu passo miúdo e sólido. [...] No caminho trocou cumprimento com as raparigas pobres de uma casa de cômodos da vizinhança. [...] E debaixo dos olhares maravilhados das pobres raparigas, ela continuou o seu caminho, arrepanhando a saia, satisfeita que nem uma duquesa atravessando os seus domínios.

BARRETO, L. Um e outro. In: Clara dos anjos. Rio de Janeiro: Editora Mérito (fragmento).

A experiência urbana é um tema recorrente em crônicas, contos e romances do final do século XIX e início do XX, muitos dos quais elegem a rua para explorar essa experiência. Nos fragmentos I e II, a rua é vista, respectivamente, como lugar que

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Literatura → Crônica e poesia (a rua como espaço)
  • ⚡ Nível: Médio — cada texto atribui um sentido diferente à rua, e a ordem importa.
  • 🎯 Tema/Habilidade: A rua como comunidade e como vitrine.
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após a resolução completa

🔎 Passo 1 — O que a questão pede

  • Comando: que sentidos a rua assume nos dois textos, nessa ordem.
  • Estrutura da questão: a resposta é um par ordenado. Acertar os dois sentidos mas trocar a ordem já derruba a alternativa.

📚 Passo 2 — O conceito em jogo

No Texto I, João do Rio afirma que o amor da rua nos une, nivela e agremia. A rua é o que iguala e reúne — é espaço de pertencimento coletivo.

No Texto II, a rua aparece como lugar de ser visto: o sujeito se apresenta, se mostra, exibe-se ao olhar alheio.

Comunidade e exibição não se opõem: são duas funções da vida urbana, uma de vínculo e outra de aparência.

🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta

Do Texto I, retenha o verbo-chave: une, nivela e agremia. A rua produz o sentido de pertencer a um coletivo.

Do Texto II, retenha o gesto: mostrar-se, ocupar a rua como palco.

A ordem correta é comunidade e depois exibição pessoal — alternativa D.

🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas

  • A) ✗ Incorreta. O Texto I não expressa contradição: o amor pela rua é afirmado como sentimento partilhado e positivo.
  • B) ✗ Incorreta. Intimidade é o oposto do que a rua representa no Texto I, onde ela é espaço público e coletivo.
  • C) ✗ Incorreta. Vínculos duradouros e encontros casuais não são o eixo dos dois textos. O primeiro fala de pertencimento; o segundo, de exibição.
  • D) ✓ Correta. Acerta os dois sentidos na ordem pedida: a rua que une e nivela no Texto I, e a rua como palco de exibição no Texto II.
  • E) ✗ Incorreta. Anonimato e segregação contrariam o Texto I, que apresenta a rua como aquilo que nivela e aproxima as pessoas.

🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão

Quando a questão pede nessa ordem, confira a correspondência texto a texto. Par certo em ordem trocada é erro.

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