Mapa de questões · 1º dia
Questão 36 — ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia

Essas imagens de D. Pedro II foram feitas no início dos anos de 1850, pouco mais de uma década após o Golpe da Maioridade. Considerando o contexto histórico em que foram produzidas e os elementos simbólicos destacados, essas imagens representavam um
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Segundo Reinado e monarquia constitucional brasileira
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar a leitura de símbolos em fontes iconográficas com o conhecimento sobre o regime político instaurado após o Golpe da Maioridade
- 🎯 Tema/Habilidade: Consolidação do Segundo Reinado e a construção da imagem pública de D. Pedro II como monarca constitucional (competência de análise de fontes imagéticas em História)
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que os elementos simbólicos dos retratos de D. Pedro II, feitos por volta de 1850, comunicavam sobre o tipo de governante que ele seria?"
- Palavras-chave decisivas: início dos anos de 1850, Golpe da Maioridade, elementos simbólicos
- Armadilha típica: associar qualquer imagem de um imperador vestido de gala, com faixa e insígnias, automaticamente a um "líder guerreiro" ou a um "monarca absolutista", ignorando o contexto específico da Constituição de 1824 e a intenção política de legitimar, pela imagem, um jovem de 14 anos como chefe de Estado responsável.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de decodificar símbolos visuais (posição da coroa, presença de livros/documentos, arquitetura clássica ao fundo, postura sóbria) e relacioná-los ao projeto político de apresentar Pedro II como monarca constitucional, maduro e legalista — não como déspota, chefe militar ou autoridade religiosa.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Golpe da Maioridade (1840): movimento político que antecipou a maioridade de Pedro II de 18 para 14 anos, encerrando o conturbado Período Regencial (1831-1840), sob o lema "Já posso!"; visava oferecer um símbolo de unidade e estabilidade em meio a revoltas regionais.
- Monarquia constitucional brasileira: pela Constituição de 1824, o Império não era um absolutismo puro; o imperador exercia o Poder Moderador acima dos demais poderes, mas dentro de limites formalmente previstos em lei, com Conselho de Estado, Assembleia Geral e ministérios responsáveis.
- Iconografia política do Segundo Reinado: retratos oficiais eram instrumentos de propaganda régia; escolhas visuais — vestimenta, objetos ao redor, cenário — não são neutras e comunicam um projeto ideológico deliberado sobre o tipo de governante que se quer apresentar.
- Poder Moderador x Absolutismo: ao contrário de monarcas absolutistas europeus, retratados usando coroa e cetro sobre o próprio corpo como afirmação de poder pessoal e de origem divina, a iconografia de Pedro II tende a relativizar esses símbolos, reforçando legalidade e moderação.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "início dos anos de 1850, pouco mais de uma década após o Golpe da Maioridade" → situa as imagens no início do Segundo Reinado já consolidado, quando ainda era estrategicamente importante reafirmar a legitimidade de um imperador que assumira o trono ainda adolescente.
- Evidência 2 (imagem): nos dois retratos, Pedro II aparece em trajes civis de gala (casaca bordada, faixa de honraria), postura ereta e sóbria, ladeado por colunas clássicas e por um livro/documentos sobre a mesa; no segundo retrato, a coroa imperial está pousada sobre uma almofada ao seu lado — não sobre a cabeça.
- Síntese: a ausência da coroa na cabeça, a presença de livros/documentos e a ambientação sóbria e civil (sem cenas bélicas, sem símbolos religiosos) indicam que a mensagem pretendida não é a de um déspota, guerreiro ou autoridade eclesiástica, mas a de um chefe de Estado adulto, sério e comprometido com a ordem legal-constitucional.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Situar o contexto histórico
Depois do turbulento Período Regencial, marcado por revoltas como a Cabanagem, a Sabinada, a Farroupilha e a Balaiada, políticos liberais e, na sequência, conservadores promoveram, em 1840, o Golpe da Maioridade, antecipando os 18 anos de Pedro II para 14. O objetivo era investir na figura do imperador jovem um símbolo unificador capaz de encerrar a crise de legitimidade do regime. Uma década depois, por volta de 1850, o Segundo Reinado já estava relativamente estabilizado (fase da "Conciliação", entre liberais e conservadores), e era estrategicamente importante reforçar, pela imagem oficial, que aquele jovem monarca havia amadurecido em um governante sério, comprometido com as leis do Império — não um adolescente irresponsável, nem um déspota.
Subpasso 4.2 — Analisar os elementos simbólicos das imagens
Em nenhuma das duas representações D. Pedro II porta a coroa sobre a cabeça: no retrato à direita, ela está pousada sobre uma almofada, ao lado dele. Esse recurso é característico da monarquia constitucional e se opõe à tradição de retratos absolutistas europeus, nos quais reis exibem coroa e cetro sobre o próprio corpo para afirmar poder pessoal de origem divina e ilimitado. Ao deslocar a coroa para "fora" do corpo do imperador, a imagem sugere que sua autoridade decorre de uma investidura formal, regulada por lei, não de poder pessoal absoluto. A esse gesto somam-se o livro e os documentos sobre a mesa (referência ao estudo, à Constituição, ao trabalho administrativo) e as colunas clássicas ao fundo (recurso pictórico usado para evocar solidez institucional e permanência do Estado). A vestimenta — casaca de gala bordada e faixa de honraria — é traje de cerimônia civil/cortesã, não uniforme de campanha com cenas de batalha; tampouco há insígnia religiosa ou referência ao papado em cena.
Subpasso 4.3 — Verificação
Cruzando o conjunto de símbolos (coroa fora da cabeça + livros/documentos + colunas clássicas + postura sóbria e civil) com o momento histórico (pouco mais de uma década após um golpe que precisava provar que um adolescente seria capaz de governar com seriedade), a leitura mais coerente é a de um imperador retratado como adulto, maduro e comprometido com a legalidade constitucional — exatamente o que descreve a alternativa B. Nenhum outro conjunto de símbolos presente nas imagens remete a guerra, religião ou despotismo.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) jovem maduro que agiria de forma irresponsável.
❌ Incorreta: contém uma contradição interna com a própria função política da imagem. O objetivo da iconografia oficial pós-Golpe da Maioridade era exatamente o oposto — convencer a opinião pública de que o jovem monarca era responsável e preparado para governar, não irresponsável. A postura formal, os documentos e o ambiente sóbrio comunicam seriedade e comedimento, jamais leviandade.
B) imperador adulto que governaria segundo as leis.
✅ Correta: a coroa deslocada da cabeça, os livros/documentos sobre a mesa e o cenário institucional (colunas clássicas) constroem exatamente a imagem de um monarca cuja autoridade decorre da lei e da razão de Estado, não de poder pessoal ilimitado. Essa leitura reforça o discurso legitimador do Golpe da Maioridade, que precisava apresentar Pedro II como governante maduro, apto a exercer o poder dentro dos limites da Constituição de 1824.
C) líder guerreiro que comandaria as vitórias militares.
❌ Incorreta: não há nenhum elemento de campanha militar nas imagens — sem armas em uso, sem cenas de batalha, sem tropas em campo. A vestimenta é traje de gala civil/cortesão, típico de retratos oficiais de Estado, e, historicamente, no início dos anos 1850 Pedro II ainda não havia liderado nenhum grande conflito armado: a Guerra do Paraguai só ocorreria entre 1864 e 1870.
D) soberano religioso que acataria a autoridade papal.
❌ Incorreta: não há paramentos litúrgicos, símbolos eclesiásticos ou qualquer referência visual ao papado nas imagens. Mesmo considerando que o Brasil imperial mantinha o padroado (vínculo institucional entre Igreja e Estado), essa alternativa não encontra qualquer respaldo nos elementos simbólicos descritos nos retratos.
E) monarca absolutista que exerceria seu autoritarismo.
❌ Incorreta: é praticamente a inversão da mensagem construída pela iconografia. Retratos absolutistas clássicos normalmente exibem o monarca usando a coroa e segurando o cetro sobre o próprio corpo, afirmando poder pessoal e de origem divina; aqui, ao contrário, a coroa está deliberadamente afastada da cabeça do imperador, sinalizando que seu poder é balizado por lei — traço característico da monarquia constitucional do Segundo Reinado, e não do absolutismo.
🏆 Gabarito: B — as imagens combinam símbolos de maturidade (postura sóbria, trajes de gala civis) com símbolos de legalidade (coroa deslocada da cabeça, livros e documentos), construindo a imagem de um imperador adulto que governaria segundo as leis.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa B concilia os dois eixos de leitura da imagem — maturidade (contra a ideia de irresponsabilidade juvenil) e legalidade constitucional (contra guerra, religião e absolutismo) —, por isso é a única compatível com o contexto do início do Segundo Reinado, pouco mais de uma década após o Golpe da Maioridade.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente a leitura de iconografia política do Império (retratos oficiais, caricaturas, moedas, selos) associada ao contexto histórico de produção da imagem; é preciso sempre perguntar "quem produziu, quando e com que intenção política".
- Generalização: em questões de análise de imagem em História, a alternativa correta é sempre a que integra TODOS os elementos simbólicos apresentados ao contexto histórico dado no enunciado, e não apenas um detalhe isolado (como o traje formal, que sozinho poderia induzir o candidato ao erro de pensar em militarismo).
- Dica de eliminação rápida: pergunte "há cena de batalha?" (elimina C), "há símbolo religioso ou papal?" (elimina D) e "a coroa está sobre a cabeça, afirmando poder pessoal ilimitado?" (elimina E, pois não está); resta a disputa entre A e B, resolvida pelo tom sóbrio e institucional das imagens, que aponta maturidade responsável e legalidade — nunca irresponsabilidade.
- Conexões: revise a Constituição de 1824 e o Poder Moderador, e o período da "Conciliação" (1853-1857), quando liberais e conservadores se uniram em torno da estabilidade política do Segundo Reinado.
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