Mapa de questões · 2º dia
Questão 117 — ENEM 2010Caderno azul · 2º Dia
Soneto
Já da morte o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto!
Do leito embalde no macio encosto
Tento o sono reter!... já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece...
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!
O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.
Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!
AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000.
O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que o projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Literatura → Romantismo (lírica ultrarromântica)
- ⚡ Nível: Difícil — a diferença entre desejar a morte e sofrer a perda decide a questão.
- 🎯 Tema/Habilidade: O fundamento do lirismo no soneto romântico.
- 🏆 Gabarito: B — revelado após a resolução completa
🔎 Passo 1 — O que a questão pede
- Comando: o que fundamenta o lirismo do soneto.
- Estrutura da questão: o poema descreve palidez, agonia, insônia e escuridão. É preciso identificar o estado que sustenta essas imagens.
- Armadilha antecipada: concluir que o eu lírico deseja morrer. Ele pede esperança e o retorno do ser amado — a morte é o estado em que se encontra, não o que persegue.
📚 Passo 2 — O conceito em jogo
A segunda geração romântica, ultrarromântica, cultiva o mal do século: tédio, melancolia, negativismo e imagens de morte associadas ao amor impossível.
Melancolia, aqui, é o estado de prostração diante da perda: o sujeito não reage, não age, não busca saída — apenas descreve seu próprio esvaziamento.
O soneto encerra pedindo esperança e o retorno da pessoa amada, o que confirma que a morte não é o objeto de desejo, e sim o horizonte que a paralisia lhe impõe.
🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta
Liste o que o eu lírico descreve: palidez de morte, alento que desfalece, coração fenecendo, corpo exausto, olhos na escuridão.
Observe que todas as imagens são de esvaziamento passivo — não há gesto, plano ou reação.
Some o pedido final de esperança: a melancolia frustra qualquer reação diante da perda — alternativa B.
🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas
- A) ✗ Incorreta. O poema não trata da morte como fato irreversível a ser constatado, e sim como estado emocional em que o eu lírico se encontra.
- B) ✓ Correta. Descreve o estado que sustenta todas as imagens: a melancolia que paralisa e impede qualquer reação diante da perda amorosa.
- C) ✗ Incorreta. Não há descontrole no soneto. O tom é de prostração contida, e a forma fixa reforça esse recolhimento.
- D) ✗ Incorreta. O eu lírico não pede a morte: ele pede esperança e o retorno do ser amado nos versos finais.
- E) ✗ Incorreta. A escuridão aparece como consequência do sofrimento, não como solução buscada por ele.
🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão
No ultrarromantismo, a morte é ambiente, não meta. Antes de marcar desejo de morrer, veja o que o eu lírico pede.
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