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Mapa de questões · 1º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 56ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia

Algumas raças de cães domésticos não conseguem copular entre si devido à grande diferença em seus tamanhos corporais. Ainda assim, tal dificuldade reprodutiva não ocasiona a formação de novas espécies (especiação).

Essa especiação não ocorre devido ao(à)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Evolução (conceito biológico de espécie e especiação)
  • ⚡ Nível: Médio — exige diferenciar uma barreira reprodutiva pontual de uma interrupção completa do fluxo gênico
  • 🎯 Tema/Habilidade: Especiação e isolamento reprodutivo — mecanismos evolutivos que originam novas espécies
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual fator impede que a diferença de tamanho entre raças caninas resulte na formação de novas espécies?"
  • Palavras-chave decisivas: dificuldade reprodutiva, não ocasiona, especiação
  • Armadilha típica: achar que, se duas raças "não conseguem copular", já há isolamento reprodutivo suficiente para falar em espécies diferentes.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que especiação exige interrupção completa e sustentada do intercâmbio gênico, não um obstáculo mecânico isolado entre alguns extremos.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Conceito biológico de espécie (Ernst Mayr): conjunto de populações naturais cujos indivíduos cruzam entre si gerando descendência fértil, e que estão reprodutivamente isoladas de outros grupos.
  • Fluxo gênico: troca de alelos entre populações por reprodução cruzada; é a força que mantém a coesão genética de uma espécie.
  • Isolamento reprodutivo mecânico: barreira pré-zigótica em que diferenças anatômicas (como tamanho) impedem fisicamente a cópula entre certos indivíduos.
  • Especiação: só ocorre quando o fluxo gênico é interrompido por completo, durante gerações suficientes para que mutação, seleção e deriva atuem de forma independente em cada grupo, acumulando divergência irreversível.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "não conseguem copular entre si devido à grande diferença em seus tamanhos corporais" → isolamento mecânico pontual, restrito a pares de raças muito discrepantes (ex.: chihuahua e são-bernardo), não uma barreira que envolve toda a espécie.
  • Evidência 2: "tal dificuldade reprodutiva não ocasiona a formação de novas espécies" → confirma que, apesar dessa barreira localizada, todas as raças seguem na mesma espécie, Canis lupus familiaris.
  • Síntese: raças de porte intermediário cruzam tanto com as menores quanto com as maiores próximas em tamanho, formando uma "corrente" de cruzamentos possíveis — reforçada pela ação humana, que promove cruzamentos dirigidos e inseminação artificial. O fluxo gênico nunca é totalmente cortado; apenas segue por caminhos indiretos.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Classificar o fenômeno descrito

O enunciado descreve isolamento reprodutivo mecânico: a incompatibilidade física impede a cópula direta entre raças muito diferentes em tamanho — em tese, um mecanismo pré-zigótico que poderia contribuir para a especiação.

Subpasso 4.2 — Avaliar se esse isolamento é suficiente para gerar espécies novas

Para especiação de fato, a interrupção do fluxo gênico precisa ser generalizada e mantida por muitas gerações. Nas raças caninas isso não acontece: raças intermediárias continuam cruzando com vizinhas em tamanho, e criadores promovem cruzamentos e inseminação artificial entre raças que não copulariam naturalmente. O elo genético entre todas as raças nunca se rompe.

Subpasso 4.3 — Verificação

Como o fluxo gênico é mantido — direta ou indiretamente, via raças-ponte e intervenção humana —, a divergência genética nunca ultrapassa o limiar necessário para espécies distintas. Isso aponta para a alternativa E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) oscilação genética das raças.

❌ Incorreta: "oscilação genética" remete à deriva genética, mecanismo que causa divergência aleatória entre populações — favoreceria a especiação, não a impediria.

B) convergência adaptativa das raças.

❌ Incorreta: convergência adaptativa descreve espécies não aparentadas desenvolvendo traços semelhantes sob pressões seletivas parecidas. As raças de cães estão se diferenciando por seleção artificial, não convergindo, e esse conceito nada explica sobre a unidade da espécie.

C) isolamento geográfico entre as raças.

❌ Incorreta: isolamento geográfico é um dos principais gatilhos da especiação alopátrica — promove divergência, não a impede. Além disso, as raças caninas são simpátricas (convivem no mesmo espaço), não havendo isolamento geográfico real entre elas.

D) seleção natural que ocorre entre as raças.

❌ Incorreta: as raças resultam de seleção artificial feita por criadores, não de seleção natural. Ainda que houvesse seleção, ela tende a acentuar diferenças entre grupos — logo, poderia favorecer especiação, não impedi-la.

E) manutenção do fluxo gênico entre as raças.

✅ Correta: mesmo com barreira mecânica entre extremos de tamanho, o fluxo gênico circula por toda a população canina através de raças intermediárias e do manejo humano (cruzamentos dirigidos, inseminação artificial). Essa troca contínua de alelos mantém a coesão genética da espécie e impede que a divergência atinja o ponto necessário para o surgimento de uma nova espécie.

🏆 Gabarito: E — a manutenção do fluxo gênico entre as raças, ainda que indireta, impede a divergência genética necessária para caracterizar a formação de novas espécies.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa que aponta o verdadeiro fator impeditivo da especiação — a persistência do intercâmbio gênico entre as populações, apesar da barreira reprodutiva localizada.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma testar o conceito biológico de espécie e os isolamentos pré/pós-zigóticos com exemplos de animais domésticos ou variedades cultivadas, para verificar se o aluno entende que especiação exige interrupção completa do fluxo gênico.
  • Generalização: sempre que uma "dificuldade" reprodutiva não resultar em especiação, a explicação estará ligada à manutenção — direta ou indireta — do fluxo gênico entre as populações.
  • Dica de eliminação rápida: pergunte "esse fator aumenta ou diminui a troca de genes?". Fatores que aumentam divergência (seleção natural, isolamento geográfico, deriva genética) são mecanismos que promovem especiação, não que a impedem — isso elimina A, C e D em segundos.
  • Conexões: conceito biológico de espécie de Ernst Mayr; especiação alopátrica versus simpátrica; espécies em anel (ring species), exemplo clássico de fluxo gênico contínuo apesar de extremos incompatíveis.

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