Mapa de questões · 1º dia
Questão 89 — ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia
Euphorbia milii é uma planta ornamental amplamente disseminada no Brasil e conhecida como coroa-de-cristo. O estudo químico do látex dessa espécie forneceu o mais potente produto natural moluscicida, a miliamina L.
MOREIRA, C. P. S.; ZANI, C. L.; ALVES, T. M. A. Atividade moluscicida do látex de Synadenium carinatum boiss. (Euphorbiaceae) sobre Biomphalaria glabrata e isolamento do constituinte majoritário. Revista Eletrônica de Farmácia, n. 3, 2010 (adaptado).
O uso desse látex em água infestada por hospedeiros intermediários tem potencial para atuar no controle da
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Parasitologia, ciclo de vida do Schistosoma mansoni e controle de vetores/hospedeiros
- ⚡ Nível: Médio — exige associar um dado bioquímico (ação moluscicida) ao ciclo biológico de uma doença que depende de um caramujo como hospedeiro intermediário
- 🎯 Tema/Habilidade: Relações parasitárias e medidas de controle epidemiológico — competência de interpretar texto científico e relacionar biologia de vetores a saúde pública
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Uma substância que mata moluscos (caramujos) em água infestada ajuda a controlar qual doença?"
- Palavras-chave decisivas: moluscicida, hospedeiros intermediários, água infestada
- Armadilha típica: confundir "vetor" com "hospedeiro intermediário" e associar o látex a doenças transmitidas por insetos (dengue, malária, elefantíase), ignorando que o texto fala especificamente de moluscos
- O que a resposta precisa demonstrar: reconhecimento de que apenas uma das doenças listadas tem um molusco aquático como elo obrigatório do seu ciclo de transmissão
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Substância moluscicida: composto químico capaz de matar moluscos (caramujos, lesmas); usado como estratégia de controle biológico/químico quando o molusco é elo essencial da cadeia de transmissão de uma doença
- Hospedeiro intermediário: organismo no qual um parasita passa por fases larvais ou de multiplicação assexuada, sem ser o hospedeiro definitivo (onde ocorre a reprodução sexuada do parasita)
- Ciclo do Schistosoma mansoni: o parasita tem como hospedeiro definitivo o ser humano (reprodução sexuada nos vasos sanguíneos) e como hospedeiro intermediário obrigatório caramujos do gênero Biomphalaria, que vivem em águas paradas ou de baixo fluxo
- Vetor vs. hospedeiro intermediário: vetor é um transmissor mecânico ou biológico (geralmente um artrópode, como mosquito); hospedeiro intermediário é parte do próprio ciclo evolutivo do parasita — no caso da esquistossomose, o caramujo não é "só" um vetor, é onde a larva miracídio se transforma em cercária infectante
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "o mais potente produto natural moluscicida" → a substância mata especificamente moluscos, não insetos
- Evidência 2: "uso desse látex em água infestada por hospedeiros intermediários" → a estratégia de controle age diretamente sobre um hospedeiro intermediário aquático, e o próprio artigo citado (Moreira, Zani e Alves) testa a atividade sobre Biomphalaria glabrata — o caramujo transmissor da esquistossomose
- Síntese: o enunciado conecta três elementos indissociáveis — substância que mata moluscos, ambiente aquático infestado e conceito de hospedeiro intermediário — apontando diretamente para uma doença cujo ciclo depende de um caramujo de água doce
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o papel do caramujo no ciclo
O texto cita explicitamente o gênero Biomphalaria (indicado no artigo de referência como Biomphalaria glabrata) como alvo do teste moluscicida. Esse gênero de caramujo de água doce é, na biologia, o hospedeiro intermediário obrigatório do Schistosoma mansoni, o platelminto causador da esquistossomose (também chamada de "barriga d'água"). Sem o caramujo, o ciclo do parasita é interrompido, pois é dentro dele que o miracídio (larva liberada pelas fezes humanas contaminadas) se multiplica assexuadamente e se transforma em cercária, a forma infectante que penetra na pele humana.
Subpasso 4.2 — Testar a lógica do moluscicida como medida de controle
Se uma substância mata os caramujos presentes em rios, açudes e lagoas, ela elimina o "elo fraco" do ciclo: mesmo que humanos infectados continuem eliminando ovos do parasita nas fezes, sem o caramujo vivo na água não há transformação de miracídio em cercária, e a cadeia de transmissão é quebrada. Essa é a lógica por trás de pesquisas com moluscicidas naturais como a miliamina L: agir sobre o hospedeiro intermediário é estratégia clássica no controle da esquistossomose em áreas endêmicas do Brasil.
Subpasso 4.3 — Verificação
Ao comparar essa lógica com as cinco alternativas, apenas a esquistossomose apresenta em seu ciclo biológico um molusco aquático como hospedeiro intermediário obrigatório. As demais doenças listadas — dengue, malária, elefantíase e ascaridíase — não dependem de caramujos em nenhuma etapa de seus ciclos, o que confirma que a resposta converge exclusivamente para a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) dengue.
❌ Incorreta: a dengue é causada por um vírus (flavivírus) transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, um inseto, não um molusco. Um moluscicida não teria nenhum efeito sobre o ciclo dessa arbovirose.
B) malária.
❌ Incorreta: a malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium e transmitida por mosquitos do gênero Anopheles (fêmeas). O ciclo não envolve hospedeiro intermediário aquático do tipo molusco, portanto o moluscicida é irrelevante para seu controle.
C) elefantíase.
❌ Incorreta: a elefantíase (filariose linfática) é causada pelo verme Wuchereria bancrofti e transmitida por mosquitos do gênero Culex. Assim como nas duas alternativas anteriores, o vetor é um inseto, não um molusco.
D) ascaridíase.
❌ Incorreta: causada pelo verme Ascaris lumbricoides, essa parasitose tem ciclo direto (monoxênico): a transmissão ocorre por ingestão de ovos embrionados presentes em água ou alimentos contaminados por fezes, sem qualquer hospedeiro intermediário. Não há elo biológico com moluscos a ser interrompido.
E) esquistossomose.
✅ Correta: causada pelo platelminto Schistosoma mansoni, essa doença tem como hospedeiro intermediário obrigatório caramujos do gênero Biomphalaria. Um látex com potente ação moluscicida, ao eliminar esses caramujos da água, interrompe a etapa do ciclo em que o miracídio se transforma em cercária infectante, sendo por isso uma estratégia coerente de controle epidemiológico da doença.
🏆 Gabarito: E — apenas a esquistossomose depende de um molusco aquático (Biomphalaria) como hospedeiro intermediário obrigatório, tornando o uso de um moluscicida uma medida de controle biologicamente coerente para essa doença.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: entre as cinco doenças, somente a esquistossomose tem, em seu ciclo de vida, uma fase obrigatória dentro de um caramujo de água doce; eliminar esse caramujo com um moluscicida ataca diretamente o ciclo do parasita, o que não ocorre com doenças transmitidas por insetos ou por ingestão direta de ovos.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a distinção entre hospedeiro definitivo, hospedeiro intermediário e vetor, usando textos de divulgação científica sobre pesquisas com produtos naturais (plantas, fungos, venenos) aplicados ao controle de doenças negligenciadas.
- Generalização: sempre que uma questão mencionar uma substância com ação seletiva sobre um determinado grupo de organismos (moluscicida, larvicida, inseticida), associe-a ao grupo taxonômico que ela ataca e verifique qual doença depende exatamente desse grupo em seu ciclo biológico.
- Dica de eliminação rápida: ao ler "moluscicida", elimine imediatamente qualquer doença transmitida por mosquitos (dengue, malária, elefantíase/filariose, zika, chikungunya) — todas ficam fora por não terem molusco no ciclo; depois, distinga entre doenças de ciclo direto (como a ascaridíase, sem hospedeiro intermediário) e doenças com hospedeiro intermediário aquático (esquistossomose), restando apenas a última.
- Conexões: aprofunde o estudo do ciclo completo do Schistosoma mansoni (ovo → miracídio → esporocistos → cercária → penetração cutânea → vermes adultos) e compare-o com outras parasitoses de ciclo indireto, como a teníase/cisticercose, para fixar a diferença entre hospedeiro intermediário e hospedeiro definitivo.
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