Mapa de questões · 2º dia
Questão 102 — ENEM 2010Caderno azul · 2º Dia
Testes
Dia desses resolvi fazer um teste proposto por um site da internet. O nome do teste era tentador: “O que Freud diria de você”. Uau. Respondi a todas as perguntas e o resultado foi o seguinte: “Os acontecimentos da sua infância a marcaram até os doze anos, depois disso você buscou conhecimento intelectual para seu amadurecimento”. Perfeito! Foi exatamente o que aconteceu comigo. Fiquei radiante: eu havia realizado uma consulta paranormal com o pai da psicanálise, e ele acertou na mosca.
Estava com tempo sobrando, e curiosidade é algo que não me falta, então resolvi voltar ao teste e responder tudo diferente do que havia respondido antes. Marquei umas alternativas esdrúxulas, que nada tinham a ver com minha personalidade. E fui conferir o resultado, que dizia o seguinte: “Os acontecimentos da sua infância a marcaram até os 12 anos, depois disso você buscou conhecimento intelectual para seu amadurecimento”.
MEDEIROS, M. Doidas e santas. Porto Alegre, 2008 (adaptado).
Quanto às influências que a internet pode exercer sobre os usuários, a autora expressa uma reação irônica no trecho:
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Ironia e efeitos de sentido
- ⚡ Nível: Fácil — a ironia está no descompasso entre o fato e a reação.
- 🎯 Tema/Habilidade: Identificar o trecho irônico na crônica.
- 🏆 Gabarito: E — revelado após a resolução completa
🔎 Passo 1 — O que a questão pede
- Comando: em que trecho a autora expressa ironia sobre a influência da internet.
- Estrutura da questão: o texto narra um teste feito na internet. A ironia aparece na reação desproporcional a um resultado banal.
- Armadilha antecipada: escolher trechos meramente narrativos. Contar o que aconteceu não é ironizar.
📚 Passo 2 — O conceito em jogo
Ironia é dizer algo cujo sentido pretendido é diferente — em geral oposto — do literal, produzindo crítica ou humor.
Uma das formas mais reconhecíveis é o exagero desproporcional: atribuir grandeza a algo trivial.
Chamar um teste automático de site de consulta paranormal com o pai da psicanálise é exatamente isso: eleva ao máximo algo que a própria autora sabe ser sem valor.
🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta
Separe os trechos narrativos dos avaliativos: contar que fez o teste e que respondeu às perguntas é narração pura.
Procure onde há descompasso entre a coisa e o modo de descrevê-la.
Fiquei radiante diante de uma suposta consulta paranormal com Freud é a hipérbole irônica — alternativa E.
🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas
- A) ✗ Incorreta. Descreve literalmente o que ela fez ao responder. É informação, não ironia.
- B) ✗ Incorreta. É a citação do resultado do teste, reproduzida tal como apareceu na tela.
- C) ✗ Incorreta. É a abertura narrativa da crônica, sem qualquer marca de ironia.
- D) ✗ Incorreta. Também é narração direta da sequência dos fatos.
- E) ✓ Correta. O exagero de tratar um teste automático como consulta paranormal com Freud é a marca irônica do texto.
🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão
Para achar a ironia, procure o exagero. Quando o tamanho da palavra não bate com o tamanho do fato, ali está.
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