Mapa de questões · 1º dia
Questão 7 — ENEM 2015Caderno azul · 1º Dia
O principal articulador do atual modelo econômico chinês argumenta que o mercado é só um instrumento econômico, que se emprega de forma indistinta tanto no capitalismo como no socialismo. Porém os próprios chineses já estão sentindo, na sua sociedade, o seu real significado: o mercado não é algo neutro, ou um instrumental técnico que possibilita à sociedade utilizá-lo para a construção e edificação do socialismo. Ele é, ao contrário do que diz o articulador, um instrumento do capitalismo e é inerente à sua estrutura como modo de produção. A sua utilização está levando a uma polarização da sociedade chinesa.
OLIVEIRA, A. A Revolução Chinesa. Caros Amigos, 31 jan. 2011 (adaptado).
No texto, as reformas econômicas ocorridas na China são colocadas como antagônicas à construção de um país socialista. Nesse contexto, a característica fundamental do socialismo, à qual o modelo econômico chinês atual se contrapõe é a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Teoria marxista, modos de produção e luta de classes
- ⚡ Nível: Médio — exige articular o texto (crítica ao "socialismo de mercado" chinês) com o conceito clássico de finalidade histórica do socialismo em Marx.
- 🎯 Tema/Habilidade: Socialismo x capitalismo como modos de produção antagônicos (Competência de área 6 — ENEM Ciências Humanas: compreender fundamentos das dinâmicas econômicas e suas relações com o Estado e a sociedade).
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual é o objetivo essencial do socialismo que a economia de mercado chinesa, segundo o texto, estaria impedindo de se realizar?"
- Palavras-chave decisivas: polarização da sociedade chinesa, instrumento do capitalismo, inerente à sua estrutura como modo de produção
- Armadilha típica: confundir características instrumentais do socialismo chinês (partido único, controle estatal, sindicatos oficiais) com a finalidade histórica do projeto socialista, que é a superação da sociedade de classes.
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que, para o marxismo, mercado e propriedade privada geram e aprofundam divisões de classe, e que é exatamente essa divisão que o socialismo, em sua definição clássica, pretende extinguir.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Modo de produção capitalista: organiza a economia em torno da propriedade privada dos meios de produção, do mercado e da exploração do trabalho assalariado, gerando naturalmente estratificação entre quem detém capital e quem vende força de trabalho.
- Socialismo (projeto marxista): propõe a socialização dos meios de produção como caminho para, ao longo do tempo, dissolver as diferenças de classe herdadas do capitalismo, eliminando a exploração econômica como base da organização social.
- Polarização social: processo de acentuação das desigualdades entre extremos (ricos e pobres, capitalistas e trabalhadores), sintoma citado no texto como consequência direta da adoção do mercado pela China.
- "Socialismo de mercado" chinês: modelo híbrido defendido por dirigentes chineses (o "articulador" citado, referência a Deng Xiaoping e seus sucessores) que tenta usar mecanismos de mercado sem abandonar o rótulo socialista — é justamente essa compatibilidade que o autor do texto contesta.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "o mercado não é algo neutro (...) Ele é (...) um instrumento do capitalismo e é inerente à sua estrutura como modo de produção" → o autor nega que o mercado seja uma ferramenta técnica neutra; ele o identifica como elemento estrutural do capitalismo, incompatível com a lógica socialista.
- Evidência 2: "a sua utilização está levando a uma polarização da sociedade chinesa" → o efeito concreto do mercado é o aumento da desigualdade e da distância entre classes sociais — o oposto do que o socialismo, em tese, buscaria.
- Síntese: se o mercado (mecanismo capitalista) gera polarização de classes, ele se opõe diretamente ao objetivo que define o socialismo em sua essência: a superação das divisões de classe. A questão pede exatamente esse objetivo "traído" pelas reformas chinesas.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o núcleo da crítica do texto
O texto de Oliveira não discute forma de governo, partido ou sindicatos: ele discute a natureza econômica do mercado. A tese central é que o mercado não é "instrumento neutro" utilizável tanto pelo capitalismo quanto pelo socialismo — ele pertence estruturalmente ao capitalismo. Logo, ao adotar o mercado como motor da economia, a China estaria reproduzindo, mesmo sem querer, a lógica de acumulação e diferenciação social típica do capitalismo.
Subpasso 4.2 — Conectar a crítica à teoria socialista clássica
Na tradição marxista, o socialismo não é apenas um arranjo político (partido único, planejamento estatal); é, sobretudo, um projeto de transformação da estrutura econômica que visa, no limite, a uma sociedade sem classes — em que a divisão entre proprietários dos meios de produção e trabalhadores explorados deixe de existir. Esse é o horizonte teleológico do socialismo: um estágio de transição rumo à extinção das classes sociais. O texto aponta que o mercado, ao invés de caminhar nessa direção, produz o efeito inverso — a polarização, ou seja, o acirramento das diferenças de classe.
Subpasso 4.3 — Verificação
Reescrevendo a lógica do texto como silogismo: (1) o socialismo tem como característica fundamental superar a sociedade de classes; (2) o mercado, por ser instrumento capitalista, aprofunda as divisões de classe (polarização); logo (3) o uso do mercado na China contraria justamente esse objetivo fundamental do socialismo — a extinção gradual das classes sociais. Essa cadeia lógica aponta diretamente para a alternativa E, confirmando-a como a única compatível com o argumento do autor.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) desestatização da economia.
❌ Incorreta: desestatização (privatização) é uma política econômica específica, não a característica fundamental que define o socialismo. Além disso, o texto não trata do tamanho do Estado na economia, e sim da natureza de classe do mercado — confundir esse ponto é um erro de nível de análise (troca o meio pelo fim).
B) instauração de um partido único.
❌ Incorreta: o partido único é uma característica política e institucional do regime chinês (o Partido Comunista), não uma característica econômica do socialismo enquanto modo de produção. O texto de Oliveira discute exclusivamente a dimensão econômica (mercado, capitalismo, polarização), sem mencionar organização partidária.
C) manutenção da livre concorrência.
❌ Incorreta: livre concorrência é, na verdade, um princípio do capitalismo de mercado, não do socialismo — a alternativa inverte a lógica do texto. O socialismo clássico se opõe à livre concorrência de mercado como reguladora da economia, e não a defende como sua característica fundamental.
D) formação de sindicatos trabalhistas.
❌ Incorreta: sindicatos são instrumentos de organização e defesa dos trabalhadores dentro (inclusive) do próprio capitalismo; não constituem a característica definidora do projeto socialista nem aparecem como tema do texto, que foca no papel estrutural do mercado.
E) extinção gradual das classes sociais.
✅ Correta: essa é exatamente a finalidade histórica que define o socialismo na tradição marxista — superar, ao longo do tempo, a divisão entre classes sociais antagônicas. O texto mostra que o mercado, por ser "inerente" ao capitalismo, produz o efeito oposto (polarização), evidenciando a contradição entre as reformas econômicas chinesas e esse objetivo fundamental do socialismo.
🏆 Gabarito: E — o mercado, segundo o texto, gera polarização de classes, contrariando diretamente a característica fundamental do socialismo, que é caminhar para a extinção gradual das classes sociais.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa E trata de uma característica econômico-estrutural do socialismo (o fim da divisão de classes), que é justamente o que o texto contrapõe ao efeito polarizador do mercado; as demais alternativas tratam de instrumentos políticos ou econômicos secundários que não definem a essência do projeto socialista.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente contrapõe capitalismo e socialismo a partir de textos jornalísticos ou de opinião, exigindo que o estudante distinga características definidoras (fins) de instrumentos ou políticas específicas (meios) de cada sistema.
- Generalização: em questões sobre sistemas econômicos, sempre pergunte "isso é uma ferramenta/política pontual ou é a finalidade estrutural do sistema?" — a alternativa correta quase sempre aponta para o objetivo estruturante, não para um mecanismo isolado.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que descrevem instituições políticas (partido único, sindicatos) quando o texto-base fala apenas de economia; entre as opções econômicas restantes, escolha a que representa uma finalidade (extinção das classes), não um meio (livre concorrência, desestatização).
- Conexões: revolução chinesa e reformas de Deng Xiaoping; teoria marxista das classes sociais e mais-valia; modelos híbridos de economia (economias de mercado com planejamento estatal, como Vietnã e Cuba pós-reformas).
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