Mapa de questões · 1º dia
Questão 42 — ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia
Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.
Na década de 1960, a proposição de Simone de Beauvoir contribuiu para estruturar um movimento social que teve como marca o(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → movimentos sociais e teoria de gênero; apoio de História → contexto da segunda onda do feminismo (décadas de 1960-1970)
- ⚡ Nível: Fácil — a questão exige apenas reconhecer o marco histórico do feminismo de segunda onda e eliminar alternativas anacrônicas ou logicamente contraditórias com a luta feminista
- 🎯 Tema/Habilidade: O feminismo como movimento social organizado a partir da crítica ao determinismo biológico do "ser mulher"; competência de reconhecer as transformações nas relações sociais, econômicas e culturais decorrentes de movimentos sociais
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual foi a forma de ação coletiva que marcou o movimento social inspirado pela tese de Beauvoir sobre a construção social do feminino nos anos 1960?"
- Palavras-chave decisivas: estruturar um movimento social, década de 1960, conjunto da civilização
- Armadilha típica: confundir "movimento social" com "conquista institucional". As alternativas A, B e E citam Judiciário, Legislativo e políticas de governo — instituições do Estado — enquanto a questão pergunta pela marca do movimento social em si, isto é, a ação da sociedade civil organizada, não o resultado institucional tardio dessa pressão.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de associar a tese teórica (gênero como construção social) à prática política característica do período — a mobilização direta da sociedade civil em espaços públicos.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- "O Segundo Sexo" (1949) e a frase-síntese: Beauvoir rompe com a ideia de que a "essência feminina" é dada pela biologia. O "feminino" é um papel social imposto — produto fabricado pela civilização, não destino natural.
- Segunda onda do feminismo (anos 1960-1970): o feminismo deixa de se concentrar apenas no direito ao voto (primeira onda, início do século XX) e passa a questionar papéis sociais, sexualidade, trabalho doméstico e corpo, ganhando as ruas com passeatas e manifestos em países como EUA, França e Inglaterra.
- Movimento social: ação coletiva e organizada da sociedade civil que busca transformar normas ou estruturas de poder por mobilização direta (protestos, marchas, greves) — distinta da ação de instituições formais do Estado (Judiciário, Legislativo, Executivo), que costumam responder às pressões sociais posteriormente.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher" → o feminino não é um dado biológico fixo, mas um processo de construção social — base filosófica que desnaturaliza a desigualdade de gênero.
- Evidência 2: "é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado" → responsabiliza a sociedade (cultura, costumes, instituições) pela hierarquia entre os sexos, o que legitima a reivindicação de mudança social — e não apenas individual.
- Síntese: se a opressão é produzida socialmente, ela só pode ser combatida por ação coletiva da própria sociedade. É esse raciocínio que conecta a tese de Beauvoir à emergência de um movimento social de rua nos anos 1960, e não a uma resposta vinda "de cima", das instituições estatais.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Situar o contexto histórico
Nos anos 1960, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, o pensamento de Beauvoir alimentou o que os historiadores chamam de "segunda onda" do feminismo. Esse período é caracterizado por manifestações públicas: passeatas, organização de coletivos e publicação de manifestos — mobilização direta da sociedade civil nas ruas.
Subpasso 4.2 — Conectar teoria e prática política
A frase de Beauvoir fornece o argumento teórico: se "mulher" é uma construção da civilização, então a civilização pode e deve ser transformada por ação política. A forma predominante dessa transformação, na década de 1960, não foi a edição de leis específicas nem decisões judiciais (isso viria de forma mais consistente em décadas seguintes), mas sim a pressão popular organizada — protestos públicos reivindicando igualdade de direitos.
Subpasso 4.3 — Verificação contra as alternativas
Comparando essa marca histórica (mobilização social de rua) com as cinco opções, apenas a que descreve "organização de protestos públicos para garantir a igualdade de gênero" corresponde ao tipo de ação que caracterizou o feminismo nos anos 1960 — confirmando a alternativa C.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) ação do Poder Judiciário para criminalizar a violência sexual.
❌ Incorreta: a criminalização judicial de violências de gênero é processo institucional mais tardio (avança sobretudo a partir das décadas de 1980-1990). Nos anos 1960 o protagonismo era da sociedade civil mobilizada, não do Judiciário.
B) pressão do Poder Legislativo para impedir a dupla jornada de trabalho.
❌ Incorreta: inverte o sentido histórico. O movimento feminista lutava para ampliar a inserção da mulher no mercado de trabalho e por igualdade de condições — não para que o Legislativo "impedisse" a dupla jornada. A marca do período foi a ação civil direta, não uma pauta institucional do Legislativo.
C) organização de protestos públicos para garantir a igualdade de gênero.
✅ Correta: é exatamente essa a marca histórica do feminismo de segunda onda nos anos 1960 — passeatas e mobilização coletiva nas ruas para reivindicar igualdade entre homens e mulheres, em sintonia direta com a crítica de Beauvoir ao destino biológico imposto às mulheres.
D) oposição de grupos religiosos para impedir os casamentos homoafetivos.
❌ Incorreta: além de ser uma ação contrária (e não decorrente) a movimentos de ampliação de direitos, o debate sobre casamento homoafetivo é pauta de mobilizações do movimento LGBT que ganham força em décadas posteriores, sendo anacrônico associá-lo à "marca" do feminismo dos anos 1960 inspirado por Beauvoir.
E) estabelecimento de políticas governamentais para promover ações afirmativas.
❌ Incorreta: políticas afirmativas de gênero (cotas, programas institucionais) são desdobramentos posteriores, formulados pelo Estado como resposta a décadas de pressão social — não a marca inaugural do movimento nos anos 1960, que foi de mobilização social, não de política pública já institucionalizada.
🏆 Gabarito: C — a organização de protestos públicos por igualdade de gênero é a expressão concreta, nas ruas, da tese de Beauvoir de que o "feminino" é produto da civilização e, por isso, pode ser transformado pela ação coletiva da própria sociedade.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a alternativa C é a única que descreve uma ação de mobilização social direta e coerente cronologicamente com os anos 1960, respondendo com precisão ao efeito prático da tese de Beauvoir.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa trechos de teóricos (Beauvoir, Marx, Weber, Foucault) como ponto de partida e pede que o candidato identifique o movimento social que aquela ideia ajudou a fundamentar — testando leitura interpretativa, não decoreba.
- Generalização: quando a questão pede a "marca" de um movimento social, priorize alternativas que descrevam ação da sociedade civil organizada (protestos, greves, passeatas); desconfie de alternativas que atribuem o protagonismo a instituições do Estado, pois normalmente representam conquistas posteriores, não a origem do movimento.
- Dica de eliminação rápida: elimine de imediato qualquer alternativa que descreva uma ação institucional consolidada (leis, políticas de governo, decisões judiciais) quando o enunciado situar o fato no início de um processo histórico — instituições reagem às pressões sociais, raramente as antecipam.
- Conexões: relacione com a primeira onda do feminismo (sufragismo, início do século XX) e com outros movimentos sociais dos anos 1960 (contracultura, luta pelos direitos civis nos EUA), que compartilham o mesmo repertório de mobilização via protestos públicos.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.