Mapa de questões · 2º dia
Questão 114 — ENEM 2010Caderno azul · 2º Dia
A Herança Cultural da Inquisição
A Inquisição gerou uma série de comportamentos humanos defensivos na população da época, especialmente por ter perdurado na Espanha e em Portugal durante quase 300 anos, ou no mínimo quinze gerações.
Embora a Inquisição tenha terminado há mais de um século, a pergunta que fiz a vários sociólogos, historiadores e psicólogos era se alguns desses comportamentos culturais não poderiam ter-se perpetuado entre nós.
Na maioria, as respostas foram negativas, ou seja, embora alterasse sem dúvida o comportamento da época, nenhum comportamento permanece tanto tempo depois, sem reforço ou estímulo continuado.
Não sou psicólogo nem sociólogo para discordar, mas tenho a impressão de que existem alguns comportamentos estranhos na sociedade brasileira, e que fazem sentido se você os considerar resquícios da era da Inquisição. [...]
KANITZ, S. A Herança Cultural da Inquisição. In: Revista Veja. Ano 38, n.º 5, 2 fev. 2005 (fragmento).
Considerando-se o posicionamento do autor do fragmento a respeito de comportamentos humanos, o texto
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Posicionamento do autor
- ⚡ Nível: Muito difícil — é preciso captar a ressalva por trás de uma frase de cortesia.
- 🎯 Tema/Habilidade: Como o autor se posiciona diante dos especialistas.
- 🏆 Gabarito: B — revelado após a resolução completa
🔎 Passo 1 — O que a questão pede
- Comando: qual o posicionamento do autor em relação aos especialistas consultados.
- Estrutura da questão: o autor consultou sociólogos, historiadores e psicólogos. A questão é o que ele faz com o que ouviu deles.
- Armadilha antecipada: ler a fórmula de modéstia — não sou psicólogo nem sociólogo — como concordância. Ela é a introdução de uma discordância educada.
📚 Passo 2 — O conceito em jogo
Marcadores de contra-argumentação vêm frequentemente disfarçados de concessão: reconhece-se a autoridade do outro e, na sequência, apresenta-se a objeção.
A estrutura não sou X para discordar, mas tenho a impressão de que é exatamente isso: o mas anula a concessão anterior e introduz a posição do autor.
Contestar não significa negar a existência do fenômeno. O autor acredita que os comportamentos existem — ele contesta a avaliação dos especialistas sobre a permanência deles.
🧮 Passo 4 — O caminho até a resposta
Localize a fórmula: não sou psicólogo nem sociólogo para discordar, mas tenho a impressão de que existem alguns comportamentos estranhos.
Identifique o que o mas faz: retira o peso da concessão e afirma a posição própria do autor, contrária à dos consultados.
O autor, portanto, contesta os especialistas quanto à manutenção desses comportamentos — alternativa B.
🔍 Passo 5 — Análise das Alternativas
- A) ✗ Incorreta. O autor discute comportamentos observados na sociedade brasileira, e não em Portugal e na Espanha, que são o contexto histórico da Inquisição.
- B) ✓ Correta. É o que a estrutura concessiva revela: ele reconhece a autoridade dos especialistas e, em seguida, sustenta posição contrária à deles.
- C) ✗ Incorreta. O autor não confronta historiadores com sociólogos. Ele se posiciona diante do conjunto deles.
- D) ✗ Incorreta. Relativizar seria suavizar a existência dos comportamentos. O autor faz o contrário: afirma que eles existem.
- E) ✗ Incorreta. Ele não questiona a existência desses comportamentos — ele a defende, contra a opinião dos especialistas.
🏁 Passo 6 — O que levar dessa questão
Fórmulas de modéstia costumam preceder discordância. Quando vier um mas depois delas, a tese do autor está no que vem em seguida.
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